dezembro 31, 2011

'a língua é um fato político, como qualquer outro': filóloga telma lobo


hoje, primeiro de janeiro de 2012, a reforma ortográfica entra oficialmente no calendário. espaço para a história de vida de uma filóloga. que do lobo, tem tudo.
imagem: cris moreno
telma de carvalho lobo, 66, licenciatura em letras, doutora em linguística e filologia, centrada em filologia portuguesa, pela universidade federal do rio de janeiro. 'concluí o curso de letras em 1967. em 68, estava lecionando na federal, contrato fechado em primeiro de janeiro desse mesmo ano. fiz toda uma carreira acadêmica dentro da área de letras. em abril de 2002 me aposentei, pela universidade federal do pará, onde exerci funções administrativas que deram maior projeção e conhecimento. fui assessora do então pró-reitor de extensão, alex fiuza de melo, depois, diretora de centro(1993-97), logo em seguida, vice-reitoria(1997-01). fiquei dois anos, já aposentada, como assessora, nessa altura, do reitor alex fiuza de melo'.

telma mora numa casa da cidade velha, bairro onde nasceu, atrás da igrejinha de são joão. uma casa do final dos anos 40. depois de nascida(1945), quatro meses depois, vive com os avós, na casa ao lado, atualmente parte do ministério público, até nove anos de idade. era o xodó dos avós. 'mas as lembranças de minha infância estão aqui, nesta casa, estudando no grupo escolar rui barbosa, também ao lado. a mamãe mantinha uma escola particular, comum na época. é curioso, porque era muito barato, e devia ser tanto em conta, que todas as crianças estudavam no grupo escolar em um turno, e no outro, estudavam nessas escolinhas, com as professoras da própria escola pública. na verdade, as crianças estudavam em tempo integral'. retorna em 1999, definitivamente. faz reformas, e a transforma em um cantinho aconchegante e familiar.

a filologia vem do paraense e professor, cônego ápio campos(morre aos 84 anos, em abril do ano passado). 'quando eu fiz o curso técnico em contabilidade, na antiga escola da associação comercial do pará, simultâneo ao curso pedagógico, porque, uma tradição da família, todas nós, mulheres da minha geração, somos professoras. minha mãe obrigou as três filhas, a seguir o professorado. a sua filosofia dizia, e hoje olho para trás e digo, que visão de mundo, que ao fazer o curso pedagógico, o emprego era certo. e se o casamento não desse certo, teriam seus empregos. um homem respeitava muito mais uma mulher, se ele não lhe pagasse o prato de comida – a pior coisa, dizia mamãe, é um homem jogar na tua cara, que até o prato de comida ele te dá. e tendo seu emprego, você tem o respeito dele. mas eu não queria me submeter ao desejo dela, de minha mãe. desde pequena, nunca aceitei imposição. aí fiz o técnico em contabilidade. os dois. o que ela queria, e a minha escolha. quando estava no último ano do pedagógico, fiz o teste vocacional. a professora de psicologia o aplicou. deu como primeira opção, economia. das matérias pedagógicas, eu não suportava a língua portuguesa, mas adorava literatura. o meu professor era o francisco paulo mendes, que me incentivou a fazer teatro. mas, na segunda opção do teste vocacional estava letras, desde que não fosse ser professora. era muito tímida, introvertida, e naquela altura, a psicóloga me disse que teria muita dificuldade na docência, por causa do contato com o público. o meu caminho foi o de letras, apesar da economia que estava se tornando a grande profissão. isso era 1963, a ditadura em 1964, o auge dos economistas. eu fui fazer letras, mas apaixonada por literatura. já na universidade, reencontro o meu professor de literatura portuguesa, o paulo mendes. fico encantada com literatura, e se fosse lecionar, seria literatura. mas, no terceiro ano da faculdade, o ápio campos era o diretor do núcleo de letras e era o nosso professor de filologia. o cônego ápio quando ia dar aula, eu entrava no mundo da filologia, de roma, da idade média(aguçada pelo paulo mendes). eu era apaixonada por esse universo medieval português. fiquei encantada pela filologia.

fui convidada na federal, em 1968, junto com o professor josé guilherme castro de oliveira, atualmente psicólogo também, fomos convidados para montar a literatura paraense, que não existia. foi um projeto daquela época do ápio campos com os seus colegas, e nós fizemos pesquisa e montamos todas as disciplinas, e fomos, pela primeira vez, lecionar na universidade, literatura paraense. eu e ele, juntos. o objetivo era muito mais amplo. era ter literatura amazônica, cultura amazônica. eles sonhavam com um curso de letras, com um perfil amazônico, das letras, amazônicas.

quando saí para fazer pós-graduação, em 1976, fui para a federal do rio de janeiro, e comecei o meu mestrado em língua portuguesa, filologia, na verdade, portuguesa, matéria língua portuguesa, e o professor celso cunha foi o meu professor em três cursos e acabou sendo o meu orientador. a minha dissertação de mestrado era edição crítica de um dos textos de gil vicente(um texto em que não apresentava edição crítica). em 1977, concursos públicos nas universidades federais e eu retorno a belém para prestar o concurso, na língua portuguesa. fui aprovada. quando volto em julho de 77, ao rio, no mês seguinte, em agosto, a coordenação da pós-graduação, me chama, e mais outros dois colegas, os aprovados em concursos, e propõe a gente a abdicar do título de mestre, para entrar direto no doutorado. escolhi filologia, entre linguística e língua portuguesa. a proposta foi o levantamento dos fatos linguísticos do português medieval, ainda usados no pará. em 1978 nasce o meu filho único, no ano seguinte retorno para a federal, para dar aula e continuo o doutorado à distância.

é quando entra a política, na minha vida. em agosto de 79, os professores estão discutindo uma associação docente, que estava acontecendo no brasil inteiro. um dos líderes, era o romero ximenes, antropólogo, e outros do partidão, do pessoal do pc do b, do mr-8, pessoal da esquerda, e que estava tudo dentro do pmdb. a grande liderança que já era de jáder barbalho. um caminho sem volta. me lembro do temor de minhas colegas. entrei na militância pelo pcb, pelo partidão, recrutada pelo jinkings. foi a minha grande escola.

a minha orientadora de doutorado foi assessora do eduardo portela. meu local de pesquisa foi santarém, município do pará. me apaixonei pela região e o trabalho se dá nas variantes da língua portuguesa, na fala do povo local. no entanto, a professora matilda morre no meio do processo e fico dois anos sem a possibilidade de escolher alguém na federal do rio de janeiro. e o único professor de filologia era o ariel castro. o opositor da minha orientadora falecida e que se tornou depois assessor do ulysses guimarães, no processo da constituinte, na formulação do texto da constituição. quando lhe apresento a minha tese, já pela metade, ele a rejeita completamente. teria que trabalhar somente em cima de texto. e o professor tinha toda a razão. volto para belém, sem saber o que fazer.

