I
- Moço, me dá umas moedas?
Fábio fingiu não ouvir. Mão no volante, disse qualquer coisa para o colega do escritório sentado no banco ao lado, igualmente surdo. Azar do menino: se o carona fosse uma colega, Fábio seria mais generoso. Como não precisava impressionar o marmanjo, ignorou o pedinte e engatou a ré para deixar o barzinho. Quase oito da noite no Rolex, expediente amanhã cedo: era preciso ir embora. Já beberam, urinaram, piscaram para as gatas da mesa ao lado, “cantaram” a garçonete e até anotaram o telefone da gostosa que “deu mole”. Missão cumprida; era hora de voltar para as famílias e filhos. O carro iniciava o movimento e o menino acompanhava:
- Me dá umas moedas? Eu tô com fome...





