agosto 20, 2011

Textos de Karine Pedrosa



Transição econômica

Karine Pedrosa

(qualquer semelhança com o presente é mera semelhança).
 
É por meio da composição social por níveis interrelacionados de ascendência e subordinação, poder, privilégio e prestígio (Peter Berger); das noções de grupos políticos, governantes e governados e das organizações de poder das quais os indivíduos sofrem as ações (Durkheim); bem como por meio da base científica da dignidade humana pautada na ordem dos acontecimentos políticos com imponente caráter de autoridade (Comte) que o movimento de transição do sistema econômico feudal para sistema econômico capitalista, após ter se realizado no  modo de produção e na base econômica em relações de produção, legitimou-se, configurando a superestrutura para os fins adequados aos interesses da nova classe dominante.
A legitimação da desigualdade por meio da instituição política difusora de ideologias morais, seja no Estado laico ou no Estado Cristão, nos sistemas econômicos  feudal ou capitalista (e alguns dos antecessores), mantém, ao longo da história, a estratificação social. A instituição política de uma sociedade age na esfera da dominação, regulação, controle e privilégios de uns grupos em detrimento de outros. A transformação política e ideológica ocorrida na Europa a partir século XII, aproximadamente, fundamentou-se na mudança do modo de produção da existência. A nova configuração econômica (mudança na base de produção, na força produtiva, nas relações de produção) provocou a ascensão de uma classe da sociedade desprivilegiada no feudalismo que, em seu novo status,  exigiu da superestrutura uma mudança no padrão moral, ideológico e legislativo. Vemos mais uma vez  a economia, ou o modo de produção, determinando os rumos da política. O sistema feudal enquanto sistema político e econômico privilegiava a nobreza e o clero, sendo estes os proprietários de terra, status quo era mantido por meio de uma moral cristã que difundia a ideologia da servidão para a classe camponesa e da origem divina do poder da classe dos proprietários de terra. Com expansão do comércio, ocasionada pelo excedente na agricultura, provocado por avanços técnicos surgiu na economia uma classe econômica comercial, que se consolidou quando compatibilizou-se com as instituições políticas, tendo-as como difusoras de suas ideologias.
Os privilégios que a instituição do Estado concedia mudaram de classe destinatária. Para Hunt, o marco desta transição é o surgimento dos Estados-Nação.