estávamos em plena campanha para os deputados da assembleia constituinte, e trabalhei na do escritor benedito monteiro. foi aí que a professora amarilis tupiassu me perguntou, por que não trabalhar o texto do bené? tudo certo, benedito monteiro me passa os manuscritos da obra aquele um, em que o personagem narra todos os seus feitos, na voz do caboclo amazônida. aproveitei uma parte da minha tese anterior, porque falava sobre o que ainda existia de português medieval, trazido para a amazônia, e fiz uma tese de doutorado tentando, pela fala do caboclo, fictício, mas ainda viável na realidade cultural e linguística do pará. montei as três raízes que formam o falar e a visão de mundo do caboclo amazônico. em dezembro de 1986 deposito a tese, e a defendo em dezembro do ano seguinte(muitas greves).

me ocorre, neste momento, uma reflexão. acho que me envolvi muito na atividade política e deixei de lado a pesquisa. nunca abri mão da docência. a minha agenda mais importante era administrativa e política. ainda tenho vários sonhos para colocar em prática, material que deixei guardado ao longo do tempo, na minha biblioteca. tenho todo um acervo lexical, das pesquisas que fiz. tenho material levantado para ver a influência da igreja católica na poesia trovadoresca, nas cantigas de amigo. outro material, para fazer o vocabulário de fatos linguísticos do pará. mas, não simplesmente com o verbete seco. muito mais um verbete filológico.

quando saí da federal em 2002, na vice-reitoria, levei um ano pensando, em que decisão tomar. eu tinha por um lado, uma história de pessoas que se aposentam e ficam tristes, deprimidas, perdem o norte, não há mais horizontes, e ainda tinha, muita vitalidade. nesse tempo, eu era uma jovem senhora cinquentona. analisei, e vi que poderia encerrar a minha história na federal. e fechei a página.

separada há bastante tempo, com filho único independente, a vida tramou e eu herdei o meu pai, hoje com 92 anos, após a morte de minha mãe, em 1992. virei a mãe dele. fiz da casa, a minha cara.

mas, estava no rio de janeiro, e recebo convite para a docência na faculdade de tecnologia da amazônia, a faz( onde nos reencontramos tempo depois, telma lobo e cristina moreno, como professoras). a partir daí, não consegui retornar para outros projetos, e segui com a docência, com a sala de aula. outra experiência boa na fibra(faculdade, belém). atualmente na fcat(faculdade, castanhal), onde estou em tempo integral, envolvida também em projetos, cada vez mais na área do direito. e dou cursos sobre a reforma ortográfica, que a partir de amanhã(01/01), será aplicada oficialmente, com cursos on line em são paulo, macapá e pará. e aí está o projeto mais urgente, no momento. vou lançar, no segundo semestre de 2012, a obra sobre a reforma ortográfica, para professores e alunos. as pessoas, de modo em geral, não conseguem perceber que a língua é um fato político, como qualquer um outro, como nós temos os padrões de vestir, de comer, de morar....

(por cá, um parêntese, divagando sobre o verbo morar) - houve uma época, em que morar bem, era morar numa casa, num casarão, como na cidade velha, que tinha o ar europeu, isso, nos anos 40. a partir dos anos 50, morar bem já passou a ser o bangalô. nos anos 70, morar bem era carregar na casa os azulejos coloridos da arte moderna. anos 80, vem o apartamento. e hoje, morar bem em belém? é o condomínio fechado, horizontal, além das torres do bairro do umarizal, perto da doca. pra mim, morar bem é voltar ao espaço de minha visão de mundo, ouvir o sino da igreja, apesar de não frequentá-la. me aventurar, andar a pé, ir à feira do ver-o-peso, e num segundo, estou no banco, no supermercado.... eu gosto do silêncio da cidade velha, à noite. não tenho a paranoia de ser assaltada. o vigilante noturno ainda é de minha época de infância, sentado na esquina'.

relembramos um tempo, em que telma lobo foi a minha primeira professora, no externato santa rita(rua alenquer), na cidade velha. eu morava na gurupá, e ela, na mesma casa, na joaquim távora. testemunhei, com esses olhos que a terra há de comer(rsrs.... olha a filologia aí), a minha professora passeando de bicicleta cor de rosa, quase todos os dias, levando ao vento, os cabelos liso e comprido, até aos quadris. era o máximo! tempos depois, tive a minha também, uma monareta, preta e branca, semelhante uma lambretinha, mais moderna, naquela época. a bicicleta de minha professora tinha o padrão feminino, com a cestinha na frente. ufa! que fechada de ano, falando com quem me ensinou a transformar murmúrios, em palavras, colocando o u na uva, o b na bola, o c na casa.... fez-me gente!

pergunto se a psicologia errou no prognóstico sobre a docência. conta-me que não. 'nessa época, era realmente muito tímida, extremamente introvertida, dificuldade no relacionamento com o público. tinha minha estratégia de me enclausurar. era excelente ouvinte. mas, ninguém sabia quem eu era. a psicóloga foi perfeita. o meu mundo era interior, do meu imaginário, da minha fantasia. e era muito difícil, o contato com o público. tive um processo de me desbloquear. era considerada telma, a feia, porque não tinha o corpo padrão da época, que era peito, bunda, quadril largo e cinturinha. era pra ter nascido nos anos 80.

o cônego ápio campos foi fundamental nesse processo. ele deslumbrou a menina tímida, mas muito forte. foi o meu mentor intelectual e espiritual. com quem eu pude chorar, falar, dizer quem eu era, foi com ele que eu pude mostrar as minhas fraquezas, sonhos, decepções. era a pessoa certa para desmontar, com a ironia, sarcasmo, humor, as minhas tragédias. em 1971, a pressão da minha rotina na federal, e dos meus bloqueios internos, me fez entrar em depressão. nos cinco meses de licença, perdi todo o meu cabelo. tive um surto. pirei. fiz tratamento psiquiátrico. tive pensamentos suicidas. estava me encaminhando para a morte. mas, o que funcionou mesmo, foi a psicanálise. superado o problema, fui para o lado extremo da vida. mudei o cabelo, coloquei lentes de contato, passei a usar calça comprida, me bronzeava nas piscinas.... virei outra telma.

e foi na sala de aula que comecei a me mostrar. inovei. dava aulas, da forma que gostaria que tivesse tido, no passado, como eu pensava que seria. entrei numa linha, mais do que levar a lição pronta, a meta seria instigar os alunos. e percebi, que esse era o caminho da docência. e depois saí para a pós-graduação, tive o meu filho, uma relação difícil com o pai dele, um português de cabo verde, com uma educação tradicional, muito macho. o casamento durou cinco anos. e aí, entra a militância política. um detalhe: era o momento de reconstrução do país, passada a ditadura militar. porém, o único episódio que tive, no começo das diretas, precisamente no dia do comício em belém, fui detida, com outros companheiros, porque estávamos com a camisa vermelha pcb, pela legalidade. até hoje me vejo. tênis branco, calça de linho branca, cabelos ondulados, camisa vermelha. alguns casos foram de violência, o que não me aconteceu, apesar da mídia nacional estampar uma imagem, que confundiram comigo, de uma professora sendo arrastada pelos policiais. e também, o meu caso virou uma lenda, distorcida, porque quando o policial me mandou tirar a camisa vermelha, não a tirei, dizendo-lhe que seria ainda detida, por atentado ao pudor, porque não tinha nada, além dela, na pele(arranjaram uma camisa usada e a troquei no banheiro). era uma tortura psicológica imensa. eles, os policiais, todos armados, faziam o corredor polonês, e nas botas, correntes acopladas na pontas, além dos cães, que queriam nos devorar, desesperadamente. veio-me à mente, a segunda guerra mundial e os campos de concentração nazista. era o paradoxo do momento, das diretas. o engraçado, é que sempre numa situação conflitante, eu fico extremamente calma. sempre. e é, dessa característica, a origem da minha ficha no dops'.

