setembro 19, 2011

Novo romance de Carlos Correia é um dos vencedores do Prêmio IAP 2011




Dicas de Eduardo Rocha, jornalista

Livro é narrado por personagem que costura histórias familiares do autor a fatos históricos do nordeste e da Amazônia

O livro “Senhora de Todos os Passos”, do escritor Carlos Correia Santos foi um dos vencedores do Prêmio IAP de Edições Literárias 2011, na categoria romance (Prêmio Haroldo Maranhão). A obra será editada e lançada pelo próprio Instituto de Artes do Pará. Esta é a terceira vez que o autor ganha o Prêmio IAP. Em 2003, ele venceu a categoria dramaturgia com o texto da peça “Nu Nery”. Em 2008, outra peça sua foi laureada: o texto “Batista”. “Senhora de Todos os Passos” é o segundo romance escrito por Correia. O primeiro, “Velas na Tapera”, venceu o Prêmio Dalcídio Jurandir, promovido pela Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, em 2008, e foi lançado em Lisboa, em junho deste ano.

Este ano, o edital do IAP contemplou duas obras em cada categoria. O outro vencedor do segmento romance foi João Bosco Maia, com o livro “666 – O Tragicômico Percurso”. Na categoria poesia (Prêmio Max Martins), venceram Harley Dolzane (“I-Nome-Nada”) e Elaine Machado (“Crisálida”). Em conto (Prêmio Maria Lúcia Medeiros), foram premiados Daniel da Rocha Leite (“Ave Eva”) e João Pereira Loureiro (“A Festa dos Mortos”). Na categoria ensaio (Prêmio Vicente Salles), os vencedores foram Aldrin Moura de Figueiredo (“Os Vândalos do Apocalipse”) e “Relivaldo Pinho de Oliveira” (“Amazônia, Cidade e Cinema em Um Dia Qualquer e Ver-o-Peso”).

ENREDO

O romance “Senhora de Todos os Passos” conta a saga da ousada e espirituosa Maria Xavier, personagem inspirada na avó de Carlos Correia Santos, uma nordestina que, segundo o escritor, fez o anti-êxodo. “Numa época em que a maioria do povo do Nordeste partia rumo ao sudeste, ele veio para o Norte. Foi uma mulher fantástica, que teve uma vida cheia de lances espetaculares. Testemunhou o voo do Zepelim, viveu a comoção do assassinato de João Pessoa, esteve perto do universo do cangaço. Foi muito rica e extremamente pobre. Cresci ouvindo as narrativas fabulosas que ela contava. E, justamente por isso, tornei-me escritor. Prometi que, um dia, transformaria os incríveis passos dela em um romance e, para minha grande honra, agora cumpro a promessa”, afirma o autor, emocionado.

A narrativa faz um imenso passeio por episódios importantes da História nordestina e nortista. Das ladeiras de Olinda ao barro da Transamazônica, seres fictícios e várias personalidades reais cruzam o infindável caminho de Maria Xavier. Correia transforma em personagens do livro figuras como Catulo da Paixão Cearense, Irmã Dulce, Corisco, Dadá, Dulcina de Moraes e até Dorothy Stang. “O enredo vai misturando realidade e fantasia. Exatamente como fazia minha avó. É bem aquilo de contar um conto aumentando os pontos”, diverte-se Carlos. Mas ele completa: “Há, porém, muitas vivências de fato experimentadas por minha família. Uma família de negros que tiveram que lutar muito e muito para que a sorte se transformasse e as coisas pudessem melhorar. É uma obra que respira e transpira muitas dores e alegrias reais”.

ANO BOM

O ano de 2011 tem sido produtivo para Correia. Além do recente prêmio do IAP, de ter lançado “Velas na Tapera” em Lisboa, na FNAC Chiado (o escritor é representado na Europa pelos produtores Fercy Nery e Rita Pestana) e de ter duas peças suas apresentadas com bastante êxito em São Paulo (“Perfídia Quase Perfeita” e “A Fábulas das Águas”, montadas pela Cia. Fé Cênica), Correia conquistou o segundo lugar geral da quarta edição do concorrido Seleção Brasil em Cena, edital de fomento à nova dramaturgia brasileira, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro (CCBB). Carlos foi o único autor da região Norte escolhido para o projeto. O certame selecionou também um escritor do Nordeste. Os demais foram das regiões sul e sudeste. A obra com que Carlos Correia foi destacado é o monólogo “Um é Multidão”. Essa foi a segunda vez que o paraense participou da iniciativa. Em 2007, o escritor também foi selecionado para o concurso justamente com sua comédia “Perfídia Quase Perfeita”.