Karine Pedrosa
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29/07/2011
A questão da apatia pública
Karine Pedrosa
Respostas para o fato dos poderes seguirem decidindo por todos e todos seguirem sem participação política relevante em decisões particularmente determinantes para o vivente amazônico seriam levianas sem um olhar para as motivações cotidianas dos indivíduos, para as diversas esferas ideológicas que preenchem o indivíduo de conformação, esperança e receio.
Agora não percebo o momento que vivemos com qualquer marasmo ou descanso e indiferença política, tem muita gente se organizando ou tentando mobilizar pessoas em defesa de uma causa, geralmente boa, mas não se coloca centenas ou milhares de pessoas nas ruas para conquistar uma sociedade materialmente melhor dividida, historicamente honesta com seus indivíduos e consciente de sua relação dialética com a natureza da mesma forma que se coloca um monte de gente em busca de prazer e fuga da realidade em uma micareta. Qual a diferença entre os dois casos? Pessoas dançando em uma micareta agradam a economia e tudo que agrada a economia merece as honras da publicidade, uma ciência que saca tudo de psicologia de massas.
A religião, que os ditos afirmam ser o ópio do povo não seria hoje a responsável pela alienação política, algumas até politizam bastante, outras nem tanto.
Tem também a história da despolitização da politica, Marx fala disso na ideologia alemã, se não me engano...
E também tem o fato de as pessoas geralmente associarem política a um papo chato. Sei lá, hipóteses para investigarmos não faltam.
Mas acho mesmo que o povo, as massas, os atingidos não são bobos e não acredito que escolher ser feliz em vez de escolher ter poder e prejudicar outros semelhantes, massas de semelhantes, seja atitude de alienados, afinal, quem sabe a situação do transporte público melhor do que o usuário, o cobrador e o motorista? A pessoa que delira de dor no corredor do pronto socorro conhece ou não a situação do sistema público de saúde?
Não devemos achar que as massas sofrem porque querem ou merecem. Só porque tem gente pra explorar não quer dizer que quem nao reage é estupido. Pensar as massas como alienadas, diferentes de nós "seres conscientes e participantes em nossa sociedade" pode ser a ideologia que querem que tenhamos para seguirmos ignorando a desigualdade e a agressão que os pequenos grupos fazem contra massas de semelhantes.
Opinião de karine. Gênero textual: Conversa de mesa de bar.
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19/07/2011
As revoluções aconteceram antes das revelações!
Karine Pedrosa
Antes que o tão falado bicho de sete cabeças do imperialismo fosse tópico das discussões acaloradas entre observadores das injustiças sociais, antes que as nações entendessem o valor de dominar territórios no que viria a ser a economia globalizada, antes das ideologias transformarem o ser revolucionário em uma ameaça iminente, revoluções já haviam ocorrido. As revoluções ocorreram antes que os atores se dessem conta e seus autores narravam suas próprias vidas.
Quando Eric Hobsbawm falou de revolução, não economizou a palavra, usando-a só com quem por aí é chamado de radical, fez um panorama histórico de rotações capazes de transformações reais. Para ele, houve uma era dessas rotações intensas e a revolução estava generalizada em tudo o que chamam de campos do conhecimento.
Karine Pedrosa, comentando as férias para as feras ;)
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06/07/2011
Resenha: A desigualdade em discurso
Por Karine Pedrosa
Rousseau, Jean Jacques. Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens. Os Pensadores, ABRIL CULTURAL, 1978.
Para Rousseau existem dois tipos de desigualdade na espécie humana, uma física ou natural, que diz respeito a idade, a saúde, a força do corpo e as qualidades do espírito e da alma e outra moral ou política, estabelecida ou convencionada pelo consentimentos dos homens, sendo a que determina que uns gozem de privilégios em prejuízo de outros. Rousseau busca explicação para o modo como os fatos se encadearam para que uns concedessem a troca de sua felicidade real por uma tranquilidade imaginária, submetendo-se, assim, os fracos aos fortes.
O homem natural de Rousseau é uma espécie com menos habilidades que as outras, que no entanto, quando em conjunto, se organiza mais vantajosamente, este homem natural obtém suas necessidades de subsistência da terra, farta de florestas, que lhe oferece variedade de alimentos e muito exemplos de instintos para observar nos outros animais e serem pelo humano, que escolhe e copia estes instintos que vê. A reprodução gera a proteção, a existência da cria a ser defendida desenvolve habilidades em seus pais e recebe destes a transmissão de uma força construída. O homem natural é forte, sua resistência é imposta pelas estações, pela atmosfera e pela necessidade de se defender, a si e a sua cria, dos outros animais, obrigando-o a impôr-se diante das feras como seres dispostos a conservar sua existência, assim tornando a espécie destemida em condições normais. Das enfermidades naturais, infância, velhice e doença, o homem natural pouco pode se defender.
Em análise voltada para a metafísica e a moral do homem natural entende a máquina humana como agente selecionadora de instintos adquiridos por meio da observação da natureza. A natureza manda em todos os animais, no entanto o homem sente-se livre para concordar ou resistir aos determinismos desta, e é nesta consciência de liberdade que o autor situa a espiritualidade da alma humana, pois esta o confere a possibilidade de transcender os sentidos, formando ideias e podendo escolher seus sentimentos. Para Jean a faculdade de aperfeiçoar-se distingue o homem dos outros animais , mesmo sendo, pois, contraditória, pois a perfectibilidade que o homem adquire lhe é também tirada pela natureza e promove, com o tempo, as luzes e os erros, a razão do homem a torná-lo tirano de si e da natureza. É, pois, o homem natural de Rousseau, um ser capaz de tornar-se imbecil, em estado selvagem percebe, sente, quer e não quer, deseja e teme. A atividade das paixões aperfeiçoa sua razão, a paixão origina-se na necessidade e deriva-se em conhecimentos.
Os bens que conhece o homem natural são os da alimentação, do prazer de reproduzir-se e o repouso e os males que teme são a dor e a fome. Rousseau entende o conhecimento da morte um dos primeiros acontecimentos que distanciaram o homem de sua condição animal, a natureza lhe é um espetáculo familiar, poucas curiosidades lhe são necessárias e a previdência não lhe preocupa, nada lhe agita a alma e a existência atual é seu ponto fixo.
Em Rousseau os domínios humanos como o do fogo e da linguagem levaram tempo para serem domínios e foram frutos de inúmeros acasos. A linguagem teria sido “um grito da natureza” precisando o homem persuadir um grupo reunido para garantir alívio a dores violentas ou implorar socorro na iminência destas. O bem e o mau precisaram ser significados para existirem, exemplifica o autor com o sentido físico de vício estabelecido como prejudicial a própria conservação e a virtude como as características capazes de conservação. O homem natural de Rousseau antes do desenvolvimento do amor próprio possui repugnância ao sofrimento do próximo. A piedade é, pois, a virtude nata dos homens, surgida da fraqueza e sujeição a males, precedendo qualquer reflexão. Da piedade natural, anterior a reflexão nasce a razão e desta o amor próprio, que se fortalece pela reflexão, e é pela filosofia isolado. Para o autor, o amor só passa ser causa desgraça em sociedade, onde as leis de continência forçaram a expansão da devassidão, pois o homem natural ama com mais prazer do que fúria. Rousseau prolonga-se em detalhar as paixões humanas em Estado de natureza pois defende que a desigualdade entre os homens naturais existe mas não é, ainda nesse estado, a causa da realidade desigualdade conforme esta se expressa em sua época. O Estado natural de Rousseau contesta principalmente o de Thomas Hobbes onde as paixões são as causas de disputa e sangue.
Para Jean Jaques Rousseau as diferenças são obras do hábitos e gêneros de vida que os homens adotam em sociedade, tendo sua origem na constituição em que o homem é educado e não na constituição primitiva dos corpos. É, pois, defendido por Rousseau que “compreender-se-á quanto deve a diferença de homem para homem ser menor no estado de natureza do que no estado de sociedade e quanto aumenta a desigualdade natural na espécie humana por causa da instituição da desigualdade de instituição.” (p.257) Os Laços de servidão são, no olhar de Rousseau, gerados por necessidades recíprocas entre os homens e não simplesmente pela dominação dos mais fortes sobre os mais fracos pois o trabalho de subjugar é mais penoso do que o trabalho que o mais forte quereria poupar-se de realizar subjugando o fraco.
Jean Jaques conclui a primeira parte de seu Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os homens retomando os princípios de sua tese, onde define a perfectibilidade e as virtudes sociais que, desenvolvidas ao longo do tempo, no ‘concurso fortuito de inúmeras causas estranhas’ determinaram a espécie como má ao transformá-la em espécie de seres sociais.
Para Rousseau o verdadeiro fundador da sociedade civil foi quem “tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo”. A ideia de propriedade nasce de muitas ideias anteriores e acontecimentos sucessivos e é ela, quando definitivamente manifestada o marco final do estado de natureza. O autor faz uma exposição temporal, encadeando o primeiro sentimento, o da existência e sua primeira preocupação, a da conservação, com um olhar para si mesmo que desenvolveria o orgulho por sua espécie e estenderia-se ao seu entendimento como indivíduo e suas observações estendendo-se a seus semelhantes percebendo seu modo de sentir e pensar como semelhantes as suas formas individuais. A livre associação surgiram conforme as necessidades passageiras que reunia os homens e um sentimento de compromisso mútuo se instalou, pois estes eram de vantagem para a conservação serem respeitados.
Rousseau considera a primeira grande revolução que funda a desigualdade entre os homens as primeiras moradias que este constrói, pois nelas surge a instituição familiar e a primeira espécie de propriedade. Teriam, pois, os mais fortes construído habitações que se achavam capazes de proteger e os mais fracos em vez de expropriá-lo o teria imitado. No seio da família surgem os mais doces sentimentos de amor conjugal e paternal, a família é a primeira sociedade unida por afeição recíproca e desta convivência surge a primeira divisão de funções, entre os sexos, em nome da resistência do conjunto. A união gera a comodidade, que gera o enfraquecimento físico e impõe a fonte primária dos males sociais, sendo a geração de necessidades cada vez mais ligadas ao conforto e ao prazer, cujas privações os tornaria infelizes. Neste seio familiar nasce também a linguagem que se estenderia pela vizinhança, possibilitando as comparações que trouxeram as ideias de mérito e beleza, produtoras da preferência do amor. O Amor que gerou o ciúme, o ciúme que gerou a discórdia, a discórdia que triunfou nos sacrifícios humanos, no derramamento de sangue humano. O espírito humano domesticou-se e contido na vida pública se impôs a observar o outro e expôr a si, a estima pública em noções de beleza, força, astúcia e eloquência implantaram a desigualdade e o vício. Vaidade e desprezo, vergonha e inveja, são para Rousseau, os compostos funestos à felicidade e à inocência do homem em seu estado de natureza. O desprezo tornou a dor mais dolorosa que o próprio mal e as vinganças tornaram as discórdias sanguinárias.