- entrevista concedida na casa de telma lobo(cidade velha), em 31/12/2011.

dezembro 30, 2011

a poesia é a decodificação do mundo: nassif ricci jordy filho

'liberdade' é uma palavra árabe: assaad zaidan, escritor



alforria(ár.al-huria); liberdade concedida aos escravos a qual veio da palavra árabe al-huria que significa liberdade (letras e histórias – mil palavras na língua portuguesa, 2ª edição, escrituras ed., edusp, 2010). 

assaad yossef zaidan nasceu em 4 de agosto de 1933, no vilarejo de rweast el balout-el maten, líbano central[filho único]. emigrou para o brasil no fim de 1952. naturalizado brasileiro, viveu em macapá, alagoas, recife, belém. 78 anos de idade, 60 anos vivendo no brasil, 48 anos no pará. quatro filhos, quatro netos, e a esposa oriunda do município de juruti. habita atualmente parte do tempo em são paulo e outra, no líbano. formação: o que a vida lhe ensinou. lançou 10 obras literárias, opinião de um imigrante(ed. safady), os sultões do século xx(ed. mitograph), dois poetas emigrados no brasil(el karawi e farhat ed dwaik), gente e história(ed dwaik), poetas árabes emigrados no brasil(líbano), poesia popular libanesa(líbano), e em outubro deste ano, o literatos e literatura dos emigrantes sirio-libaneses no brasil(líbano), todos em árabe, e em português – letras e histórias, mil palavras na língua portuguesa(projeto semear), gibran khalil gibran, filósofo dos profetas, profeta dos filósofos(ed. escrituras), e raízes libanesas no pará(projeto semear). uma delas(gibran), será traduzida para o inglês. zaidan também escreveu crônicas e reportagens para jornais do iraque. em belém(1963-1964), no jornal o dia, opinava sobre política internacional. em são paulo(1965-1969), redator-chefe do jornal notícias árabes, com circulação nacional e internacional. e durante 1998-2000, correspondente do jornal al anwar(líbano).

assaad zaidan conhece o brasil. como representante comercial viajou os quatro cantos de nosso país e pode confirmar que os emigrantes sírio-libaneses são 5% da população brasileira. em um de seus projetos está a organização de uma enciclopédia sobre a emigração. os cinco mil livros do seu acervo pessoal estão embalados em são paulo(140 caixas), para embarque para o líbano.

no seu discurso, quando do lançamento do seu mais recente livro no líbano, zaidan falou sobre a denominação utilizada para a revolução árabe de 'primavera árabe'. para ele, a palavra revolução perdeu muito de seu significado no mundo árabe porque cada um ditador dizia que fazia uma revolução, daí, praticamente foram obrigados a denominar a mudança de a primavera árabe. 'esse kadafi só falava em revolução, e nos enganou. no egito, o mesmo. na tunísia e yemen, a mesma coisa. na síria, é um bando de bandidos, o número de mortos é muito maior. hoje, começou o renascimento árabe. a liberdade é uma palavra árabe', diz.

sobre a palestina, zaidan explica que antes da história, já existia a palestina. tudo que existe sobre religião, começou na palestina. 'o mundo já passou por tantos tormentos. nós, intelectuais, somos enganados, não pela doutrina, mas esse comunismo e socialismo, vão ter que fazer uma justiça social. não vejo melhora com esse capitalismo chinês, de máfia. entre árabe e israelense, não haverá a paz. não tão cedo, e falo de século. na américa latina, os que ganham, ganham porque os antecessores foram ruins. você entende melhor 20 latinos, que um árabe. nesse, as lendas religiosas ocuparam suas cabeças....'

- entrevista concedida no apartamento de uma das filhas do escritor, em 21/12/2011.

o maestro de deus: filinésio moreira soares

Samba de 1,78 de altura: Lourdinha Bezerra



Se Bezerra da Silva foi o Embaixador do Samba, Lourdinha Bezerra é a nossa Rainha Branca do Samba. Se ele foi o Partido Alto, ela é super alta, com quase 1,80 de altura. Bezerra da Silva e Lourdinha Bezerra não são parentes, mas têm algo comum, o samba.
Falar do Clube do Samba(programa da Rádio Cultura que vai ao ar todos os sábados, de 12 às 14h) e mais adiante dos Filhos do Samba(grupo que será lançado no segundo semestre deste ano), tem tudo a ver com Lourdinha Bezerra, jornalista e especialista na área.
Paraense, de origem amazônida e francesa, Maria de Lourdes Cantanhêde Bezerra, 49, completa 50 na próxima terça-feira, dia 28 de junho, está na Rádio Cultura há 21 anos, destes, 20 vividos com o Samba. Além de programadora musical e produtora do Clube do Samba, também é co-apresentadora, juntamente com Janjão, seu par de locução. Mas a jornalista exerce ainda, há 16 anos, a função de assessora de imprensa na Federação Sesc-Senac. Os dois lados da moeda. 'Em um, trabalho a notícia, no outro, sou a notícia', diz Bezerra, já que é excelente a audiência do programa popular, e por não acreditar que não exista nada mais genuinamente brasileiro, com a cara do povo, do que o samba, a vertente musical samba, momento em que Lourdinha cita Nelson Sargento(músico), 'o samba verga, mas não quebra', os modismos vem e vão, mas o samba tá sempre lá, diz.
'Eu tenho orgulho de dizer que faço parte dessa história no estado do Pará. Ninguém deixa de falar do samba paraense sem citar o meu nome e o do Janjão. Fiquei feliz quando o Edgar Augusto me colocou o apelido de 'Rainha Branca do Samba'. Mas para chegar nesse ponto, explica a especialista, depois de formada e trabalhar em empresas aéreas, veio para a Cultura em 1990 e produziu vários programas, até cair no samba. E com ele vieram os prêmios de Patrimônio Cultural, Comenda da Câmara Municipal de Belém(2007), e o Troféu dos Bailes dos Artistas(2009), destaque da cultura no estado.
Belém é uma terra de muita magia, cheiros e ritmos, porque uma terra que tem o carimbó, o brega, e que passa por uma vertente cultural que atinge o jazz, e que pelos históricos se comprova que antes do samba 'Pelo Telefone', gravado em 1934, já existia samba produzido em Belém do Pará, contudo, sem registrado em cartório, portanto, é uma terra que dá samba também, alerta Bezerra, baseada nas pesquisas de Nazareno Silva, falecido em setembro de 2009 e que foi programador musical da Rádio Cultura e do Clube do Samba.
Lourdinha Bezerra nos conta que desde a década de 80, o Clube do Samba vem para garantir que o sambista pare de ser apenas batuqueiro. 'São músicos, profissionais que têm lugar ao sol, de janeiro a janeiro, sem se prender na época de carnaval. Existem em Belém mais de seis casas noturnas voltadas para o ritmo de samba, como a Casa de Noca, Vitrola, Mesa Redonda, várias casas que acolhem esse segmento, esse ritmo, que é o samba, e que está crescendo, se profissionalizando. Há músico que vive de samba. Atualmente não é mais visto como uma coisa marginal, porque samba era sinônimo de malandragem, de bandidagem. Hoje em dia apresenta outro leque, uma outra fachada, mas ainda assim, será perseguido pelo preconceito, apesar de tudo. Não podemos dizer que não existe mais aquele olhar de que o samba é coisa de gentalha, gente à toa. Mas estamos aí para provar que o samba é cultura. São mais de 15 intérpretes de samba em Belém e que não são ditos puxadores de escola de samba. São intérpretes da música. Com isso, o samba saiu da calçada, saiu do lado marginalizado, do boteco do pé sujo, da lama, como diziam, sai do gueto e vai ao teatro e casas noturnas, com uma roupagem nova. O paraense não adquiri o ritmo, ele nasce com o ritmo embrenhado nas veias. O povo nasce musical. Essa mistura de índio com o caboclo, os descobridores portugueses, o sangue latino, só colabora. O samba não tem cor. O que existe são mentalidades, discernimentos, conhecimento, declara a especialista.
Sempre gostei da boa música, revela, quando era criança e morava no Amazonas, gostava muito de ser repentista. Infelizmente minha mãe(hoje se arrepende) não entendia porque eu passava o dia inteiro rimando, e aprendi a ler com quatro anos de idade. Um dom que foi interrompido. Meu pai pagava boi para dançar em frente de casa. Digo que o samba fez o resgate, já com 30 anos de idade. 'Mas nada foi em vão. Vejo os frutos. Vamos lançar o grupo Filhos do Samba, no segundo semestre. É a nova geração de sambistas da terra. São meninos de 13 a 19 anos, que vêm dar segmento ao que a gente plantou. Nasceram e se criaram ouvindo o Clube do Samba. São filhos de músicos e do ritmo samba. São 8 músicos, dois produtores e uma assessora de imprensa. Eles mesmos vão fazer tudo. O primeiro show será em um teatro. É um presente para mim. É a renovação na cultura', finaliza o pensamento.