Criado para propiciar o contato do público com novas dramaturgias e estimular o intercâmbio entre autores, atores e diretores contemporâneos, o Seleção Brasil em Cena permite com que os 12 textos selecionados em cada edição ganhem leituras dramáticas dirigidas por grandes nomes da atual cena teatral brasileira. O texto de Correia foi dirigido por Gilberto Gawronski, ator e diretor vencedor de importantes prêmios, como o Mambembe e o Sharp. Em 2007, a obra do nortista foi dirigida por Stella Miranda, que viveu a síndica do humorístico Toma Lá Dá Cá, exibido na Rede Globo.

Apresentadas no próprio CCBB Rio, as leituras dramáticas foram realizadas por alunos formandos em escolas de teatro da capital carioca. Ao final de cada leitura, o público atribuiu notas. Os espectadores deram a Correia o segundo lugar geral na competição.

TRECHO DA OBRA

A PRIMEIRA PARTE DESSES IDOS

Ainda no Nordeste...

Quando era por volta de 1920...

Como nasci? Da poeira. Costumo repetir e repetir: nasci da poeira. Sim, houve o parto. Houve o vir do ventre. Mas para a vida inteira que me gestou, nasci da poeira. Guardo como certidão de tal fato o dizer daquele que me criou e me fez pronunciar a palavra pai. João Xavier. Era ele quem contava. Foi quando baixou o poeiral seco sem fim, ocre-carmim... Foi quando baixou aquele pó do sem tempo que ele viu vindo pela estrada a velha negra, cabelos nuvados de tão brancos. A velha com a criança no colo. Menina bronze nua. Uma estrada qualquer no entorno perdido entre a pernambucana cidade de Garanhuns e o desconhecido... Contava ele: o carro que dirigia – o Ford de Bigode – pareceu ficar mais lento sem desaceleração qualquer. Ele grudado ao volante. Alma grudada num inexplicável nó na garganta. E, por entre a poeira, aquela imagem, a imagem daquelas duas tão cheias de nada. A velha e uma menina no colo. Feito fosse uma dessas estátuas de procissão. A menina? A menina era eu. A velha? Minha avó. É só o que sei. Não foi o carro que se aproximou daquelas duas lassidões. Foi o destino que estreitou o afastamento. Estreitou, estreitou. Até que o automóvel lento freasse. Lento parasse rente à velha com a menina no colo.

- Está indo para onde, minha tia? – Foi a pergunta do motorista que mais tarde muito de minha vida dirigiria.

O que sei é que a resposta da mãe de minha mãe se fez seca:

- Oxi... – Penso que o enxergar preso na inexatidão – Tô pra num sabê dadonde vim, moço... O que dirá pra donde vô...

- E o que foi que houve, senhora?...

- Minha fia... – Suponho... Apenas suponho que o sol infindo tenha feito cintilar o resto de choro que havia nos olhos da negra anciã – Minha fia, mãe dessa menina... A bichinha morreu parindo, moço... Eu tô que num sei de mais nada... Num sei que caminho tinha atrás de mim... Num sei pra donde leva o caminho que vai pra acolá...

Sei também que ali, dentro do carro, João Xavier sentiu – de algum modo sentiu – que a vida lhe estava abrindo as pernas e dando à luz algum novo.

- Quer alguma ajuda, minha tia?

Suponho... Apenas suponho: houve a poeira do infinito no olhar que a velha deu para o motorista...

E, num ato mecânico, gerado talvez pela dor do oco... Num ato mecânico, ela estendeu os braços e ofereceu a menina para o homem. Eu... para aquele que me fez pronunciar a palavra pai... Dando olhar de infinito para o estranho, minha avó me deu.

Tudo isso assim conto porque suponho...

Imagino que João me recebeu em seus braços muito mais por desentendimento que por querer intentado. Ele em seu colo me recebeu. Diria mais tarde que me amou como filha naquele instante exato. Naquele instante exato...

Nada disseram. A velha e o motorista. Nada. Fitaram-se um pouco mais e o resto veio. Minha avó foi. João Xavier ficou. A poeira a subir e a velha de brancos cabelos – nuvados – a ir. A partir. Engolida pelo coisa alguma. Devorada pelo ocre-carmim. Foi-se ela. Foi-se. Sumiu.

E aquele que, a partir dali teria que ser meu pai, tomado pelo não se entender. Ele não entendia a si mesmo. Por que aceitara receber aquela criança? Por quê?

Foi-se minha avó. Para nunca, nunca mais.