Outra causa da desigualdade é, pois, a dependência, a necessidade do socorro e o fato de ser útil a um só homem ter provisões para dois, seria esta também uma revolução, pois nesta a igualdade desaparece e a propriedade é introduzida, as florestas tornam-se campos, surge a agricultura e a metalurgia e com estas uma nova divisão do trabalho, onde forjar o ferro é necessário para agricultara e os produtos agrícolas são necessários para quem forja o terra. O cultivo da terra torna necessária a partilha desta, assim nasce na propriedade as primeiras noções de justiça. Até este ponto, Rousseau sente que os acontecimentos são naturais, pois tudo é fruto do trabalho desempenhado. O trabalho, portanto, dá ao homem direito à propriedade da terra, mas desigualdade surge na desproporção entre os trabalhos , visto que neste estágio a intensidade de trabalho é dada por características físicas, dentro então da categoria de desigualdades naturais, em Rousseau. Neste estágio as faculdades humana desenvolvidas são: memória, imaginação, amor-próprio interessado, razão e perfectibilidade. Estas tornam os homens práticos capazes de servir ou ofender , dar méritos aos talentos e terem vontade de ter méritos. Do mérito surge a astúcia enganadora e os vícios que formam o cortejo. A sujeição retoma o homem, ele se torna escravo de seus sentimentos e desejos de mérito sendo rico ou pobre, senhor ou servo. Esteve assim instalado na espécie humana a ambição devoradora, o ardor de elevar sua fortuna relativa para colocar-se acima dos outros, donde surge a tendência de se prejudicarem mutuamente, é, pois, a inveja secreta e perigosa utilizando a máscara da bondade. O rico então subjugou e dominou e o desdém nasceu prematuro e nele se instalou o perpétuo combate: Nasceu o Estado de guerra, onde o humano, trêmulo e desolado, não consegue voltar atrás. O estado de guerra, desvantajoso para todos, possibilitou uma união que garantiria a proteção dos fracos e a manutenção da força dos fortes, onde para Jean Jacques, fundamentou-se a sociedade e as leis que fixaram a propriedade e a desigualdade e legitimaram a ambição e a sujeição do gênero humano ao trabalho, à servidão e à miséria. Consumado assim, o estado social de um grupo, Rousseau visualiza o Estado de natureza entre Estados distintos, que pelas mesmas razões que levaram os indivíduos a um estado de guerra levam os corpos sociais a guerras entre sociedades, que desfiam e chocam a razão individual com os derramamentos de sangue humano. Eis, para Jean Jacques Rousseau, a fundação da Sociedade política.
O governo não teve, pois, forma constante e regular, obrigou-se a remediar os inconvenientes presentes. O estado político foi sempre imperfeito por ter sido obra do acaso que nunca pôde corrigir os erros de sua constituição. A lei, tendo surgido com a sociedade em convenções particulares foi iludida continuamente e construiu a necessidade de atribuir o Julgamento à autoridade pública e delegar aos magistrados o cuidado de observar as deliberações do povo.
Estavam, pois, postas as leis antes de serem escolhidos os ministros delas. Instituir um Estado implicou na libertação de um Estado anterior, não foi, da natureza humana a concordância com a servidão [ou no século XXI, queiram chamar como o trabalho assalariado, escravo, freelance, casos conhecidos pela mídia]. Quem só possui de sua a liberdade não quer perdê-la. Rousseau também não justifica o governo por uma tendência do pátrio poder, pois este em natureza configura-se temporário e também é legitimado pela propriedade e capacidade de prover necessidade para si e para outro. Descordante de Thomas Hobbes, Rousseau não confirma a existência de um pacto social unilateral que beneficia um soberano sem a nada obrigá-lo. Para Jean, a liberdade é a mais nobre das faculdades e diferente da propriedade é uma faculdade que os homens em bem poucas circunstancias fariam um pacto onde a perderiam, portanto para que a escravidão fosse estabelecida, foi necessário que o homem modificasse a natureza e perpetuasse para as futuras gerações essas condições. Não nascendo, pois, o homem livre não nasce homem [cruel estabelecimento social este passo na marcha da humanidade].
A partir daí, Rousseau define o estabelecimento do corpo político como um contrato entre o povo e os chefes que o povo escolhe onde ambas as partes se sujeitam às leis estipuladas na união, e onde ambas podem abdicar do pacto, sendo a magistrado livre para rejeitar a autoridade e o povo livre para rejeitar a dependência. No entanto, o governo, para manutenção de seu poder, que ele percebe como necessário a tranquilidade pública instituiu na soberania uma ideia de poder sagrado, tornando os pactos humanos, praticamente invioláveis.
Monarquia, Aristocracia e Democracia, originam-se, para Jean Jacques, inicialmente de forma eletiva, guiada pela riqueza, pelo mérito e pela experiência que a idade fornece. Em todas as formas de governo ficaram do lado as conquistas e do lado do povo a felicidade e a virtude. As formas de governo degeneram-se com a ambição dos governantes, quando estes aproveitam o poder para perpetuar mandatos políticos em suas famílias, enquanto o povo, acostumado a dependência deixou que o governo lhe aumentasse sua servidão em nome de sua tranquilidade.
Para Rousseu a instituição da hereditariedade do poder que os chefes passaram a considerar a magistratura um bem de família e se pensarem proprietários do Estado, sendo apenas dele, funcionários. Os governantes iludiram-se em chamarem-se de iguais e incluir os concidadãos entre as coisas que lhes pertenciam. O caminho da desigualdade, descrito por Rousseau, passa pelas revoluções: 1) Lei do Direito à propriedade; 2)Instituição da magistratura; 3) a transformação do poder legítimo em arbitrário.
O direito à propriedade criou o rico e o pobre, a magistratura o poderoso e o fraco e arbitrariedade do poder, o senhor e o escravo. Eis a forma como o autor percebe a desigualdade. Os mesmos vícios da sociedade que levaram a constituição do estado levaram as instituições ao abuso. São das distinções políticas que surgem as distinções civis, a desigualdade cresce entre o povo e seus chefes se faz sentir entre particulares. A opressão que o cidadão se submete só pode ser com a cega ambição que faz com que ele olhe mais abaixo do que acima de si mesmo, imitando seus dominadores na dominação dos mais fracos ainda. “E muito difícil reduzir à obediência aquele que não procura comandar e o político mais esperto não conseguiria submeter homens que só desejassem ser livres.”
Para Jean, um Estado bem ou mal constituído depende de quatro tipo de desigualdades que constituem qualidades pessoais da origem à riqueza. Para Rousseau o ultimo grau de desigualdade é o de um governo tirano, quando a única virtude de um povo é a obediência e do tirano suas paixões. Rousseau conclui retomando o estabelecimento da desigualdade na instituição e no abuso das sociedades políticas, sendo a desigualdade quase nula no estado de natureza, desenvolvendo-se com os progressos do espírito humano e tendo sido tornada estável pelo estabelecimento das leis e da propriedade. Sendo a desigualdade moral autorizada pelo Direito Positivo e Contrária ao Direito Natural.
KPedrosa
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05/07/2011
Resenha: Economia na Amazônia
Por Karine Pedrosa
WEINSTEIN, Barbara. A borracha na Amazônia: Expansão e decadência 1850 a 920. EDITORA HUCITEC, EDITORA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. SÃO PAULO 1993. Tradução Lólio Lourenço de Oliveira.
Capítulo um: Seringueiros e comerciantes. Capítulo dois: Antes da Expansão.
A intrincada malha hidroviária da natureza amazônica fez dela uma região menos desencorajadora para o trabalho humano. A hevea brasiliensis chamou atenção dos colonizadores: dela os nativos retiravam um líquido leitoso e viscoso que lhes servia de matéria prima para diversos utensílios, o látex passou ser levado para comercialização na Europa.
Expedições coletoras foram à frágil base econômica constituída na Amazônia que, por um período, foi à única região fornecedora de matéria prima para a indústria de produtos da borracha, tecnologicamente avançada e altamente capitalizada nascente na Europa.
A Amazônia enfrentou problemas de escassez de mão de obra, a metrópole investiu na escravização indígena, o que gerou incríveis baixas no número de nativos, além do problema da mão de obra a metrópole enfrentava o fato de o solo amazônico ser, em geral, desfavorável para a agricultura.
A economia amazônica só teve expressão quando o mundo industrializado elevou sua demanda pela borracha, pós-invenção da técnica de vulcanização. Modelos de comercialização complexos e sofisticados foram levantados sobre a produção extrativista tradicional.
Na linha de frente da produção o seringueiro extraia o látex da hevea em estradas arrendadas por seus patrões, geralmente seringalistas ou comerciantes, que compunham o segundo elo da corrente de aviamento. Havia dependência e havia exploração, no entanto, o seringueiro, o seringalista  e o comerciante gozavam de um certo grau de liberdade que variou de caso a caso. Todos os personagens do aviamento assemelham-se em suas características multifuncionais, eram de certa forma, independentes em suas produções, comercializavam seus produtos com mais ou menos liberdade e compravam artigos de subsistência numa relação de maior ou menor endividamento. Mesmo o seringalista e o comerciante, elos totemicamente acima do seringueiro, possuíam muitas funções e relações de dependência. Acima deles estavam os aviadores, que em muitos casos eram eles mesmos e o Armazém da companhia, também submetido as casa exportadoras. O preço final da borracha era determinado pelos compradores estrangeiros que, no caminho inverso do sentido “Floresta Amazônica – Indústria europeia e americana” vendiam os produtos necessários a subsistência do seringueiro e de todos os seus elos com o comprador.
Bárbara descreve o curso da borracha como “um compromisso entre os objetivos dos negociantes de borracha vinculados ao mercado mundial e os requisitos não expressos da população local” onde “a base de qualquer empreendimento econômico organizado com vistas ao lucro é garantir um suprimento regular de mão de obra e expropriar-lhe o excedente”. Afirmações que revelam a contradição gerada pela lógica do capitalismo aliada as técnicas tradicionais de extrativismo.
Antes da expansão da economia da borracha na Amazônia a elite agricultora de Belém expressou-se fortemente contra o extrativismo para a exportação.
Mais que consciência sobre os impactos desse tipo de economia, a elite preocupava-se com uma possível marginalização de suas atividades, a agricultura e a pecuária.
As áreas seringalistas eram geralmente terras não reclamadas e poucos latifundiários possuíam a hevea brasiliensis em seus territórios. A pecuária desenvolveu-se, relativamente, bem no Marajó e, a agricultura na foz dos rios Guamá e Tocantins e no oeste do Pará, onde o solo era diferentemente fértil. A hevea brasilienses era mais facilmente encontrada nas bacias do Tapajós e do Xingu.
Politicamente dividida, a cidade de Belém assistiu a piora do problema da falta de mão de obra na sangrenta Cabanagem. A economia da borracha não era bem vinda para a maior parte da elite paraense que tentou através do “Corpo de Trabalhadores” recrutar pessoas para o trabalho nas fazendas, tentativas falhas diante do potencial econômico do extrativismo.
Sobre as expectativas dos agricultores antes da expansão da borracha na economia extrativista, Bárbara defende que afirmar um infortúnio agrícola na era que antecedeu a expansão da borracha foi um exagero, mas confirma uma fase decadente para agricultura entre os anos de 1880 e 1910.
A saber, a propriedade fundiária possuidora de hevea e o comércio andavam juntos e os “novos ricos” aliavam as duas atividades. Além dos seringalistas estrangeiros, incomodaram muito as elites os “regatões”, comerciantes que se embrenhavam em embarcações mata adentro comprando borracha e vendendo secos e molhados.