Link do Programa Clube do Samba – 20 anos



- entrevista concedida na Biblioteca da Cultura, em 20/06/2011.
- imagem do arquivo da Lourdinha Bezerra.

e no meio do caminho... a magia



santa sara kali, protetora dos ciganos
 
com a informação do dia de hoje, sobre o despejo de cerca de 200 moradores de comunidades ciganas da irlanda, num acampamento a 40 km de londres. 

 
a magia está na mandala, loja de suely cals, esotérica e escritora, e ainda, quem trouxe para belém a devoção por santa sara kali, padroeira dos ciganos. para cals, o que mais a entristece, é saber que a inglaterra, que é o berço de uma cultura europeia, do duendismo, seja capaz de machucar os ciganos. o factual entrou na entrevista programada para hoje, à tarde.

mas, maria suely wam-elly cals, 76, administradora de empresa, esotérica e escritora (amazônia o caminho da bruxa, luna, mandalas de poder, caldeirão da bruxa, o caldeirão da magia amazônica – lançado recentemente, e o próximo, que ainda será editado e base de pesquisa durante sete anos, o tarô em braile, para deficientes visuais, motivo de sua viagem no próximo mês para o rio de janeiro, em busca de patrocínio para a aquisição das lâminas) está no morenocris.org por conta da biblioteca de évora, um sonho alimentado há anos. 

évora surgiu de doações de amigos e serve às pessoas que não podem adquirir peças literárias, como os catadores de latinhas, por exemplo, seus principais usuários. o sistema funciona assim: você seleciona a obra, faz um cadastro e no retorno, leva mais uma obra doada. ainda são poucos livros, mas encontrei por lá umberto eco – a ilha do dia anterior, e clarissa pinkola estés(mulheres que correm com os lobos), entre outros, de peso. 

diz cals, que é só o começo para a sua biblioteca itinerante e o clube de évora. a mandala fica na galeria do posto 4, na praça amazonas, ao lado do pet shop br, onde levo meu cachorrinho para tosa e banho, quando reencontrei o novo endereço de suely cals. a biblioteca me chamou a atenção.

cals faz dois convites: o primeiro, é que no próximo dia 30 de outubro, domingo, com entrada gratuita, será realizado o ritual 'a noite das bruxas', às 20h, no memorial dos povos. mudas de girassol (planta da prosperidade) serão distribuídas aos presentes. e o segundo, para os internautas, no mês de dezembro, o site da mandala estará na internet.

revela suely cals, que todas as tardes está na mandala com o seu ofício, que é o tarô, que a magia é embutida. desde os 18 anos está nesse caminho, ou a magia está no seu, através da floresta e da tradição wicca!

- entrevista concedida na loja 'mandala', em 19/10/2011.

Quando a gente mora no outro: Roger Paes



'Sou Ator': Roger Paes. 
Muito se tem perguntado sobre o valor da Arte, ou mesmo tentado defini-la, durante nossa História. Élie Faure, em A Arte Antiga, diz que o artista, a quem os homens tudo entregam, devolve-lhes tudo o que lhes tomou. Em Arte para quê? Aracy Amaral relata as relações do artista com a sociedade, a arte pura e arte comprometida.

Umberto Eco, quando analisa suas obras, e por sua vez são analisadas pelos seus leitores, revela que não há de mais significativo do que um texto que se declara divorciado do sentido, em Os Limites da Interpretação. Dentro desses pensamentos, percorremos a semiologia no exato momento em que se questiona o teatro como comunicação. Foucault, o Michel, não o do Pêndulo, de Eco, dizia que era um diagnosticador do presente. E como tal, chegamos ao Roger da Silva Paes, 43, indagado sobre sua formação, declara em alto e bom som, eu sou ator. Atividade que exerce desde os 15 anos de idade. O teatro foi quem realmente me formou, esclarece Roger.
A Televisão veio com o Teatro, assim como o Cinema. Roger trabalha na TV Cultura há 22 anos, seja como editor, produtor e/ou diretor de programas específicos e especiais. A televisão é o seu trabalho. O Teatro foi, e continua sendo, a sua formação, de onde são extraídas as suas maiores referências, experimentos, pesquisas. Roger Paes vem de relações com atores consagrados, elenco do Verde Ver-o-Peso, como Geraldo Sales, Wlad Lima, Cláudio Barros e outros, do grupo Experiência. Época do colégio Maristas, com grande abertura para o Teatro. Depois frequenta os ensaios do grupo Cena Aberta, com Luiz Otávio Barata. A partir daí, inicia sua carreira profissional. Momento de muito envolvimento político, críticas, sexualidade. Em seguida vai para o Trompas de Falópio, até conhecer Miguel Santa Brígida, grupo que está há 20 anos na Companhia Atores Contemporâneos, projeto que pesquisa o corpo expressivo do ator, com uma linguagem própria, estética.