E para a casa de João Xavier eu fui.

Eu?

Esse eu quem sou?

Sacudo-me a rir...

Estou com a cabeça apoiada no colo de minha filha, as costas esparramadas no chão frio... Ao meu redor, uma procissão. Um Círio a esperar que eu lembre... De tudo...

Então, explico. Essa quem sou?...

Maria. O nome que receberia de João. Maria. A do rumo dessa história que já iniciei a lhes conceder...

Maria.

Dos mil caminhos... Senhora de todos os passos...

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Projeto Atrito: arte rito grito

"Um espaço de inter-relações, onde a criação, como base do fenômeno artístico, é colocada em foco, tendo como premissas a espontaneidade do ato criador, e o improviso – trampolim estético e impulso comunicativo. Uma experiência regida por sensações sinestésicas, pelos transportes possíveis à justaposição de manifestações artísticas diversas, em busca de uma resultante que revele suas mútuas provocações. Um choque entre linguagens artísticas, um atrito que produza a fagulha luminosa de um objeto estético."
 
O projeto Atrito: arte rito grito, que se notabilizou como um espaço único de experimentação artística em nossa cidade, está de volta na Galeria Theodoro Braga. Após um recesso de dois anos, o projeto, que consiste na reunião de artistas das mais diversas linguagens no espaço expositivo da Galeria para um confrontamento de proposições estéticas, retorna com força total, em novo horário, dentro da programação de encerramento da exposição Ciclos, do artista visual Diogo Vianna.

A sétima edição do projeto contará com a participação dos artistas Léo Chermont (música), Pedro Vianna (literatura, música), Ulisses Parente (vídeo, fotografia) e Netto Dugon (teatro, peformance). A ideia básica é levar os artistas a uma interação, a uma interferência mútua entre suas linguagens, sem temas amarrados, e sem regras rígidas. A única regra é estar. A partir disso, tudo (e nada) pode acontecer. O evento conta também, em sua estrutura, com a presença de dois debatedores convidados, o artista visual, professor e Ms. Alexandre Sequeira, e a artista visual Daniely Meireles, que assistirão, junto ao público presente, a toda a performance dos artistas, e se incumbirão de, ao fim da primeira parte do projeto, provocar um debate sobre questões como o ato criador, arte contemporânea, inter-relação de linguagens, e o que mais ocorrer. Haverá ainda, ao longo do evento, a intervenção-passagem do grupo de passeio ciclístico Eart.

Atrito: arte rito grito - Sétima Edição
Com Léo Chermont, Ulisses Parente, Netto Dugon e Pedro Vianna
Dia 21 de setembro de 2011 – 19h
Galeria Theodoro Braga – Centur
Entrada Franca

Kirche leva títulos do Belém Tênis Future





Imagens de Renato Chalu: Kirche e a dupla campeã no sábado (17), Kirche/Estevez, com o diretor do torneio, Mauro Klautau

Por Eduardo Rocha, jornalista

O paulista Leonardo Kirche, 26 anos, teve um final de semana inesquecível em Belém, ao se sagrar, no sábado (17), campeão de duplas atuando com o argentino Maximiliano Estevez e, neste domingo (18), conquistar o título de campeão da categoria simples no Belém Tênis Future, evento inédito na capital paraense e o maior do Norte em 2011, ao vencer o também paulista Tiago Lopes por dois sets a um (1-6, 6-2 e 6-1), na quadra principal do Grêmio Literário e Recreativo Português. "Foi a minha melhor semana este ano", afirmou o tenista, que se superou em quadra e soube conquistar a plateia na arquibancada para virar o jogo. Ao contrário de Tiago Lopes, Leonardo Kirche, que somou 35 pontos no ranking, e o treinador dele Andre Podalka não seguem para Recife (PE), para disputar o Future da capital pernambucana. 
"Eu vou para casa em São Paulo", destacou o atleta, que este ano passou cinco meses disputando competições Challenger (nível acima do Future) na Europa, e há cerca de duas semanas retornou ao Brasil. O campeão e vice-campeão do Belém Tênis Future receberam o Troféu José Vieira, entregue pelo próprio José Vieira, o "Ceará", tenista-referência no Norte e Nordeste do Brasil, por ter sido 20 vezes campeão paraense e duas vezes campeão cearense, e ter jogado na Itália e atuado contra Maria Esther Bueno. O vice-presidente do Grêmio Português, Oscar Rosas, e o diretor de Esportes, Itamar Vieira Amaro, participaram da premiação dos atletas, e anunciaram que o clube está à disposição para a realização de um novo torneio Future em Belém no ano de 2012. A cerimônia de premiação contou com a presença de Renato Chalu Pacheco, fundador do Tênis Club do Pará, patrocinadores do torneio e do diretor do evento, o tenista Mauro Klautau. 