A economia da borracha era viável e necessária para os interesses capitalistas e a partir de 1870 o extrativismo movimentava-se rumo a oeste, extraindo látex Amazônia adentro, chegando ao Peru e a Bolívia. A elite agrária persistia em hostilidades e o reflexo estava nos altos impostos. A taxação municipal era considerada uma maldição para os comerciantes. A fundação da câmara de comércio marca um período mais equilibrado politicamente entre elite tradicional e negociantes da borracha.
A partir de 1877 os preços da borracha subiram rapidamente e o comércio tornou-se intenso.
Em uma abordagem detalhada sobre especificidades da sociedade paraense, do sistema de aviamento e das características físicas do território amazônico Bárbara Weinstein traz à luz as bases sobre as quais a economia amazônica se formou e se reflete na forma atual. Guerras violentas, exploração de recursos naturais, política de interesses pessoais e submissão a um capitalismo que não lhe pertence são as marcas da economia amazônica.
KPedrosa
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05/07/2011
Migrações, Colonização e Saúde na Amazônia
Por Karine Pedrosa
Hébbette, Jean. Migração, colonização e saúde.
Jean Hébbete(professor e escritor), faz uma análise da ocupação do território amazônico a partir da análise de dados da saúde. Verifica que as condições de vida do colono da rodovia Belém Brasília apresentam uma história de convivência com a doença, de resistência contra moléstias, de falta de oportunidades de recuperação, um desgaste físico acumulado por gerações de desnutrição. 
É um quadro de enfraquecimento progressivo, determinado pelo ato de migrar de uma terra para outra, que faz do posseiro rural e do trabalhador pobre dos subúrbios a vítima de uma exclusão de classes que os desapossa da terra, da educação e da saúde.
São realidades de tarefas pesadas na roça, sem horário de descanso em distâncias longínquas, condições climáticas desfavoráveis e locais insalubres com reposição deficiente de calorias que tem desgastado o trabalhador que, desqualificado, não é fonte de valor nos trabalhos de campo. Os excedentes das atividades rurais geram lucro apenas para comerciantes, transportadores, donos de máquinas e proprietários da indústria. Com essas forças de expulsão o pequeno agricultor migra para as cidades onde encontra problemas semelhantes: desemprego, moradias sem infra- estrutura urbana, alto preço nas mercadorias e se emprega geralmente em comércios (taberna-penúria), como vendedor ambulante, servente, lavadeiras, biscateiros e motoristas. A cidade aproxima o agricultor dos serviços de saúde, mas não o garante.
E a pecuária continua seu avanço expulsando cada vez mais lavradores autônomos, o emprego urbano continua limitando esse migrante ao setor terciário do trabalho e a cidade passa a, cada vez mais, abrigar o exército de reserva dos trabalhadores para os serviços das fazendas.
É nas cidades que os peões serão recrutados para o trabalho, levados para fazendas distantes onde dependerão da aviação de alimentos, remédios e instrumentos de trabalho de um empreiteiro, terão habitação e higiene precários, propícios a manifestação de doenças. Com o avanço do desmatamento, aumenta o risco de acidentes e a incidência de malária e a morte torna-se comum.
Cronologicamente, algumas atitudes do Estado marcam a formação dessa realidade amazônica:
Em 1940 foi criada a colônia agrícola nacional do Goiás, quando colonos foram instalados nas margens da estrada que liga a colônia a Anápolis.
Em 1958 ocorre à abertura da rodovia Belém Brasília, é quando se dá a ocupação do norte de Goiás e o povoamento do extremo maranhão. Essas povoações se dão com os migrantes provenientes principalmente do nordeste, de minas gerais e da Bahia. São trabalhadores contratados para o trabalho na rodovia, colonos em busca de terra que irão somar-se aos posseiros de terras. Essa ampliação sócio-espacial ampliou também a proliferação de doenças. A malária, a febre amarela e a doença de chagas expandem com a criação de sítios mata adentro. No caso da doença de chagas, trazida pelo migrante e facilmente transmitida pelo barbeiro nas comuns casas de taipa da Amazônia.
Em 1962 a malária se generaliza em Gurupi causando medo e morte. A doença se espalhou de Pindaré Mirim até Imperatriz. Também a leishmaniose se espalha nas áreas desmatadas.
As doenças da colonização são referentes á intervenção do homem no ecossistema regional, especialmente no caso do desmatamento.
O desmatamento de 500 mil hectares implicou na diminuição da precipitação fluvial em 60 por cento, no desaparecimento de peixes em consequência das cinzas lavadas pelas chuvas e na alteração do regime de córregos, consequências de um controle ambiental frágil.
Nas cidades o crescimento sem planejamento, os novos bairros que surgem aglomerando famílias pobres, subnutridas proliferam a malária, a tuberculose a lepra. São consequências da população suburbana o subemprego, o desemprego, rendas ínfimas, casas miseráveis e saúde precária.
Por meio de pesquisa sociológica baseada em critérios de avaliação como posse de capital industrial ou financeiro, renda, nível de consumo e número de migrações que geram número de expulsões, mudanças, deslocamentos, períodos sem trabalho, safras perdidas e reinstalações, bem como por meio de dados da alimentação, da avaliação do trabalho no campo e na cidade, como utilização de energia muscular, utilização de instrumentos geralmente muito rudimentares e da avaliação do trabalho na construção civil, as lavagens de roupa ou a estiva e análise da cota de calorias ingeridas por homens mulheres e crianças constata-se que há déficit no consumo de alimentos que relacionam trabalho e preço de mercadoria.
A Alimentação desses trabalhadores é irregular, e há pouca diversificação de comida. A alimentação base é arroz, milho e mandioca.
Em áreas de pecuária, como Imperatriz e Araguaína a especulação imobiliária diminuiu a produção de subsistência privando a população de recursos naturais como a caça, a madeira, o babaçu, os frutos e sementes e os fármacos. A produção animal é exportada para o Centro-Sul e para Belém. Deixando a alimentação deficiente em proteínas e vitaminas.
Também foi analisada em pesquisa a reprodução biológica que constatou que de 301 famílias gerou-se 1456 filhos, com um nível de natimorto de cinco por cento. As classes baixas não dão assistência à gravidez, ao parto e aos primeiros meses da criança. Oitenta e dois por cento dos partos de Imperatriz acontecem em casa. Setenta e dois por cento dos partos de Nova Glória são feitos em casa. Apesar das cidades possuírem sistemas desenvolvidos de hospitais e maternidades as parteiras cobram mais barato e são as opções mais acessíveis. Há em média cinco filhos por família em Gurupi, e a questão dos partos e menos preocupante que a questão da alimentação da mãe e da criança e da condição de higiene das casas, ruas e bairros. Em nova Imperatriz a mortalidade infantil é de 215 por cento. Quinze por cento em Carmelândia. Os dados de mortalidade infantil incidem devido ao baixo índice de imunização por vacinas, que não fornecem saúde, mas dão resistência contra as doenças.
As moradias são de sopapo ou palha, cobertas por folhas de babaçu, com chão de terra batida no campo. Nas cidades são casas pequenas, com poucos cômodos onde moram mais ou menos cinco pessoas entre filhos, amigos e parentes, as divisas internas são de palha ou babaçu. O foco é feito no chão. E poucas famílias têm fogão. As famílias têm uma ou duas panelas de barros e vasilhames para a água, bancos rústicos, raramente possuem cadeiras, tem estantes de madeiras, nem sempre possuem mesas e camas, dormem geralmente em redes amarradas na parede.
A água procede em 34 por cento de poços sem proteção, em cinco por cento de córregos ou fontes. Os poços são próximos aos lugares de dejeção e na há distribuição de água em nova glória e Cearaçu nem mesmo para casa de alvenaria. Em Imperatriz a classe média é ligada a rede pública de abastecimento, mas os pobres não conseguem pagar a taxa. Em Gurupi só dois por cento da família filtram a água e trinta por cento das famílias não possuem privadas.
O estado doentio é crônico, a malária, o reumatismo, sarampo, gripo, coqueluche, verminoses, asma, disenteria, bronquite, desnutrição, tétano e poliomielite são comuns.
Os investimentos privados contrastam com os investimentos públicos e as populações vivem sem sistema sanitário, sem acesso aos serviços comercializados. Os postos de saúde funcionam apenas ocasionalmente. Os investimentos públicos acompanham os investimentos financeiros e não as necessidades da população. Clínicas especializadas criam empregos para médicos, mas não atendem o vulgarismo das afecções, as clínicas são mais numerosas que os postos de saúde. Os hospitais esbarram na escassez de profissionais. O progresso da rede curativa é bem mais lento que a proliferação de doenças. Os poucos recurso disponíveis para o subsídio dos bairros pobres sofrem desvios ou são mal orientados, financiando hotéis de luxo e edifícios que afrontam a miséria das cidades. A energia elétrica é prioridade, mas o saneamento só é básico nas grandes cidades. O Estado só é percebido nos interiores longínquos por meio da SUCAM. A sucam é um órgão financiado pela organização pan-americana de saúde.
Ocorre que o sistema de saúde é regido por um caráter empresarial: a doença é mais valorizada que a saúde.
Jean faz também um retrato dos fluxos migratórios:
1950- penetração no extremo oeste de Goiás, geralmente precedentes do nordeste e do Piauí.
1960- por meio do SPEVEA dois milhões d emigrantes chegam à área da rodovia Belém Brasília.
Dos 60 aos anos 70 a cidade de imperatriz cresce 17 por cento e Araguaina 248 por cento e Gurupi 276 por cento.
Dos anos 60 aos anos 80 Imperatriz cresceu de 10 mil a 100 mil habitantes. A Amazônia atrai e as regiões de tensão fundiárias expulsam. A Amazônia atraiu o capital e a propaganda os trabalhadores.
É alta a mobilidade das forças de trabalho, as propagandas de terra sem homens para homens sem terra eram ilusórias, a fixação do homem a terra não passou de um mito. As terras sem homens na verdade são terras de bois, as florestas são arrancadas dos indígenas. A Amazônia acolhe verdadeiros nômades e nela o que se fixa é a especulação a grilagem e a violência. Um terço dos migrantes residiu em quatro ou cinco municípios no período de cinco anos. Esses migrantes são expulsos pela fome e pela exploração, os pequenos proprietários de terra são extintos nas áreas de colonização. Os migrantes que deixam a agricultura tornam-se garimpeiros, vendedores ambulantes, alfaiates, pedreiros, carpinteiros, feirantes, cobradores, policiais, sapateiros, vigias, comerciantes, mecânicos, vaqueiros, carroceiros. Eles mudam de profissão conforme as oportunidades. O comercio reduz-se a pura transação comercial, sem capital próprio. Vende-se e compre-se crédito.
A SUDAM gerou através do incentivo a grandes empresas a expulsão da mão de obra, trazendo tecnologias revolucionárias que eliminam a remuneração e o salário autônomo, transformou a riqueza da Amazônia em riqueza de fora.
O peão é a força de trabalho comprada a retalho. Os migrantes acumulam as funções.
O incentivos fiscais não ficaram na Amazônia, os que ficaram foram aplicados de forma especulativa, , não houve desenvolvimento na produção. Na opinião do autor o incentivo fiscal deveria se voltado para criação de empregos, formação de mão de obra e saúde e na implantação de projetos como infraestrutura econômica como estradas, armazenamento, transporte, educação, ensino voltado à agricultura e não ao capital intensivo. Os incentivos fiscais deveriam concentrar-se no agricultor, o que não foi visto com a extinção da EMATER e criação da ACAR. Para Jean a colonização deveria ser finalizada, pois a minifundiarização só sobrevive a uma geração e é facilmente destruída pelos grandes projetos. É preciso tocar na estrutura fundiária do país, pois mesmo o cooperativismo fracassa. A terra precisa de uma utilidade social, precisa ser redistribuída e mantido o seu acesso.