Na televisão, como editor, que finaliza um trabalho e que dá a ideia de todo o processo, desde a produção e reportagem, Roger absorveu a aprendizagem da construção do produto televisivo. Começou editando chamadas e promoções, programas Saúde e Cultura da Terra, vídeoclips com edição e direção na linguagem de publicidade. Vem a direção, com os programas Coluna do Pedaço, (com André Genu, Júnior Braga e Afonso Klautau, quando aprendeu e cresceu nesse meio), um momento analógico, do tipo 'a gente tem de dar um jeito', e aí entrava a criatividade do ator do Teatro, precisava construir cenários, figurinos...; e Ser Paraense, programa com sua primeira assinatura como diretor. Outra direção de Roger Paes é o selo CataLendas, da TV Cultura, criado na gestão do jornalista Nélio Palheta, trabalho desenvolvido em parceria com o grupo teatral In Bust, de bonecos. O reencontro com o Teatro, na Televisão. E ele volta, na lembrança.
Belém tem forte tradição no Teatro, e está aí o Teatro da Paz, diz, além do Teatro Waldemar Henrique, que traz na história as marretas, na luta para não permitir que fosse apenas uma agência de turismo.
'O Waldemar Henrique é um dos teatros experimentais no país, e infelizmente ainda não deram a importância que precisa ter. Os governos vêm negligenciando esse espaço, uma referência nacional, acho até mundial, um lugar de patrimônio histórico fortíssimo e que deve ser respeitado. Até hoje a gente vê que está se deteriorando e de pouco acesso. As Companhias não têm espaço. As marretas precisam voltar. No Teatro da Paz, a categoria não tem espaço. O Teatro no Pará se fortaleceu quando a Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará foi revitalizada, principalmente com o curso de graduação, professores com mestrado e doutorado, e com a valorização da escola, ocorreu um movimento de mudança. Atualmente é interessante observar os grupos, com pensadores, profissionais em todas as áreas, iluminadores, figuristas, encenadores, que estão saindo dessa escola. No paralelo, constatamos que a política pública não valoriza os teatros, os atores, os profissionais. Ela fecha os espaços para a categoria. Mantém o Teatro Waldemar Henrique desativado. Fecha as portas do Teatro da Paz. Isso é um fato. Mas ao mesmo tempo, ela cria um hábito muito interessante, também. Nós, categoria, atores de teatro, não ficamos esperando pelo Poder Público. Criamos o hábito de ocupar lugares alternativos. Uma tendência no país e no mundo. Cansamos, nós, da Companhia Atores Contemporâneos, da burocracia e da chatice que é trabalhar nos teatros de Belém. Invadimos os espaços alternativos como as salas, ruas... Mais democráticos. É incrível, porque Belém apresenta uma movimentação intensa de Teatro. A movimentação é tão forte, que não precisa do Poder Público. Contudo, merecemos respeito. Que voltem as marretas para quebrar não somente os muros, mas tabu, preconceito... A felicidade de um ator é estar sempre criando. A idade não nos tira do mercado, muito pelo contrário, mas vejo uma nova geração mantendo a cultura viva... O Teatro é a minha vida', desabafo de Roger Paes.
A Companhia Atores Contemporâneos está com novos integrantes, oriundos da Escola de Teatro, ensaiando o espetáculo 'Quando a gente mora no outro', espetáculo teatral para comemorar os 20 anos de trajetória da Companhia, programado para o mês de setembro, com dramaturgia de Miguel Santa Brígida.
Mas Roger fez películas também. Participou do longa 'Orpailleu'(Garimpeiro), do diretor francês Marc Barrat, rodado na Guiana Francesa(2008), sendo único ator brasileiro. A película já foi lançada na França e ganhou prêmio de melhor ator e esteve presente nos festivais do Amazonas e de São Paulo. Belém não a conhece. É uma superprodução. 'O cinema me alimenta muito. Já atuei em curta também. É muito diferente do Teatro. O cinema é real. O Teatro é inventado, a dimensão é maior. No cinema, a câmera vai até você, ao teu coração, na tua víscera, tua respiração. O Teatro expande, vai além da fronteira do teu corpo. O cinema vai pra dentro de ti. Gosto tanto de cinema, que um dia me vi dentro dele'.  

Click no link. O Roger está lá.   

http://www.youtube.com/watch?v=-B95zA358P8

- entrevista concedida na Biblioteca da Cultura, em 15/06/2011.

Quando a substância é o estilo: Osvaldo Bellarmino Jr.



Diz o marketing de guerrilha, que quando a própria essência de um produto ou serviço é seu estilo, então, o estilo é a substância, mas, exceções à regra, da substância acima do estilo, são poucas. O que importa é destacar a substância, mas com estilo. 

Theodore Zeldin, historiador inglês, fala em Uma história íntima da humanidade, que a vida está ficando cada vez mais parecida com uma loja, onde se entra para dar uma olhada.
A criatividade não se mensura, mas pode esclarecer um conceito. Juntando tudo, podemos definir que um psicólogo descobriu o quanto existe de qualquer coisa na comunicação. Assim é Osvaldo Bellarmino Jr., 47, um psicólogo na comunicação há 25 anos, valorizando a linguagem - o que é simples deve ser dito de forma simples, como disse Chomsky.
Nos jornais diários impressos, há o espaço do leitor, assim como há o espaço de comentários, nos espaços on line. E o Bellarmino ficou conhecido como o cidadão que opinava através dessas janelas nos nossos principais jornais diários reclamando de tudo: da falta de água, dos impostos, das ruas cheias de buracos, etc.
Da palavra para o som e a imagem, foi como o verbo comunicar. Debatedor do Sem Censura Pará, programa da TV Cultura, comentarista sobre cinema, para o Jornal da Manhã, da Rádio Cultura, programas especiais sobre Música Erudita, também na Rádio, apresentação do programa Timbres(música instrumental), pelo Rádio e TV Cultura(produtor/apresentador).
A inclinação vem da descoberta do cinema brasileiro, dos grandes clássicos, e de leitor assíduo a colaborador da coluna sobre Cinema, de Luzia Miranda Álvares, no jornal O Liberal. 



O Rádio nunca esteve tão fortalecido com as redes sociais

No programa Conexão Cultura, que vai ao ar diariamente(2ª a 6ª), de 08h00 às 11h00, pela Rádio Cultura FM(93,7), e que está em perfeita sintonia com o projeto Terruá Pará(segunda versão), da Rede Cultura de Comunicação, com apresentação em São Paulo nos próximos dias 24 e 25, o produtor é Osvaldo Bellarmino Jr. 


É o responsável pelo contato com os artistas para se apresentarem ao vivo no programa e os assuntos são diversos como cinema, teatro, dança, música, etc. 'A receptividade é excelente por parte desses profissionais que aproveitam as pautas sugeridas em conjunto entre o gerente geral da Rádio(Beto Fares), da coordenadora da Produção(Linda Ribeiro), do apresentador do programa(Artur Nogueira), e do próprio artista, além de minha participação', explica.