O Belém Tênis Future é uma promoção do tenista Mauro Klautau, da Door Comunicação e do Grêmio Literário e Recreativo Português, com patrocínio do Governo do Estado/Seel, Organizações Romulo Maiorana, Hotel Soft Inn, Unimed Belém, Grupo MB Capital,  Viação Forte, com apoio da Coca-Cola, Heineken, BMW Raviera Motors, Big Ben, Academia Pelé Club, Head, Correios, ITF Pro Circuit, Ebbel, Desportiva,  Ladstar Solução em Logística, Aço Belém, Oncocentro, Perfini, EMA Paineis Eletrônicos e Guria Tecidos.

setembro 05, 2011

A Lei do karma

 
Por Augusto Toshiro Kasahara Omi

Há o mundo material e o espiritual, com suas respectivas leis. Se o homem, ignorante por natureza, cresse que existem leis espirituais trataria de observá-las. Ninguém é louco de se jogar do alto de um edifício: a lei material da gravidade funciona 24 horas por dia. As leis espirituais, no entanto, são ignoradas.

Dentre as leis espirituais, merece destaque a lei do Karma. Karma é uma palavra de origem sânscrita que significa ação, indicando assim que toda ação ou acontecimento é o efeito de uma causa.

Toda ação produz um efeito. Se você criticar, será criticado; se ajudar será ajudado; se sorrir, receberá sorrisos; se procura explorar seus semelhantes, a Lei Divina dará o devido castigo nesta ou noutra vida.

O karma foi ensinado também aos cristãos pelo apóstolo Paulo: “O que o homem semear, isso mesmo colherá. Porque aquele que semeia visando a sua carne, ceifará da carne a corrupção, mas aquele que semeia visando o espírito, ceifará do espírito a vida eterna. Assim, não desistamos de fazer o bem, pois colheremos na época devida, se não desfalecermos”.

Se o homem tivesse consciência dessa lei, não prejudicaria, não faria o mal. O livro Dhammapada pode ser considerado um testamento espiritual do Buda, contém um estrato da ética budista e, por esta razão, é frequentemente recomendado como um ponto inicial aos que desejam obter algum conhecimento sobre os ensinamentos budistas. Se um livro pode ser considerado um amigo, um guia filosófico, este livro é o Dhammapada; não é sofisticado, é simples, é um simpático conselheiro e, para aqueles que procuram a Verdade, é um guia, por excelência. Ele pode ser baixado no site http://www.caminhodoceu.com. Transcrevo o capítulo IX do livro, que trata do mal:

O MAL – PÂPAVAGGA

116. Apressa-te para o bem, deixa para trás os maus pensamentos. Fazer o bem com lerdeza é comprazer-se com o mal.

117. Se alguém cometer algum mal, que não reincida, nem se rejubile: de más consequências é acumular o mal.

118. Se alguém praticar algum bem, que continue a fazê-lo e nele se rejubile; pois acumular o bem resulta em grande bênção.

119. Enquanto a má ação está verde, o perverso nela se satisfaz; mas, uma vez amadurecida, ela lhe traz frutos amargos.


120. O homem pode passar por sofrimentos enquanto suas boas ações não amadurecerem. Mas, uma vez amadurecidas, seus frutos trazem felicidade.

121. Não menosprezes o mal, pensando: “Ele não recairá sobre mim”. Assim como a água gota a gota enche o pote, assim o néscio pouco a pouco se deixa invadir pelo mal.

122. Não supervalorizes o bem, pensando: “Nunca o atingirei”. Assim como a água gota a gota enche o pote, assim o sábio pouco a pouco torna-se uma fonte de bondade.

123. Assim como o prudente viajante que leva riquezas e pouca escolta evita caminhos perigosos, ou como o homem que deseja viver evita beber veneno, assim procedas evitando o mal.

124. O veneno não penetra na mão onde não há ferida, nem o mal atinge aquele que não o pratica.

125. Quem ofende ou prejudica pessoa pura, inocente e indefesa verá esse mal recair sobre si, como quem arremessa poeira contra o vento.

126. Alguns nascem nesta terra; os que praticam o mal renascem nas esferas do Niraya (inferno): os justos sobem para as esferas superiores: os que são puros alcançam o Nirvana.


imagens google e minha(omi), via celular

 Cris Moreno