KPedrosa
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05/07/2011
Interligação: Homoafetividade, uma perspectiva econômica
Por Karine Pedrosa.
Uma breve pesquisa sobre:
(Ligação com o primeiro texto, por cá)

O perfil do público gay do Brasil:
  • 18 milhões de brasileiros são gays, 10% da população
  • Gastam 30% a mais em bens de consumo que os héteros
  • 40% estão em SP, 14% no RJ, 8% em MG e 8% no RS
  • 36% são da classe A, 47% da classe B e 16% da classe C
  • 57% têm nível superior, enquanto apenas 14% da população adulta de SP têm essa escolaridade
  • 69% já assumiram sua preferência sexual
  • 52% assumem para amigos, 14% para o chefe do trabalho e 9% para a família
  • 3,4 milhões de pessoas foram à Parada Gay 2008 de SP, que é a maior do mundo
  • 65% já foram sofreram algum tipo de discriminação
  • Reynaldo Gianecchini, Gisele Bündchen e Vera Fischer são considerados os mais sexy.
Nível de escolaridade:
Uma pesquisa do Ministério da Saúde com ‘homens que fazem sexo com homens’ sugere que eles estudam mais que a média da população masculina: mais da metade (52,2%) afirmou ter 11 anos ou mais de estudo, escolaridade atingida só por 25,4% dos homens em geral.
Os dados pesquisados levaram em conta a opinião de habitantes em 10 cidades brasileiras, 3061 homens afirmaram manter relações sexuais com outros homens. Os entrevistados tinham entre 15 e 64 anos.
A pesquisa mostra ainda que 65% deles viajam sozinhos, bem como que 75% são homens, sendo que 80% se hospedam em hotéis de luxo. Os pontos turístico preferidos são o bairro de Ipanema, a Lapa, a Floresta da Tijuca, o Corcovado, o Pão de Açúcar, a discoteca Le BOY e o Jardim Botânico.
Turismo
Cidades também podem ser Gay-Friendly. Isso dependerá da gama de atrativos turísticos e respaldos governamentais. Segundo o site de viagens Lonely Planet, o Rio de Janeiro é um dos 10 destinos mais gay-friendly, devido ao carnaval.
Investimento
Em geral, formam casais sem filhos, de alto nível de escolaridade e poder aquisitivo, e não economizam quando o assunto é qualidade.
Apesar de muitas características favoráveis, o investimento das empresas brasileiras neste mercado, chamado Pink Money, ainda é tímido.
Nos EUA, grandes empresas como Apple, American Airlines, Bank of America, Coca-Cola, IBM, Levi’s, MasterCard, entre outras, já se posicionam como Gay-Friendly. Aqui no Brasil também vemos empresas se engajando, como Caixa Econômica, Banco do Brasil (ambas do governo), CVC, Tecnisa, e outras.
A postura Gay-Friendly de uma empresa deve sair de dentro para fora. Não adianta divulgar a marca em eventos como a Parada Gay, se não tiver canais de relacionamento especializados neste público, produtos personalizados, política de inclusão, etc.
Em uma recente pesquisa realizada pela Prime Access e a PlanetOut, concluiu que 85% dos GLS dão preferência de compra para empresas que se posicionam como Gay-Friendly.
Eventos
Parada Gay
A Parada Gay tem sido um evento tão grandioso e com uma ótima organização que já vem atraindo até mesmo outros investidores além do poder público.
Muitas marcas têm procurado associar seus nomes a esta festa como forma de vender uma imagem distante de preconceitos.
Sem contar que gays é público consumidor em potencial.
Claro que ainda há empresas pouco habituadas em lidar com esse consumidor, já houve casos de empresários e comerciantes preferem, em sua maioria, dispensá-lo a procurar atendê-lo em suas necessidades específicas.
Mas, aos poucos, isto vem mudando e dando mais razões para o dia da Parada Gay ser de mais orgulho ainda.
Em São Paulo, a maior Parada gay do mundo, a economia recebeu uma injeção de 196 milhões em 2010.
Pesquisas de público
Uma pesquisa da Prime Access nos EUA, que ouviu 757 gays e lésbicas apurou as marcas mais gay-friendly. A Apple (com 39% dos votos) foi considerada a número 1 entre as marcas tech - no ranking geral, ficou atras apenas do canal Bravo.
Outras entre as bem avaliadas pelos gays estão Starbucks, Absolut, Baccardi e Levi's. A Samsung, por outro lado, ficou num dos últimos lugares do ranking, com apenas 4%.
Junto com a Tecnisa, a empresa de seguros Porto Seguro é citada na reportagem, que ainda traz números da pesquisa conduzida pelo publicitário Fábio Mariano Borges, professor de comportamento do consumidor da ESPM, em 2007 com mais de 5 mil homens homossexuais ou bissexuais, em 52 cidades de 17 estados do país. Seguem alguns números desta pesquisa:
    - 14% da população é gay ou bissexual
    - gastam 40% a mais com lazer
    - 57% compram ao menos 8 livros por ano
    - 88% lêem jornal
    - 94% lêem revistas
    - 84% tinham viajado pelo Brasil 4 vezes nos últimos 12 meses
    - 36% tinham ido ao exterior nos últimos 3 anos André Fischer, diretor do Mix Brasil, que lançou há 15 anos o pioneiro e hoje maior site voltado ao público GLBT, agora também denominado LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), conclui com a opinião de que o estilo de vida dos gays é mais hedonista, formado em sua maioria por pessoas solteiras, bem informadas, formadoras de opinião, com voracidade por lançamentos, moda e novas tecnologias.
KPedrosa
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04/07/2011
Esboço para artigo sobre mineração
Por Karine Pedrosa