O programa também está no twitter(@conexãocultura), e quando se fala em redes sociais, Osvaldo cita profecias que nunca se concretizaram como o rádio vai acabar, o circo vai acabar, o teatro vai acabar, e hoje ouço o rádio de qualquer estado ou país através da internet e constato que o rádio nunca esteve tão fortalecido como está atualmente em todas as áreas e com facilidade de acesso, o que é importante.
Mas a praia de Bellarmino está nas participações externas. 'A tradição da Rede Cultura de Comunicação está nas transmissões várias, entre outras programações culturais, especialidade principalmente da Rádio que absorve um sistema complexo desde equipamentos e profissionais, e é uma marca das emissoras Cultura', ressalta Osvaldo.
Fala de um expert no assunto, afinal, esteve presente em quase todas, portanto, não se trata somente de testemunho, mas experiência profissional.
Lembranças de Walter Bandeira

Minha história com Walter Bandeira começa por volta de 1984,85... Quando ia assistir o grande mito, acompanhado pelo talentoso Grupo Gema na antiga Saudosa Maloca, na BR-316. Numa época sem shoppings centers, sem Estação das Docas , sem Ver-o-Rio.... A Saudosa bombava de quarta a sábado  e rivalizava com o Gemini Drive in a preferência dos "baladeiros" na BR. Em setembro de 1989, estava trabalhando como produtor do programa "Concertos Cultura", na Cultura FM. E quem apresentava? Ele, Walter Bandeira. Em fevereiro de 2007 fui nomeado gerente do Departamento de Produção da Rádio Cultura. Além da produção, o departamento também abrigava todos os locutores, incluindo, claro, o mito da canção, Walter Bandeira, ou seja, durante dois anos, fui chefe do artista, algo totalmente inimaginável nos anos 80, quando eu era apenas um estudante do curso de Psicologia da UFPA, e me deleitava com o Walter no palco. De fã a chefe de Walter Bandeira.

- entrevista concedida na Biblioteca da Cultura, em 06/06/2011.

Entrevista com Edson Matoso: 'O Falador'



No dia 13 de novembro, Antonio Edson da Silva Matoso fechará o ciclo dos 60 anos de idade e 41 de profissão. Edson Matoso, radialista e jornalista, era conhecido como 'Falador'. 

Vem do rádio e da TV. Sem papas na língua, do tipo sangue quente, agora encontra-se do outro lado do balcão, como diretor da Rádio Cultura.

Diz-me ele, atualmente 'diplomático'. E, diplomaticamente, deixa correr suas opiniões, de forma mais branda, sem alterar, no entanto, sua característica original. Está provocando a Academia Paraense de Rádio e nomeou uma mulher para comandar o departamento de Esporte da Rádio Cultura. E não é o fim do caminho, 'ser diretor é apenas um laboratório de vida', ressalta. Sua experiência profissional é dinâmica e marcada por quebra de paradigmas. Um homem de mudanças, sem querer ser. Cai-lhe no colo, como ocorreu com a sua especialidade final, o esporte. Comentarista do programa da Rádio 'Esporte é Cultura', de 2ª a 6ª, das 06h30 às 07h00 e apresentador do Jornal do Esporte, no SBT, durante a semana, das 11h55 às 12h30. Mas há o lado político também. Matoso foi o primeiro deputado estadual pela legenda do PSDB e há 41 anos atrás pisava num palco para participar de um concurso ao vivo pela televisão(TV Guajará, então filial da Rede Globo), para ser locutor. Venceu as três eliminatórias do único programa existente no Pará chamado 'Momento de Arte'. Inicia sua história.

De radialista a jornalista, por quê o esporte?

Não escolhi o esporte, impuseram-me. O início da minha função foi locutor comercial. Não conheço no Pará nenhum evento como o do concurso de que participei, ao vivo, para ser locutor, apresentado pelo professor Milton Assis, da Academia Alencar Terra, exibido todos os sábados, no 25º andar do edifício Manuel Pinto da Silva. Na época, desde os 16 anos, catequista, dava aula para crianças, a noite alfabetizava adultos e estudava a tarde, no colégio Augusto Meira, quando surgiu, dois anos depois, essa oportunidade, e talvez seja o último dos moycanos a participar de um evento ao vivo pela TV e de seleção, com cerca de 20 candidatos entre engenheiros, médicos, advogados, locutores. Passei nas duas primeiras eliminatórias no primeiro lugar e na última, já confiante, resolvi me apresentar com camisa gola rolê, não permitido, somente paletó e gravata. E é daí que vem a minha relação significativa com os operadores, os profissionais que ficam atrás das câmeras de TV e do Rádio. De uma hora para outra, eles conseguiram camisa, paletó e gravata. Deram um jeito, prendendo com fita adesiva os excessos e assim, me apresentei. Já vinha com dez em cada eliminatória, na última, aprovado e contratado mesmo obtendo a nota mínima, cinco. Onde travei? Na apresentação de textos em inglês e francês. Na verdade, eles queriam também um locutor de rádio, além da TV. A Rádio Guajará FM tocava muito mais música que as FM's de hoje, eram três músicas e uma propaganda. Aqui entra um momento histórico. O Brasil atravessava o momento da ditadura militar, a Jovem Guarda tinha encerrado, praticamente, um ou outro como Carlos Gonzaga, Jerry Adriani, Roni Von, Roberto Carlos que se manteve mas mudou o estilo, as feras dos festivais, Caetano, Gil, Vandré, Juca Chaves, quando alguns se exilaram, enfim, eu entrei justamente nesse momento e a maior parte das músicas era estrangeira. O mercado teve que absorver esse tipo de música.
Também descobri em mim, o potencial social, ou seja, injustiça social, quando houve uma greve da categoria e me prontifiquei, além de reconhecer que tinha chegado a minha hora de ajudar quem me ajudou. Eles me chamavam de 'falador'. Eu não tinha nem nome de guerra, como se diz, o nome profissional. Eu ainda não era o Edson Matoso, mas o Antonio Edson, mesmo porque a Guajará não trabalhava o nome do profissional. Com a greve, sou demitido, faço gravações para a 'voz de poste', como chamavam, atualmente Rádio Comunitária, e tempos depois estou na Rádio Liberal e aí nasceu o Edson Matoso. Pra você ver, quem me levou foi um operador de áudio, o Marcos Vinícius, e caí no esporte.
Nesse tempo, o que tinha de gente boa na área não era brincadeira, como o Antunes de Carvalho, por exemplo. Hoje mudou. Os empresários de comunicação querem que o locutor compre o horário. Eles não querem locutor, querem vendedor, e a qualidade do Rádio decaiu. Ninguém é contratado pela qualidade, mas pelo que pode levar de comercial. Sobre os operadores, quem se adaptou, se aperfeiçoou, está aí. Se formos analisar essa figura profissional, praticamente a função está em extinção. Foi a Rádio Rauland que introduziu a figura do operador e fez a volta do comunicador tradicional quando acoplou à sua programação, a música regional, como o brega. Hoje conhecemos o 'DJ'.

E hoje você é o Diretor da Rádio Cultura...

Eu acredito em ideias. Acredito nas ideias do Jatene(governador). Na TV Liberal quebrei paradigmas sem saber, pelo meu jeito de me comunicar, tanto que fui convidado pela Rede Globo e por questões familiares fiquei impedido. Na TV RBA, apresentei esporte às 7 horas da manhã e que diziam ser inviável, foi bem recebido pelo público, sucesso. Sempre no esporte. Antes de ir para o SBT, onde estou até hoje, trabalhei no canal fechado. As mudanças se davam pela minha intransigência. Quando entro numa empresa, tenho que entender que existe uma ordem, uma norma, e o combate deve ser a partir do diálogo. E agora, totalmente diferente, como diretor. O meu vínculo com o PSDB vem desde 1990, quando fui o primeiro deputado estadual eleito pela legenda. Fui Constituinte, com nota 10, na apresentação de propostas e debates. A gestão pública é diferente e exerço um cargo de confiança, o que não quer dizer subserviência. O esporte não é bem vindo na Funtelpa. O meu amor pelo futebol já não é como antes, eu perdi, não aguento mais tanto destrato, desrespeito, com o dinheiro do torcedor. Meu comentário no SBT é um, o meu comentário na Cultura, é outro. Contraditório? Não. Represento meus superiores hierárquicos. Esporte pra mim é fraternidade, tanto que o meu sonho, numa emissora de televisão é fazer um programa pré, não depois. Eu tenho que entender a vocação da Cultura. O futebol, na minha opinião, está no entorno, no cara que vende o churrasquinho para as pessoas de todas as classes e profissões, por exemplo, o que chamo de comunicação humanizada. Uma cadeia produtiva.

Você está provocando a Academia Paraense de Rádio...

Não digo só a APR. É fundamental a participação da Academia do conhecimento como um todo, e ela é omissa na questão do Rádio. Olha de modo geral a TV e a escrita, a fala não, e esquece que tudo de acadêmico começou com a fala, com o achismo, com o empirismo. Então pergunto: Se Rádio não valesse nada, por que político, partido político e evangélicos adoram concessões de rádio? Por que? No mínimo é pra gente pensar.

Chegou no ponto máximo, profissional?

Não é o fim. Eu quero mais. Ser diretor é apenas um laboratório.

- entrevista concedida no gabinete da Rádio Cultura, em 02/06/2011.

só ares de comunicação: agostinho e josé



agostinho soares
agostinho soares e josé soares trabalham na rede cultura de comunicação. o primeiro, há 33 anos e o segundo, há 24, redondos. ambos bolinam a arte. um com os botões de mesa de gravação, o outro, com o desenho. 

agostinho, é mais conhecido como agostinho mesmo. soares, literalmente, é o josé.


josé soares
e ainda temos a surama soares, coordenadora do esporte, mas está fora do texto, no momento. são apenas sobrenomes coincidentes, sem vínculo familiar. o elo de ligação está na arte da comunicação, com suas especificidades.

josé soares moreira, 52, exerceu duas funções, como diretor de edição de imagens e editor na televisão, antes de assumir a responsabilidade da cenografia. divide o departamento de criação com mais dois profissionais da área. tudo quanto você imaginar de cenários na cultura, saíram dos desenhos de soares. sejam nas programações externas, como nos programas da televisão. soares inicia a criação através dos desenhos, andrei miralha joga no computador e thaís tocantins cuida da decoração, mas os três dominam tudo. os programas sem censura e cultura pai d'égua, a partir de agosto, estarão com novos cenários, além de dois novos para estreia, também no próximo mês. a marcenaria própria da cultura, sob o comando de soares, faz o concreto do desenho.

soares já passou por várias emissoras locais, sempre trabalhando com o tratamento de imagens, desde a época dos filmetes, no corte seco, porém, foi na cultura e na cenografia que encontrou o seu universo, e nada fica fora do desenho. pode existir o melhor programa computacional de layout. quem manda é o lápis, diz jsoares.

já o agostinho josé pereira soares, 55, operador de áudio, além de utilizar as mãos para equilibrar o som na mesa de gravação, explora sobretudo a audição. inclusive a sala de gravação leva o seu nome, homenagem do ex-presidente da cultura, ney messias jr., atual secretário de comunicação no governo.

agostinho soares dá o trato no som. todos os programas especiais passam pelas mãos dele. primeiro, exercitava a função nos rolos e agora, no computador, recorda. 'vai chegando tecnologia nova e temos que acompanhar a mudança', declara. no estúdio agostinho soares, o maquinário é analógico. depois de gravadas as locuções dos programas, agostinho acopla as canções. mas é na gravação do apresentador que o tratamento é diferenciado, mais cuidadoso, delicado. o acabamento do som tem que ser perfeito na audição.

dos 33 anos exigindo qualidade para separar os ruídos, agostinho soares faz constantemente exames médicos auditivos e constata, nenhuma perda. ainda são ouvidos apurados e intactos. graves e agudos tinindo.
 
- entrevista com soares concedida na biblioteca da cultura, em 22/06/2011.
- entrevista com agostinho concedida no estúdio agostinho soares, em 22/06/2011.

um vício chamado jornalismo: carlos reis




imagem: cris moreno
carlos alberto dos santos reis, 49, formado em letras, além de ser jornalista e radialista, atualmente setorizado no esporte da rádio cultura, onde produz entrevistas e faz transmissões de jogos, está na área da comunicação há 18 anos e 10 de cultura. 

vem do município de altamira, transamazônica, no pará. e isso quer dizer tudo. 'meu primeiro emprego foi no jornalismo', revela carlos king, como é chamado na brincadeira, pelos amigos da redação de jornalismo da rádio.
na onda tropical rádio-jornal da transamazônica inicia, mas foi com o curso de letras que se aprimorou, quer dizer, deu ao jornalismo as palavras corretas, à prática do dia a dia. seguindo etapas, de programador, noticiarista, apresentador, produtor... no rádio, conhece o universo televisivo no sbt local, correspondente da tv liberal, filial da globo, bandeirantes e record. 'montamos a tv record em altamira', declara, citando inclusive, que o hamilton pinheiro, hoje coordenador de jornalismo da rádio cultura, era gerente de jornalismo da record belém. o mesmo que o indicou para a cultura, em maio de 2001, quando chegou a belém. a televisão entrou em sua vida por acaso e por tarefa no cargo de assessor de imprensa da prefeitura do município.
na capital, enfrentou uma vaga na área, com a cara, a coragem e a bagagem profissional de um faz tudo, porque quem trabalha no interior do estado tem que se virar para movimentar um departamento de jornalismo. o motorista é cinegrafista, um pouco repórter, já o repórter é produtor, apresentador, editor... e 'quando a gente chega num local mais desenvolvido, não sente o impacto, pelo contrário, porque é um profissional para fazer uma tarefa apenas', explica. é fácil de entendê-lo. quando passou pela gerência de jornalismo no seu local de origem, saía para a reportagem, voltava, editava imagem, editava o texto, e as vezes ainda a apresentava(matéria). o outro lado positivo de estar na capital, é conviver com profissionais que vêm da academia, com respaldo científico. 'quando estás num tipo que joga bem, no mínimo tens que ser igual a eles, para não perder a vaga no time', esclarece, utilizando a comparação com o futebol, seu trabalho atual.
reis está ainda na rádio marajoara, produzindo uma revista eletrônica. na cultura(rádio e tv), tem experiência na reportagem, produção, edição, locução, apresentação, além do esporte, nas duas.
o amor é tanto, e por gostar do que faz, que carlos reis abriu mão de um cargo no banpará, aprovado em concurso.
- entrevista concedida no depto. de jornalismo da rádio cultura, em 15/07/2011.

chocolate [singular] & licores [plural]: chocolateria


imagens: cris moreno

não seria o inverso? não. ora, tudo é feito com chocolate. o que muda, é o licor. o doce sonho de carmem meira!
descendente de portugueses e espanhóis, carmem campos marques meira, 34, paraense, administradora, sempre gostou de culinária. e desde criança se identificou na cozinha. talvez a tendência venha da avó. mas caiu nas graças dos doces, e se apaixonou pelo chocolate. fez vários cursos dentro e fora do estado, nas áreas de doceria e chocolateria. 'nunca tive coragem para abrir um negócio. mas sonhei em ter um. meu marido o realizou', conta.