Este esboço de artigo foi entregue ao professor Paul Cooney, de Economia Política, no meu segundo semestre na universidade, no curso de Ciências Sociais. Recortei as partes que julguei relevantes para publicação virtual, visto o cenário de argumentos teóricos que são aplicados para justificar as ações que interferem na vida amazônica. Contém um resumo de algumas teorias que tem tudo a ver com o que ocorre:
  1. Introdução
A tríade do capitalismo aqui analisada diz respeito 1) ao consumo, 2) a matéria a ser transformada e 3) aos valores do trabalho humano a serem comparados. Este trabalho trata da matéria a ser transformada pelos e para o consumo dos cidadãos do mundo por meio de trabalho humano com valor sem comparações às quantificações de valor atribuídas por Karl Marx no primeiro capítulo do livro “O capital”, intitulado “A mercadoria”, com um olhar para a extração mineral, não industrial, do ouro na Amazônia.
Composto por seis tópicos, sendo o segundo tópico subdividido entre definições de conceitos marxistas, filtrados por mim, do capítulo um do livro o capital e entre três teorias, abordadas de forma generalizada, que compõe o imaginário científico criado sobre a região da Amazônia. O terceiro um histórico, também geral, do extrativismo mineral na Amazônia, com ênfase para a produção exportadora, lógica em que a economia amazônica está inserida no sistema capitalista […].
Este trabalho objetiva uma reafirmação da conhecida situação de exploração humana que ocorre na Amazônia gerada pelos anseios do sistema.
2 Teorias
1 Valor de uso, valor de troca e trabalho humano abstrato em Marx
2.1.1 – Valor de Uso
O valor de uso encontra-se na abstração humana como alternativa prática de suprir suas necessidades físicas com elementos da natureza manipulados de forma racional. Onde o humano aplica trabalho é inserido o signo de valor-de-uso se aquilo for para ele consumível, ou seja, símbolo de satisfação de suas necessidades físicas e culturais. Ultrapassada a produção de valor de uso da produção de material significado o homem cria o valor de troca, garantindo, para sua produção, significado.
O homem apenas adaptou-se as intempéries da natureza em um ambiente hostil para sua condição natural por ter se apropriado e manipulado elementos da natureza, com os quais supriu suas fragilidades físicas. Para Karl Marx, o homem produz porque é necessário consumir, a ‘mercadoria’ como a conhecemos hoje, tem valor de uso, por meio dela o homem atende suas necessidades, consome e materializa o signo de um objeto no qual o trabalho humano foi aplicado. O valor de uso implica na injeção de trabalho em uma substância material que será utilizado pelo homem para sua vivência. Para que o valor de uso se realize é necessário que homem se aproprie da matéria, a transforme e tenha necessidade de consumi-la. Por exemplo: o homem pescou um peixe (tirou-o da água, o peixe foi morto, portanto, a matéria orgânica foi transformada), o homem sentiu fome (teve necessidade), o peixe guardava em si valor de uso (estava morto, estava fora da água), o significado do peixe era “comida que faz passar a fome”, em outra palavras, matéria orgânica trabalhada humanamente para satisfação de uma necessidade.
É por valores de uso que os homens produzem, por sentirem necessidade que transformam a natureza e por serem racionais que atribuem significado ao que lhes vale o uso. Seres sociais que são, dividiram-se (ao longo da história em variados sistemas, mas tomemos o surgimento do sistema capitalista como objeto de análise) para produzir, pois, dentro da lógica capitalista, um só homem não produz tudo o que necessita, assim, não satisfaz todas as suas necessidades, então produzirá em excesso para trocar, aumentando sua capacidade de consumir
2.1.2 – Valor de troca
Um homem pode produzir o que não necessita e necessitar do que não produz. No valor-de-troca a matéria trabalhada significa consumo para um, mas não significa consumo para outro, originando o processo da troca. O valor de troca é o trabalho humano que significa valor de uso para quem, usando um termo do sistema capitalista, compra e, não significa valor de uso para quem, também usando o termo em seu sentido atual no sistema capitalista, vende.
O valor de troca se materializa na sobra e na necessidade de consumir o que não produz. Para um homem, determinada matéria trabalhada não lhe significa valor de uso, mas essa mesma matéria trabalhada encontra significado de valor de uso na necessidade de outro homem, o processo de troca faz com que os valores de uso e de troca transmutem-se em matéria trabalhada enquanto circulam entre os homens.
Valor de troca apenas se manifesta em matéria que possui valor de uso, já o valor de uso existe independente do valor de troca, dependendo apenas do sujeito humano. Se determinado humano não tem necessidade de consumir determinado objeto, este objeto não tem valor de uso para este humano, mas, o fato de ter valor de uso para um outro humano fará do mesmo objeto algo com valor de troca para o o primeiro humano e com valor de uso para o segundo humano. O valor de troca iguala quantidades e qualidades de valores de uso diferentes para facilitar a troca e a circulação de produtos entre mãos.
É no valor de troca que o trabalho humano (no âmbito do capitalismo) encontra finalidade, o sentido de atender necessidades humanas de consumo cada vez mais variadas.
2.1.3 O Trabalho Humano Abstrato
Para o trabalhador trabalho não é algo abstrato, pelo contrário, faz parte da sua vida material, é onde ele interage com o mundo material e desgasta sua força física e mental. O trabalho humano torna-se abstrato no capitalismo, porque é inserido numa mercadoria em que após o dispêndio de força humana tornar-se-á o signo de valor de uso pronto a circular e ser trocado entre humanos. O trabalho humano abstrato é conteúdo do valor-de-uso.
A matéria trabalhada que entra na esfera de circulação e troca de mercadorias guarda em si, entre outras características camufladas, desgaste humano, condições de trabalho, tempo de trabalho e, qualificação do trabalho. O que determina o valor do trabalho é o tempo de trabalho socialmente aceito para a produção de um determinado valor de uso. Que Karl Marx Chamou de trabalho simples que, quando qualificado, multiplica quantidades de trabalho simples:
“Pondo-se de lado o desígnio da atividade produtiva e, em consequência, o caráter útil do trabalho, resta-lhe apenas ser dispêndio de força humana de trabalho. (...). Por mais qualificado que seja o trabalho que gera a mercadoria, seu valor a equipara ao produto do trabalho simples, e representa, por isso, uma determinada quantidade de trabalho simples.”
(Marx, Karl. Pg 64. Livro 1. Volume 1. Ed. Civilização brasileira.)
Contido na matéria utilizável e trocável o trabalho humano perde suas características de realidade social e passa a significar um valor que se reduziu a comparações de quantidade e de qualidade com outros trabalhos humanos. Por meio de trabalho o homem transforma a matéria em valor e por meio da interação social de troca cria as comparações de valores do trabalho.
    1. Teoria Desenvolvimentista na Amazônia.
Uma das ultimas florestas tropicais do planeta a Amazônia desde a chegada dos europeus é razão de cobiça por suas variedades de riquezas, tanto em relação ao solo, quanto à botânica e, menos cobiçada e cada vez mais extinta, a diversidade cultural humana.
A teoria desenvolvimentista, veio após o longo período de recessão econômica do fim do ciclo da borracha e trouxe o excedente populacional do nordeste para “a terra sem homens”. Ela está ativa ainda hoje, tendo como maiores adeptos os empresários da pecuária. Nesta prática a mata é substituída por patas de boi e a pecuária é um dos grandes negócios realizados no estado do Pará, parte da Amazônia de que falaremos neste artigo.
    1. Teoria do Santuário
Na teoria do santuário a Amazônia é patrimônio da Humanidade é deve ser preservada para o benefício de todos. Essa teoria acredita que o Brasil não é capaz de preservar a floresta e sua biodiversidade, por aplicações de políticas desenvolvimentistas, esta prática também é ativa nos dias de hoje e seus principais representantes são as ONGs estrangeiras que atuam de diversas formas no território amazônico.
    1. Teoria do Desenvolvimento Sustentável
Muito atual é a teoria do desenvolvimento sustentável, que considera o desenvolvimento necessário levando encontra a preservação da floresta, na prática ela disfarça os interesses de desenvolvimentistas e santuaristas.
Não há política de grande porte na Amazônia que faça provável um desenvolvimento sustentável pois as práticas seguem considerando a Amazônia um almoxarifado do Brasil e do mundo. Como defendido pelo ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, no Fórum Paraense de Desenvolvimento, 50 anos da mineração paraense:
“A Amazônia se insere (na nova divisão do trabalho) obedecendo a lógica de inserção do Brasil, na economia mundial. Um país que se insere de forma dependente e que aprofunda a dependência econômica, política, cultural, científica e tecnológica num processo gradativo e cada vez mais intenso. A Amazônia, como parte desse país, ganha relevo estratégico, mas se inclui como região dependente dentro de país dependente.”
  1. Mineração
Marx sabia que seu cálculo para teoria do valor de troca, baseado em trabalho humano abstrato quantificado em trabalho social médio e contado em horas e dias não se aplicaria corretamente para mercadorias como o ouro brasileiro:
“Diamantes dificilmente se acham a flor do solo e encontrá-los custa, em média, muito tempo de trabalho. Em consequência, materializam-se em volume diminuto, muito trabalho. William Jacob duvida que o ouro tenha, em algum tempo, pago seu valor por inteiro (grifo meu).”
Marx, Karl. O capital pg. 47. Ed. XX
Sendo o ouro lastro de medida universal de valores sua materialização representa, para o sistema capitalista, matéria-prima de características ainda mais complexas. O ouro ainda hoje é entesourado e seu valor cresce com a vulnerabilidade das moedas de emissão especulativas. O ouro, que para o sistema capitalista funciona como base de medida de de valor para onde se retorna sempre que suas moedas dominantes sofrerem crises, para os países de terceiro mundo produtores deste metal representa trabalho humano exaustivamente explorado para geração de um valor que não se paga, a riqueza mineral brasileira é geradora de enclaves econômicos e ciclos de desenvolvimento que agridem o meio ambiente, impedem o desenvolvimento de economia própria e independente e aumenta o número de importações de produtos industrializados em outros países, fazendo-os países progressivamente dependentes.
No cenário econômico atual, onde atuam multinacionais a possibilidade de desenvolvimento de regiões onde é explorado o minério é ainda mais reduzida. Uma serie de imposições e estratégias são utilizadas por essa empresas para permanecerem pagando somente o básico em impostos para exploração dos recursos. As visões desenvolvimentistas e de santuário fazem a Amazônia cada vez impor menos barreiras ao capital estrangeiro.