às vezes, papai noel escreve certo por linhas tortas, de doce, é claro, e depois, todo marido esperto sempre compra briga com o rival.

brincadeiras à parte, a chocolateria fez um mês no último dia 19, no terceiro piso do shopping pátio belém. meira comanda uma equipe de 12 profissionais. 'está cada vez mais difícil de manter um negócio no brasil, com padrão de qualidade. são inúmeros os impostos', explica.

na chocolate & licores, as receitas francesas, portuguesas, americanas.... são adaptadas na produção da loja, que é um cantinho especial, agradável, confortável. 'o principal, além de oferecer qualidade, é receber as pessoas bem. eu visto a camisa, o uniforme', declara.
 
- entrevista concedida na chocolateria, saboreando um cappuccino diferente, feito de um sonho alheio, mas compartilhado(coisas de natal), em 22/12/2011.

entrevista: beth dopazo




uma água viva. sabes aquele bichinho que abre e fecha no fundo do mar e que vai iluminando por onde passa, feito grilo, na noite? pois então, assim é a beth dopazo. a profissional inquieta e que encontra saída para todos os problemas. além disso, está sempre de bem com a vida, companheira de trabalho amável, dedicada. uma amiga e tanto, como se diz. conheça-a melhor.

bernadete dopazo de vasconcelos, 52, mais conhecida como beth dopazo, vem da formação de filosofia, com especialização em marketing e, atualmente, ocupa o cargo de diretora de comunicação e marketing, da rede cultura de comunicação. teatro, televisão, cinema, fotografia, rádio... são áreas de experiência de dopazo.

em 1986 inicia na rádio cultura onda tropical, aprovada no teste da iara brasil, atriz e locutora. seu primeiro emprego, ao mesmo tempo em que estava em cartaz como protagonista na peça 'a mulher sem pecado', de nelson rodrigues, produção do grupo experiência. 'gosto de televisão como se fosse rádio. tem que ser espontâneo, improvisado. não gosto do jornalismo. eu gosto da produção, de trabalhar criando a cada dia, me exercitando', explica.

no cinema, grávida de mateus, foi figurante na película a floresta das esmeraldas, dividindo o espaço com a atriz paraense dira paes. na televisão, apresenta programas especiais na cultura. conheceu ainda, o funcionamento da então rádio cidade. no marketing direto, esteve representante e divulgadora da gravadora warner music e abril music. e, é daí que vem o seu grande sonho. que a música paraense seja tão competitiva em todo e qualquer lugar. 'a gente não deve pra ninguém. somos super criativos, temos várias tendências musicais e é por isso que me empenho no projeto 'terruá pará'(levar a música paraense no mundo, e esteve recentemente com apresentações de shows em são paulo, na sua segunda versão), que nossos artistas possam viver e sobreviver de música'. uma novidade, o terruá pará está sendo programado para londres, em 2012, e já há tentativas para exibições pela américa latina.

e, onde fica a filosofia? 'na alegria, em acreditar nas pessoas, querer conviver com elas sempre, pensar que a gente pode ser feliz, todos, de maneira correta, sem preconceito, com gentilezas, cordialidades, independente de partidos. a filosofia é a base de toda a minha vida. ave! benedito nunes!'

dopazo teve vários gurus, como disse, que serviram e servem como inspiração para a sua doação como pessoa humana. o professor olavo galvão, da universidade federal do pará, quando trabalhou no voluntariado do tucunduba, levando somente a coragem e vontade de mudar um ambiente carente e conseguindo alfabetizar 200 pessoas. miguel chikaoka, fotógrafo, que além de colocar a fotografia na sua vida, lhe ensinou a olhar de outra forma, o mundo. ney messias jr, atual secretário de comunicação no estado, o que lhe garante que tudo é possível fazer. além de seu marido douglas leão e seu filho mateus simões.

tirar essas informações de beth dopazo, foi uma pedreira. as inúmeras interrupções na conversa, do celular e membros da equipe que comanda, mostraram que a diretora determina funções, tarefas e decisões a todo momento. uma executiva, literalmente.

- entrevista concedida no depto. de marketing da cultura, em 20/07/2011.

entrevista: luizão costa



o organizador do prazer. bem, chamam isso de 'produtor', e quando é cultural e musical, então, o prazer é em dobro. luizão costa traz nas veias o gosto pela música instrumental, o jazz, o blues... o som puro que sai das cordas, sopro e tambores. nem que para isso, seja preciso estar na contra-regra. dom king, pra vocês. a vida musical lhe deu o prazer de estar ao seu lado, não como músico, mas no trabalho do dia a dia. a passagem pelo instrumento se deu quando jovem, na percussão. mas foi nos bastidores, arrumando a casa, o palco, o ambiente para a música e músicos, shows... que luizão se encontrou, ou melhor, foi talhado.



luiz guilherme da silva costa, 57, músico, radialista, produtor cultural. 'a música na minha vida é tudo. começou nos anos 70, logo no início, mas já vinha de uma família ligada aos ritmos diversos, principalmente o jazz. certo dia disse para minha avó, que foi quem me criou, pois minha mãe me deixou no parto, que iria trabalhar com esses cantores famosos. estávamos assistindo um programa musical na televisão, canal marajoara. tinha 13 anos. ela perguntou-me, mas como? disse-lhe, vou trabalhar com eles. e não é que fui profético? já trabalhei com nelson gonçalves, angela maria, milton nascimento, caetano veloso, gilberto gil, gal costa... a minha vida depende da música'.

antes de tocar nas igrejas da vida e junto com mini paulo, odorico e outros rapazes que hoje são profissionais famosos e que se apresentavam com a banda 'sol do meio dia', luizão já vinha do teatro, do grupo experiência. entre representar e tocar, ficou na contra-regra. os atores eram nilson chaves, fafá de belém, vital lima, geraldo sales... contudo, foi percussionista do guilherme coutinho durante longo tempo.

especializou-se em técnico de som. trabalhou no teatro da paz durante 10 anos, conheceu tudo e todos no universo musical, além de acompanhar a programação completa da série do projeto pixinguinha. na rádio cultura fm, vai de programador musical a produtor de programas especiais, como o 'bossa nova, novas bossas', 'noite de jazz' e o 'solo', o primeiro na linha instrumental tocado em uma rádio local.

dom king, como é conhecido também, dedica-se à produção cultural. e aí, entram grupos, cantores, cantoras, estrelas do cenário nacional e internacional. abraça projetos musicais do país. novos desafios. e como tal, o 'show de bolso', via sesc, faz estreia final de agosto, com danilo caymmi. agendado para outubro, exibição de tulipa ruiz, renato godá e karina buhr. ainda em parceria com o sesc, está rolando o 'choro de verão', nestas férias, em marudá.

luizão costa é pura música. possui uma biblioteca invejável sobre o assunto, e uma discoteca que dá para ocupar uma sala inteira. atualmente, só faz o que gosta.


- entrevista concedida no depto. de produção da cultura, em 20/07/2011. 
- imagens: arquivo do luizão