Referências:
Almeida, Rogério. Mineração na Amazônia e os eixos de integração do continente.
Rueda, Rafael Pizón. Evolução histórica do extravismo. HTTP://www.ibama.gov/resex/historia.htm
Schneeberger, Carlos Alberto. As visões básicas da Amazônia. 1ª edição da Revista Expediente. Eco21.
Marx, Karl. O capital.
Mathis, Armin. Brito, Daniel Chaves de. Bruseke, Franz Josef. Riqueza volátil, A Mineração de ouro na Amazônia. Editora CEJUP.
50 Anos da Mineração Paraense, Fórum Paraense de Desenvolvimento. Editora Cejup.
KPedrosa
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11/06/2011
Quem sabe os clássicos da política têm resposta
Por Karine Pedrosa:

Problema
A apresentação de uma lei para a sociedade civil difere em significado de sua representação para o poder político, desde o iluminismo a ideia de igualdade se coloca para a sociedade  abrangendo a totalidade de seres humanos e nos  últimos anos o Brasil está em fase de promoção de leis que se propõem  ao resgate de dívidas históricas com determinados grupos sociais, como é o caso, da criminalização da homofobia.
Conforme essas leis são aprovadas inicia-se um processo de formação de consciência coletiva que, mais do que informar aos integrantes da democracia as causas e consequências das revisões de constituição legislativa, adequa a opinião pública às formas sistêmicas de produção econômica global.
Justificativa
Compreender os poderes que moldam as ações de um governo misto por meio de ideologias distribuídas em veículos de comunicação de massa, sob a  égide do poder executivo estadual, permitirá fundamentar a uma consciência política  da ciência política praticada no Estado do Pará em um ponto da realidade que, condizente com o período da alta tecnologia e de globalização da economia, tem representação diferente no que diz respeito ao direito das gentes e o direito político, usando um termo de Montesquieu.
Montesquieu considera que “A lei, em geral, é a razão humana, na medida em que governa todos os povos da terra, e as leis políticas e civis de cada nação devem ser apenas os casos particulares em que se aplica essa razão humana” (1748), sendo diferente o cenário político que pode ser constatado no Estado do Pará na atualidade, perceber seus vícios remonta a crítica feita por Aristóteles ao listar os vícios da Constituição da Lacedemônia:
Enfim, nada há de mais mal arrumado do que as finanças: não tem tesouro público, nem dinheiro disponível para as guerras que são forçados a sustentar. Os impostos são muito mal pagos; os contribuintes, possuindo maior território, só impõem ou exigem subsídios comedidamente uns com os outros.
Portanto, o legislador permaneceu longe do alvo que se propunha; fez apenas um Estado pobre e particulares avarentos.”
O que se percebe com o olhar mais direcionado para as questões entre poderes do governo misto do Estado do Pará é o desequilíbrio entre os poderes da República Federativa do Brasil, tendo no Judiciário Nacional um poder vinculado ao Tribunal Internacional de Haia - a Suprema Corte das Nações Unidas, na aplicação de uma legislação vertical, que segue o sentido sistêmico da esfera de poder internacional para aplicá-las de forma local onde as leis, longe de representarem o momento específico da maioria da população do Pará, exigem um trabalho do governo misto do Estado para introduzir a consciência coletiva necessária para a aplicação da lei. O Poder Legislativo da República Federativa do Brasil não legisla em razão das necessidades do povo brasileiro, provavelmente por essa razão tem, depois de instituí-las, que criar a consciência coletiva necessária para a execução destas. No caso da lei de criminalização da homofobia, antes de representar a necessidade social de igualdade, prevista pela constituição e de aplicação, sem dúvida, necessária, representa o interesse uma classe com crescente poder aquisitivo no sistema capitalista global em que o Estado do Pará se insere no modelo de desenvolvimento nacional mantenedor da característica de estado exportador de recursos naturais em que o governo atende as inversões econômicas que beneficiam o capital estrangeiro e sub-beneficiam as oligarquias locais.

Karine Pedrosa
Estudante de Ciências Sociais
Produtora Cultural
Atriz e filhinha de mamãe nas horas vagas.

agosto 17, 2011

Texto de Tatiana Ribeiro



Em todos os domingos de todas as semanas, de todos os meses e de todos os anos, a Praça da República sempre está repleta de gente feliz, o movimento é intenso; vendedores ambulantes, barraquinhas de comidas típicas, artefatos marajoara, peças feitas pelo carinho e dedicação das mãos de paraenses cheios de esperanças bonitas de se sonhar, lindas de se escrever, boas de realizar… pintores de quadros paisagísticos e caricaturas de todas as espécies de nobres personagens.
Amigos teatralizando emoções com o foco do sol entre as brechas do céu meio-nublado, meio-aberto na confusão de clima, tempo e temperatura que só Belém tem ao mês de janeiro até as águas de março fecharem o verão. Na verdade no decorrer do ano todo. A chuvinha é mesmo uma das características mais marcantes por aqui. Quando as pessoas marcam seus encontros na parte da tarde, logo indagam se antes ou depois da famosa chuva. Que seja! O clima estava e continua muito bom: solzão, sorrisões e até pessoas com roupas engraçadas e pintura no rosto segurando cartazes com os dizeres “Abraço grátis!”, o que me fez abrir os braços e cair num deles.

Foi o que bastou pra eu ganhar mais 100% de vitalidade pro meu dia, vim com o sorrisão todo escancarado caminhando da praça na Avenida Presidente Vargas até a Avenida Bráz de Aguiar para mais um dia de trabalho. E embora não pudesse desacelerar meus passos, continuava vendo todas as pessoas em câmera lenta. Meu andar estava quase como uma dança, desviando para não esbarrar em ninguém. Bem, Belém tem um pouco disso, pela experiência vasta em procissões, as pessoas sabem a hora de encolher o braço para dar passagem, um sinal verde a quem está com pressa.

Palavras não matam
Fome tem muito a ver com tudo isso, pode ser fome de ver uma multidão, fome de ouvir uma canção, fome de sentir um carinho…posso trocar a palavra ‘fome’ pela palavra ‘vontade’… fome nada mais é do que vontade de comer! Comer nada mais é do alimentar… alimentar-se é satisfazer a necessidade de sobrevivência seja ela física, emocional, amorosa, afetiva e muito mais. O ser humano em si é faminto, já nasce faminto e às vezes até morre de fome. Está com fome? Coma! Está com vontade? Faça! Estás vivo(a)! É impossível fazer qualquer coisa com fome. A dor da fome é um rombo no estômago, ou na mente, nos pensamentos e até as vontades ficam confusas quando a vontade de comer ou de satisfazer algo ainda não foi suprida.

TATIANA DE LIMA RIBEIRO - 26 anos – Paraense
Jornalista, Locutora/Apresentadora, Escritora, Marketeira e Mestre de Cerimônia.

ver também: