janeiro 31, 2012

entrevista: jacob elias serruya( cinematographer)



com formação em direção de fotografia, vídeo e cinema, jacob serruya, 48, paraense, descendência judia, apresenta trabalhos premiados na área de curtametragem como o mulheres choradeiras, parcerias com o cineasta fernando segtovich e o também cinematographer lito mendes, ainda marília, com ronaldo salame, e o primeiro doc-tv-pará, eretz amazônia(os judeus na amazônia), exibido em rede nacional. consta também, o projeto saudade sábia, produção da tv cultura do pará, em portugal.
serruya já trabalhou em 12 campanhas políticas. diria que é o seu ponto forte. não, 'é um vício, que não para', diz-me. a sua inclinação profissional está na captação da imagem em movimento, desde os 22 anos de idade, quando iniciou na antiga agência de publicidade 'd'campos', em belém. são 24 anos nesse ofício. um projeto já está engatilhado. jacob serruya é o cara que dá a plástica na imagem. a luz da luz, da imagem.
sobre o imediato nas imagens, 'é o complicado', confessa, 'virou a prostituição no mercado. qualquer um pode fazer e com isso, estamos perdendo espaço. antes, para fazer um trabalho, tinha que contratar um profissional da área, o que não acontece atualmente. isso é muito triste, e é um dos motivos que está me deixando preocupado, porque eu vivi muito de freelancer e hoje não consigo mais'.
para serruya, mahmoud ahmadinejad(irã) é um maluco e a intenção dele é atacar israel, 'mas está difícil'. provavelmente, após a copa, o nosso cinematographer partirá para israel, com a família.

- entrevista concedida na biblioteca da cultura, em 31/01/2012.
- imagem: cris moreno

entrevista: letícia telles barreto(jornalista)


com 26 anos, a sergipana está na capital há um ano e cinco meses. formada em jornalismo pela universidade federal de sergipe(2008), aprovada via concurso, para a defensoria pública da união. vem do rio de janeiro, onde fora aprovada em outro concurso, para a aeronáutica. o trabalho é o mesmo, assessoria de imprensa.
'a gente tem boa diversidade de veículos de comunicação, mas acho que está cada vez mais difícil de conseguirmos espaço para divulgar a instituição, por outro lado, a instituição que presta serviço público relevante, acaba chamando a atenção naturalmente. então avalio que a mídia seja positiva, em belém', explica.
telles já trabalhou em veículo on line, no sergipe. 'em belém, a dpu(defensoria pública da união) é uma instituição jovem que está ocupando o seu espaço, lida com um público muito específico, que são as pessoas que não têm dinheiro para pagar um advogado. ainda confundem muito a defensoria pública da união com a defensoria pública do estado. a dpu é uma instituição que ainda não tem autonomia financeira, então, enfrentamos muitos problemas. a gente depende da união e atua contra a união. são sete defensores(cíveis, previdenciários, criminal e regional único, que lida com direitos humanos) e funcionários do último concurso, com alguns cedidos de outros órgãos, além de estagiários'.
- entrevista concedida na dpu, em 27/01/2012.

janeiro 27, 2012

'terreno de marinha' já pode ser considerado política habitacional

 

na visão do programa de regularização fundiária, através do patrimônio da união. mas, para a defensoria pública da união, ele(terreno de marinha), é apenas um viés da política habitacional. independente do conflito legal, o pará está sendo demarcado, como já foram belém(homologado), salinas, marabá e santarém. estão sendo demarcadas atualmente, as áreas dos municípios de ponta de pedras, cachoeira do arari e ilha do arapari, em barcarena. a tensão está no documento final para o morador do imóvel nessas áreas – concessão de uso especial para fins de moradia e concessão de direito real de uso(pelo patrimônio da união). a defensoria pública da união pensa em um só documento: de proprietário final do imóvel, mas através da modificação do decreto constitucional, quanto aos limites.
 
Patrimônio da União
 
Patrimônio União(fotos)
o patrimônio da união conta com apenas 60 profissionais para prosseguir com o programa de regularização fundiária, uma vez que o projeto que estava em andamento na gestão passada foi interrompido com a entrada do novo governo, mas que ontem, depois da reunião com o secretário especial sidney rosa, promete avançar, explicou joão oliveira, coordenador de regularização fundiária do patrimônio da união.

segundo oliveira(29, formado em história, com especialização em análise processual e documentação), por desconhecimento da sociedade, em função do que seja 'terra de marinha', e da destinação do que ela pode ser dada, que as pessoas acabam interpretando como se fosse algo ruim, 'mas muito pelo contrário, é algo bom e positivo para a sociedade', destaca.

através da história, joão oliveira reforça a primeira demarcação, quando surgiu a ameaça de invasões, tiraram a medida de 33 metros, do tiro de um canhão, da orla para dentro do terreno. a segunda, foi a elaboração da lpm(linha do preamar médio(1831), até onde o rio entrava. com o passar dos séculos, belém passou a crescer para fora. daí vem os acrescidos de marinha, por exemplo, 100% do bairro da condor é área de marinha, que era apenas rio.

p - e o bairro da cidade velha? os documentos se apresentam como proprietário final.
r – algumas propriedades foram tituladas e legitimadas como propriedade sesmaria(favoreciam determinadas famílias). possivelmente, esses documentos são à revelia da lei estabelecida. Inclusive nós temos um problema em belém, por conta disso. a questão da dominialidade, diante dessa situação. o município de belém alega que essas áreas deveriam passar para o patrimônio do município. juridicamente, se for levada para uma instância de decisão, não teriam legitimidade. belém está dividida em duas léguas patrimoniais, são dois cartórios, o primeiro ofício e o segundo ofício. e o município atesta, juridicamente, que tem dominialidade em partes dessas duas léguas. porém, em qualquer decisão judicial, será levada em consideração essa lei, que é a lpm, de 1831, além dos amparos da lei constitucional, que estabelece o que é 'terra de marinha'. contudo, a nova visão de projeto de políticas públicas, que consiste em destinar que partes dessas terras da união, e que já estejam consolidadas as suas posses, que sejam cedidas para garantir a legitimidade que ela já possui. é apenas reconhecer. é a nova visão da superintendência do patrimônio da união.

p – se a união precisar da área do bairro da cidade velha, num caso extremo, ela pode requerer?
r – levando em consideração os interesses da união nesse sentido, ela pode.

p – o que está oferecendo a superintendência para o morador nessas áreas?
r – é o título oficial dado pelo patrimônio, onde ele concede a utilização da área, pelo morador. desde 2009 que estamos com esse projeto social. efetivamente, com a entrega de documentos, estamos na casa de 9 mil famílias. mas o plano de metas é para atingir 50 mil títulos.

p – e para os municípios?
r – nós estamos construindo um plano de ação para barcarena, onde nós herdamos da companhia de desenvolvimento de barcarena, que era um órgão que foi criado para desenvolver o polo industrial e que foi extinto, em torno de 4 mil hectares. vai ser o primeiro município, fora da capital de belém, que vamos desenvolver o projeto de regularização fundiária. nós firmamos no ano passado, com a prefeitura de belém, também, o acordo de cooperação técnica para garantir não só para os títulos que foram emitidos de forma efetiva, que possam ser ainda registrados em cartórios, ou seja, nós vamos co-validar os títulos que foram emitidos, e com isso, nós vamos acabar com o processo de impedimento do registro cartorário, no problema de dominialidade. é um processo feito em parcerias com os cartórios.

p – e a 'taxa de marinha', ainda existe quem pague?
r – existe. a gente quer abolir a 'taxa de marinha'. com o novo documento, o morador não pagará mais essa taxa.
 
Defensoria Pública da União
 
para o defensor público federal anjinaldo oliveira vieira, 40, 'terreno de marinha' não pode ser considerado como política habitacional. 'na verdade, terras de marinha se constitui em instituto jurídico, que surgiu há muito tempo atrás, em razão da necessidade de se manter sob domínio público, antes sob o domínio do império, da coroa portuguesa e depois sob a república, a propriedade das áreas próximas ao mar, de uma determinada faixa de terra, que seria necessária a defesa do território. o poder de cada país era determinado pela sua marinha. justificativa para manter no domínio público esses terrenos. ainda existe essa finalidade. a união exerce o controle e é preciso manter. o que se discute, é que se define o terreno de marinha pela linha preamar média de 1831. se não me engano, 62% da área de belém é constituída de terreno de marinha. o grande questionamento que se tem hoje, é se existe o interesse público de manter sob domínio da união, como terreno de marinha, áreas que não estão nas margens dos rios ou do mar, por exemplo, são brás é área de marinha e está a quilômetros do rio. uma parte muito grande da população foi atingida pela cobrança, e por se tratar de um imóvel de domínio da união, a pagar uma taxa de ocupação, a partir do momento em que os terrenos são demarcados. salvo em engano, em 2002, o patrimônio da união fez a demarcação aqui em belém, das áreas de terreno de marinha. e a partir do momento em que fez a demarcação, o que concluiu o procedimento administrativo, começaram a fazer cobranças. foi o que causou um certo tumulto, porque as pessoas já pagam iptu. é mais um problema jurídico de política habitacional. então, existe um viés de política pública na medida em que o governo federal, e a própria secretaria do patrimônio da união, isenta de pagamento a taxa de ocupação de terreno de marinha'.

p – a união pode requerer imóveis, em áreas de marinha, existe essa possibilidade?
r – o estado pode desapropriar as áreas. o direito de propriedade não é absoluto nessas áreas. mas o estado para fazer isso, tem que fazer diante de um procedimento legal, de uma justificativa de interesse público ou social. se em tese viesse a acontecer, na minha opinião, constituiria um flagrante abuso de direito. o que é questionável, é hoje se entender que, existe interesse para os fins a que se propõe os terrenos de marinha, que era defesa do território, de você entender que essa área a quilômetros do interior do território, seja de segurança nacional ou interesse da defesa. o que se poderia defender, perante o legislativo, não é acabar com os terrenos de marinha, mas se estender no máximo, a uma faixa correspondente que se entende de defesa nacional, de hoje, não de 1831. e aí, seriam excluídos da demarcação os bairros do jurunas, guamá....

p – há alguma proposta sobre isso?
r – eu acho que existem algumas propostas de emendas constitucionais nesse sentido. mas acredito que não exista nada que procure, ao invés de acabar com terreno de marinha, mas sim, definir as limitações. isso em tese pode ser até questionado, juridicamente, com base na constituição. você pega uma lei ordinária, modifica o decreto em que diz que é preamar de 1831.

entrevistas concedidas no patrimônio e na defensoria da união, em 27/01/2012.

janeiro 26, 2012

'quem vai levar mariazinha para passear?': do teatro, para o curta de animação

contagem regressiva para o lançamento oficial do curta de animação paraense 'quem vai levar mariazinha para passear?'. na primeira quinzena de março será encaminhado para avaliação do ministério da cultura e, em abril, provavelmente, belém poderá ter a exibição no cine olympia ou no cine libero luxardo, no centur, a animação tão esperada. lugares mimosos, como diz na entrevista andré mardock, ator e realizador de audiovisual. mas, faço uma dobradinha com andrei miralha(por cá e por cá), arquiteto, especialista em desenho. tudo a ver.

quem vai levar mariazinha para passear? é uma peça teatral, de 2007, do grupo desabusados cia, um sucesso, e que durante uma apresentação na feira do livro de 2009, despertou o interesse da galera do audiovisual. ester sá, teatróloga e co-autora da peça(divide autoria com maurício franco), produz o roteiro do futuro curta de animação, categoria de opção, dentro do edital curta criança, do minc, selecionado entre diversos concorrentes no país(2010). 'desde o ano passado que estamos produzindo o curta, e entramos na fase de fechamento da trilha sonora e de animação, os processos técnicos', revela andré mardock.

p - e o que é a peça, que será o curta?
r – o espetáculo fala da aventura de dois anjos que a princípio têm o tom infantil, mas não são crianças. esses dois anjos aproveitam o momento de soneca dos anjos adultos e fazem uma peraltice, para conhecer o mundo aqui embaixo, na terra. como eles são feitos em série, os números gigantescos de cada um termina em 001 e 002. saltam das nuvens e caem na terra dentro de um teatro. começa a chover. um deles tem a ideia de superstição, que é dos homens, a construção da boneca de papel, mariazinha, para colocar atrás da porta e faz uma promessa: mariazinha, se você fizer a chuva passar, te levo para passear. mas, o que acontece enquanto essa chuva não passa? é feita a construção de um segundo boneco, que seria o par da mariazinha, e que na história, cria-se uma história paralela, na imaginação deles, na relação entre eros e psiquê - por que, o que é que a gente vai fazer? vamos brincar. ah, tá. melhor, vamos contar histórias. que tipo de histórias? ah, sei lá, vamos falar da chuva? não, outra coisa, vamos falar do amor. aí pronto, é aí que a gente pega o ponto de partida para falar, através da animação, um detalhe, toda essa primeira parte, no filme, dos anjos caindo, da relação dos anjos dentro do teatro, tudo é ação direta, com atores reais, jogando, interpretando. a história que eles vão contar, toda se passa com a animação, então tudo é narrado.

p – qual o tempo do curta?
r – precisa ficar em 12 minutos.

p – como selecionar a trilha sonora?
r – a trilha sonora é autoral, de fábio cavalcante, e que mora em santarém. ele produz de lá.

p – qual o instrumento escolhido?
r – vai pelo som do acordeón, realejo, artesanal, da sanfona. no espetáculo, na peça, nós usamos sons semelhantes da película amélie poulain. e ficou esse carimbo, essa sonoridade, meio marimba....

p – e a equipe de animação?
r – andrei miralha coordena uma equipe formada por thiago souza e maurício franco. tudo que você vê de animação, foi recortado à mão e manipulado digitalmente. papel por papel recortado. o programa é o 3d.

p – o que faz a diferença no curta?
r – ver o envolvimento da equipe, de um projeto que nasceu no teatro e se adaptou para a tela. isso é muito mágico. um desafio!

p – abril para exibição. é um mês chuvoso....
r – (rsrs). no espetáculo, no hall da escola de teatro, quando da sua estreia, tínhamos um varal cheio de bonequinhos de papel, confeccionado pelos presentes. era quase o depoimento de cada um. no final da temporada, o varal estava repleto de mariazinhas.

segundo andrei miralha, 'o projeto é composto em animação 3d, digitalmente. o curta não é em 3d, mas utiliza a câmera do 3d. a gente optou pela possibilidade que ela dá para fazer uns passeios no ambiente 3d, quer dizer, não é a aquela composição mais chapada. os recursos são maiores de correção, de não precisar de ter um estúdio, compor um estúdio com iluminação real, pra você produzir animação. nós temos tudo isso, num ambiente digital 3d'.

p – andrei, e sobre a divulgação das películas do óscar?
r – sinceramente, eu acho que o óscar é uma premiação da indústria americana, daquela indústria cinematográfica. é uma premiação deles, e se tiver um filme brasileiro como resultado, acho legal, mas não é a coisa mais importante do mundo. o óscar, inclusive, já não tem tanta importância, e tendo uma compreensão melhor, você percebe que é justamente isso, deles pra eles, por isso que eles têm a categoria de filmes estrangeiros. temos outras premiações, outros festivais, como o de gramado, no brasil, e isso é que é importante pra gente. esse negócio de ficar babando o ovo do cinema americano....

p – é a mesma linha de pensamento sobre o mangá?
r - quando a gente vai fazer uma história em quadrinhos, e se eu pegar o estilo mangá, não estarei sendo original e honesto, até com a minha cultura. por exemplo, você gosta de curtir mangá? legal, mas para fazer.... não é relevante para a nossa cultura brasileira e paraense. mas, é uma possibilidade, já que tudo está globalizado....

p – e o livro brasil 1500?
r - é uma história em quadrinhos, que remonta uma parte da história do brasil, época do descobrimento. provavelmente o segundo volume será lançado agora, fevereiro ou março, pela editora devir. até agosto, serão lançados os três volumes da série.
- entrevistas concedidas na praça de alimentação da imprensa oficial do estado(mardock) e no departamento de arte da cultura(andrei), em 26/01/2012.

janeiro 24, 2012

Poesia: 'Embaixo d’um teto estrelado'






Embaixo d’um teto estrelado
Iluminando minha noite escura e vazia
Na triste estrada que me guia
Caminho sem ela ao lado.
Nessa viagem monótona
Excogito em sussurros confusos
Que só a esperança conforta
A dor do amor que não volta.

Sem fim as perguntas vão vindo
Respostas aumentam o pesar
Queria que a mente calasse
Para nela não mais pensar.

Em vão eu procuro nas flores
O aroma que só ela tem
Em vão eu oculto minhas dores
Não consigo esconder de ninguém.

Por vezes meu teto estrelado converte-se
Em prantos que majoram a aflição
Vertigens do céu que conhece
A magoa do meu coração.

Da noite em claro tormento
O Sol ressurge feliz
Convidando-me a conquistar de novo
O amor que um dia perdi.



imagem: cris moreno

janeiro 21, 2012

'não sou escritora': maria sylvia nunes



não, não é o teatro, mas a pessoa. fui conversar com maria sylvia nunes nesta tarde de sábado chuvoso. a procurei por conta de duas citações nas entrevistas do morenocris.org, em 2011: [por cá] e [por cá].'o que eu fazia na televisão marajoara, era adaptar romances já existentes, para a tv – traduzidos, diga-se', explica. imagine um casal avesso a entrevistas, aparições públicas. 

assim era o bené(27 de fevereiro completará um ano que nos deixou), como continua sendo maria sylvia nunes, 82, advogada, tradutora, teatróloga e professora aposentada pela universidade federal do pará, além de estar viúva do advogado, filósofo e escritor paraense, benedito nunes. agora, imagine uma casa com cinco bibliotecas, uma de sylvia e as quatro, para abarcar inúmeras obras de filosofia, só do benedito, aliás, os mesmos serão doados para a arquidiocese de belém - centro de cultura e formação cristã, onde o filósofo proferia palestras. sylvia é nome de teatro e o de sua amiga, idem.


depois da direção do espetáculo 'carmina burana', encenada no theatro da paz, em novembro do ano passado, sylvia volta-se para o seu mundo interior e relembra algumas passagens de sua relação com o filósofo. 'era muito fácil conviver com ele, não era difícil, não. ele era uma pessoa de ideias muito abertas, cabeça muito boa e de muito ofício, desde que ele tivesse os livros dele, a liberdade dele para ler e escrever, estava tudo bom pra ele. nós tivemos uma convivência muito boa porque nós gostávamos das mesmas coisas. formados em direito, fui para a linha do teatro e ele, para a filosofia. nós somos o que nós gostamos de fazer, absolutamente autodidatas. o bené, ainda foi durante muitos anos, auditor do tribunal de contas, quer dizer, ele ainda usou o que tinha aprendido na faculdade. mas eu não, me meti logo com o teatro'. você ainda faz adaptações? 'não, as tv's não fazem mais aquele tipo de programação. o que eu faço, às vezes, é dar palestras, cursos sobre teatro'. de onde vem a paixão pelo teatro? 'desde pequena. as minhas irmãs brincavam muito de teatro(sylvia é a caçula de quatro filhas, de pais do marajó(pai) e mãe, paraense e portuguesa), e eu ficava limpando, varrendo o palco. nunca fui atriz. sempre gostei de trabalhar do lado de dentro do teatro, como a direção, por exemplo'. você faz trabalhos de tradução também. quantas línguas você domina? 'dominar, dominar, ninguém domina... nem a nossa. mas falo e leio francês, o espanhol, naturalmente todo mundo fala o portunhol, leio bem italiano e inglês, alemão leio menos bem. fiz a tradução de somente três peças, uma delas foi édipo rei, de sófocles, mas não traduzi do grego, e sim da versão francesa'. como você sobrevive com a ausência do escritor? 'a gente tem que achar um jeito. é isso que eu tento, achar um jeito. e também tenho tão boas lembranças da nossa convivência, e isso é mais fácil. é alguma coisa interior, mais espiritual, e que tem a ver com memória também'. o projeto do teatro na universidade, é seu? 'barradas(teatrólogo paraense), benedito nunes e eu fizemos o pedido ao reitor(josé da silveira neto), que convocou o bené para dirigir o serviço do teatro da universidade, de onde saiu a escola'. filosofia e teatro sem distância.... 'nós podemos escrever um tratado sobre isso, de como a tragédia está próxima da filosofia grega. prosa, poesia, teatro, filosofia.... há um elo'. como você analisa o teatro atual? 'a gente tem sempre a tendência de dizer na minha época, mas eu não acho. penso que agora o teatro, aqui em belém, é mais ativo, mais participante, e porque também tem mais meios, tem mais grupos. no meu tempo era quase o bloco do nós sozinhos'. você não é adepta das redes sociais, do computador.... 'não, não, tenho horror a isso'. algum projeto? 'na minha idade, é melhor não ter projeto, o que vier, o que me agradar eu faço. no ano passado fiz a carmina burana, então, quando uma coisa me agrada eu faço'. nenhum livro.... autobiográfico? 'de jeito nenhum. tenho horror de mostrar minha intimidade'. e se o bené nos visse agora, você dando entrevista? 'ah, ele olhava da porta e ia embora correndo(rsrs)'. mas você já visitou várias partes do mundo.... 'conheço um pouco da europa e estados unidos, um pouquinho do oriente médio. o mais estranho que conheço, é a ilha das bermudas'. e o século xxi.... estamos de retorno à caverna, principalmente nas artes? 'essas voltas ao passado são inerentes à arte. toda arte se volta para o passado, por exemplo, picasso, se voltou para as artes negras, primitivas. parece que está esgotado, e as vanguardas fazem o retorno ao passado. não estou analisando. falo apenas o que sinto. sempre, durante a história das artes, tem o momento que a arte aceita como arte, entre aspas - oficial, e depois tem uma outra arte que vem por baixo dessa e que vai mostrando a cara, que é a vanguarda, e chega o momento, em que essa vanguarda, também, está adotando certos baneirismo, aí, geralmente a tendência é caminhar para trás. eu acho assim'. quer falar de outra coisa? 'não, já falei demais para o meu padrão'. peço-lhe para conhecer a sua biblioteca, que é também sua sala de vídeo. ok. posso fazer imagens? ok. seus chamegos são dois gatinhos(lindos). que casa!
- entrevista concedida na residência de maria sylvia nunes, em 21/01/2012.

janeiro 16, 2012

Rede Globo lança campanha de minissérie com erro protocolar

Gabinete presidencial é retratado com disposição incorreta de bandeiras

A Rede Globo de Televisão veicula, esta semana, nos principais jornais e revistas de circulação nacional a campanha de estreia da Minissérie 'O Brado Retumbante', em que revela 'a vida íntima do homem mais público do Brasil', com um erro de grandes proporções em se tratando de Cerimonial e Protocolo, para o que se pretende ser 'cópia fiel' do fascinante mundo do poder e da política.
 
O anúncio, que retrata a mesa do Presidente da República em seu gabinete de trabalho traz a imagem da Bandeira Nacional brasileira e da Bandeira Insígnia da Presidência, previstas pela Lei nº 5.700, de 1º de setembro de 1971 e Decreto nº 4, de 19 de novembro de 1889, respectivamente, colocadas 'à esquerda', contrastando as recomendações das duas principais legislações do Protocolo nacional, que deixa claro em suas entrelinhas esse posicionamento. 'A Bandeira Nacional em todas as apresentações no território nacional, ocupa lugar de honra, compreendido como uma posição [...] III - À direita de tribunais, púlpitos, mesas de reunião ou de trabalho [...]', comenta o professor Marcelo Pinheiro. Para ele, 'não adianta se pensar em reconstituir, de modo verossímil, os meandros da Presidência, e deixar passar os seus maiores símbolos, como estas bandeiras, presentes em todos os atos que um Presidente comparece', comenta.

De fato, se aspectos minuciosos como este não forem levados a sério, teremos capítulos de alto impacto e de grandes gafes de protocolo – ferramenta das mais importantes num sistema de governo, segundo o professor. 'Assim como a continuidade, a fotografia, os figurinos e os aspectos históricos, o conhecimento e a consulta sobre as lides do Cerimonial devem ser pontuais', afirma.

'Queremos assistir a mais um grande trabalho da emissora, assim como queremos ver respeitados os princípios de uma atividade tão consolidada quanto as demais que serão retratadas pelos autores do Projeto', conclui o professor Marcelo Pinheiro, que formalizou carta a Rede Globo orientado os procedimentos corretos no que diz respeito ao uso e disposição dos Símbolos. É esperar para ver!

Carta enviada a Rede Globo de Televisão orienta procedimentos

Belém, 14 de janeiro de 2012.

À Rede Globo de Televisão

Assunto: Campanha Publicitária da Série “O Brado Retumbante”

Prezados Senhores,

1.          Considerando a veiculação da campanha publicitária de divulgação da minissérie “O Brado Retumbante”, que faz analogia a mesa do presidente da República em seu gabinete de trabalho;

2.       Considerando o uso e disposição da Bandeira Nacional brasileira, bem como da Bandeira Insígnia do Presidente da República no anúncio em epígrafe, enquanto símbolos legais, criados e normalizados por legislação própria, Lei nº 5.700, de 1º de setembro de 1971 e Decreto nº 4, de 19 de novembro de 1889, respectivamente;

3.         Permitam a orientação sobre o uso e disposição incorretos dos citados Símbolos, tendo em vista as recomendações do Protocolo brasileiro para tal tipo de questão, que recomenda o uso da “direita” como princípio, segundo o Artigo 19 da citada Lei 5.700, e Artigo 31 do Decreto 70.274, de 9 de março de 1972 – Lei base do Cerimonial brasileiro – ao citar “A Bandeira Nacional em todas as apresentações no território nacional, ocupa lugar de honra, compreendido como uma posição [...] III - À direita de tribunais, púlpitos, mesas de reunião ou de trabalho [. ..]”.

4.         Na certeza da responsabilidade da Rede Globo de Televisão quanto às escorreitas práticas junto aos seus telespectadores, na busca verossímil da arte, e diante das muitas situações que gravitarão em torno da trama, por sua íntima ligação com o Cerimonial e com o Protocolo, coloco-me à disposição para esclarecimentos complementares.


Professor Marcelo Pinheiro
Relações Públicas, Cerimonialista, Escritor e Professor

cerimonialista@uol.com.br
www.cerimonialista.com


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Marcelo Pinheiro
(colunista do morenocris.org)

janeiro 10, 2012

arquitetura política: deputado edmilson rodrigues

estou produzindo uma série especial para a página, e uma das fontes está localizada no bairro da cidade velha, precisamente na rua onde nasci e vivi minha infância, bem no miolo dessa estrutura histórica, de nossa capital. não visitava o bairro há longo tempo(não entrava no complexo), e, na esquina de um dos cruzamentos, refletindo sobre as várias placas nos imóveis de 'vende-se' e conferindo as mudanças daquilo que me habita a memória, deparo-me, com um arquiteto. estava um sábado escaldante, quando avisto essa fonte de palavras, no boteco do gilberto(morador eterno), sentado, olhando o tempo, depois de ler os jornais do dia - edmilson rodrigues, novo morador do bairro. conversei com o arquiteto edmilson rodrigues, mas, há política.... de cidades.
e com ele, inauguro mais uma série na página - política habitacional. 

ex-prefeito de belém(40º) e atual deputado estadual pelo psol, edmilson rodrigues, 54, arquiteto pela universidade federal do pará, com especialização pelo naea(núcleo de altos estudos amazônicos) em desenvolvimento de áreas amazônicas, mestrado em planejamento do desenvolvimento urbano(também pelo naea), e que gerou a obra aventura urbana, e doutorado em planejamento territorial, ciências – geografia, pela universidade de são paulo(usp), fala sobre o bairro da cidade velha(arquitetura/patrimônio).

p – a cidade velha está com várias residências para venda, e alguns imóveis estão desabando....

r – belém é muito rica, em termo de patrimônio arquitetônico, de valor histórico. há um reconhecimento do iphan(instituto do patrimônio histórico e artístico nacional), de que realmente é um dos maiores acervos conjuntos. grandes monumentos deixados ainda do período do barroco jesuítico, como a igreja de santo alexandre, obras do landi, e uma série de outras obras importantes no centro histórico, especialmente na cidade velha. o importante é que nós temos aqui um conjunto de milhares e milhares de casas, de residências de pequeno porte, casarões com bastante envergadura, de engenharia, e com uma significativa beleza, portanto, em termos estéticos, de grande valor também. de modo que há conjunto valioso. qual é o problema? são casas muito antigas. e muitas das famílias, que foram famílias portuguesas, comerciantes, foram empobrecendo. hoje, há muitas viúvas, e às vezes, os filhos e os netos, se constituíram como empresários, professores, casaram, viajaram, ou, passaram a morar em outras áreas da cidade, e os remanescentes, mais idosos, não têm tido condições de investir para manter, o que é difícil manter, exatamente porque são construções feitas com técnicas não modernas, e muitas vezes a utilização da madeira com o barro, a madeira com a areia e o cimento, a taipa, o tabique, a madeira pura mesmo, utilizada nas estruturas ou mesmo no piso, na infraestrutura, realmente não é simples. nós temos mais de dois mil tipos de cupins e há cupim que vem da terra e que destrói a infraestrutura de madeira. são pilares de madeira, e é muito difícil. a sorte, é que essa técnica construtiva utilizada aqui, apesar não ser usado o concreto ainda, que aquele período não estava bem desenvolvido, usa madeira de altíssima resistência, como o acapu, a sucupira, a massaranduba, macacauba, que não são madeiras acessíveis a certas espécies de cupins, no entanto, ainda assim, estão em alguma medida fragilizadas pelos séculos e pela dificuldade de manutenção. por conta disso, muitos começam a vender as suas casas. mesmo porque, há uma grande contradição, os órgãos do patrimônio reconhecem o valor histórico, mas como o governo federal e os governos estadual e municipal não investem e não oferecem incentivo de crédito para as famílias, ou mesmo incentivo financeiro às famílias, para que possam reduzir os problemas estruturais, reformar, fazer a manutenção da casa, então fica apenas para aquela família já pauperizada, em alguns casos, a responsabilidade de manter o seu imóvel. ela nem pode reformar, modificar, porque está tombado pelo patrimônio e não recebe incentivo. só que há uma diferença, e eu falo como arquiteto, se você tem uma casa construída há 20 anos atrás, numa alvenaria, em concreto, você tem condições de manter muito mais facilmente. restaurar uma casa, de valor histórico, com um século, dois séculos de existência, é muito difícil. há de ter muito domínio técnico e nisso são poucos. é uma mão de obra especializada, muito cara, e torna-se dispendioso restaurar uma casa. você vai gastar numa casa nova 10 mil, e certamente numa casa antiga, uns 50 mil. ou muito mais. de modo que esses são os problemas estruturais e acredito que deve haver um planejamento, uma catalogação dos imoveis mais valiosos e um investimento. o governo tem que entender que é recurso público para manter a memória da nossa cidade, a memória do grão-pará, porque belém é a capital da amazônia. desde o período colonial, belém foi a capital do grão-pará e maranhão, sob o comando de mendonça furtado. portanto, não é dinheiro sendo jogado fora, é dinheiro investido na memória, no patrimônio, para viabilizar, inclusive, não só a dignidade para quem mora aqui, mas para todos os moradores da cidade e do estado, e viabilizar uma dinamização econômica, porque o turismo quer ver aquilo que é específico, característico de cada cidade. e nós somos diferentes de qualquer outra cidade do mundo. e uma das nossas diferenças, é ao mesmo tempo, termos 39 ilhas grandes, com muita floresta, portanto, somos uma metrópole, mas uma metrópole incrustada na floresta, talvez a única metrópole brasileira(nem manaus), que tem mais de dois terços da sua área territorial, constituída por ilhas, e florestadas, bem florestadas. de modo que esse um terço ocupado, porque a maioria da população, essa área continental de belém, no entanto, tem ainda muita florestal, bosques, e reservas importantes, os mananciais do bolonha e água preta, por exemplo, e a floresta com mais de quatro mil metros quadrados, e tudo isso, soma para valorizar o turismo em belém. agrega-se algo fundamental, que é a riqueza do patrimônio arquitetônico. aqui há monumentos de grande valor, tombados pelo iphan, e ao mesmo tempo, um conjunto monumental com mais de três mil imóveis no centro histórico de belém.

p – e o projeto monumenta, do governo federal?

r - o monumenta foi criado pelo banco interamericano de desenvolvimento(bid), depois do terremoto que ocorreu na década de 1980, no ecuador. destruiu grande parte do centro histórico de quito. foi a primeira vez que o bid decidiu liberar recursos para municípios. de modo que o monumenta é um dos poucos programas do bid, em que o município recebe recursos, repassados ao governo federal, através do ministério da cultura, e os municípios se credenciam e não o governo do estado. belém foi incluída no monumenta. não ficou entre as primeiras sete cidades. ficou de fora. depois, ela foi incluída, como uma das cidades que deveria ser agregada. mais 20 cidades foram selecionadas. infelizmente, uma autoridade ainda no governo do almir gabriel, decidiu retirar belém do monumenta. preferiu perder recursos. por que? porque alegava que, ou o governo do estado tinha o controle dos recursos e das obras, ou não havia porquê ter o convênio. belém foi posta de fora. quando eu era prefeito ainda, na assunção do lula, no comício que ele fez aqui, no ver-o-peso, em frente a praça do relógio, eu pedi para ele que incluísse novamente belém. lula ordenou ao gilberto gil e o gilberto gil decidiu que belém seria reincluída no programa monumenta. belém tinha sido tirada pelo francisco welfort, que foi dirigente do pt, atucanou e cometeu um crime de lesa-patrimônio de belém, com o aval, consorciado com pessoas que dizem amar belém. deve-se ao gilberto gil, a reinclusão de belém no projeto monumenta, e aí, foram liberados recursos. nós podemos fazer as reformas da praça da sé, da praça em frente a igreja de santana, a própria igreja de santana recebeu o primeiro investimento para que evitasse que ela ruísse. desses recursos, foram liberados mais quatro milhões e meio, para fazer a reforma do mercado bolonha, que só agora, depois de 10 anos, foi concluída. mas porque belém faz parte do monumenta.

p – como novo morador do bairro, está pensando em projetos?

r – a cidade velha tem que receber um tratamento mais carinhoso. é como uma pessoa muito bonita, mas que está maltratada. quando houver um investimento e apoio às famílias, conforme o bid inclusive previa, mas criaram uma burocracia tão grande, que as famílias que querem o financiamento, não conseguem tirar, e muitos desistiram. a associação dos moradores da cidade velha, faz a maior crítica ao bid, porque criaram mecanismos burocráticos que inviabilizam. se quisermos reformar este prédio aqui, faz-se um orçamento. por exemplo, será preciso 10 mil reais. o bid diz, você tem direito a esse dinheiro, a juros baixos, só que exigem tanta documentação, tantos compromissos, que o cara desiste. teria que gastar mais, para garantir os 10 mil. deve haver um programa, voltado a esse apoio, com arquitetos especializados em patrimônio histórico e restauração, quero dizer, você não entra com dinheiro, simplesmente, mas com parecer profissional, fica melhor assim e assim, isso a lei permite, ou a lei não permite, dá uma solução arquitetônica, ajuda a fazer o cálculo orçamentário, e a partir daí, existe a possibilidade de liberar o recurso, mais facilmente. esse deve ser um programa. se for aperfeiçoado, o recurso do bid, que vem através do projeto monumenta, pode ser positivo. mas do jeito que está, o brasil fica pagando juros sobre ele, e os imóveis se deteriorando, e as cidades históricas degradando. o potencial turístico fica colocado no segundo, ou no terceiro plano, quando, poderia ser dinamizado mais fortemente, agora mesmo com a copa, se torna ainda mais urgente, mas o governo não tem olhos, não consegue pensar o futuro, porque não tem amor ao passado e ao presente.

p – e como você vê o presente?

r – belém está abandonada. todas as cidades históricas do mundo, quando os governos prezam, têm carinho, eles procuram preservar. com programas de restauro dos imóveis, mas também com o cuidado, com as vias públicas. o que houve? houve um descontrole do transporte, o sistema de transporte coletivo foi deteriorado, as vans e kombis, que cumprem papel importante para a população humilde, mas elas estão dominando a cidade sem nenhum tipo de controle, regulação, de modo que um bairro como o da cidade velha, você pode contar de um a cem, dezenas de kombis passando, ônibus passando, ruas estreitas que não poderiam receber cargas pesadas, e recebem todo o dia, o dia todo, não há nem sequer horário, o risco de se perder esse bairro histórico, é muito grande, por conta da trepidação e do uso pesado do transporte coletivo. citei isso porque um sistema de transporte alternativo no centro histórico, impediria que ônibus entrassem. os bondes e outras formas alternativas poderiam cumprir esse papel. agora, a cidade toda, não é só centro histórico, não é só o primeiro bairro de belém, que está abandonado. se você for aqui na tamandaré ou na doca, dois canais importantes de belém, que ficam em bairros mais centrais da cidade, você vai ver os canais assoreados e na primeira chuva, alagando até ônibus. ao mesmo tempo, se você for na periferia, lá no canal de santa isabel, icoaraci, ou no tucunduba, que uma obra importante, inaugurada por mim, na primeira etapa, ainda em 2003, então você vai perceber o abandono de quem mora no centro ou na periferia, vive o alagamento. e com o descontrole com o lixo urbano. acabaram com a coleta seletiva, iniciada com mais de oito mil contêneires, em três primeiros bairros e mais quatro que depois foram agregados, ao invés de ampliar para toda a cidade a coletiva seletiva e transformar belém numa referência mundial, simplesmente, abandonaram a ideia. o centro ainda vê a coleta diária, mesmo assim, a coleta domiciliar. aquele morador que quer se desfazer de um colchão, de um móvel velho, ele joga na rua. tanto no centro, como na periferia, muito entulho. os bairros da periferia, sequer a coleta do lixo domiciliar. as pessoas mais pobres convivem com o alagamento e com o lixo, com ratos e doenças. infelizmente, esse é o quadro da cidade. se você somar isso, ao abandono da qualidade da educação e da saúde, tendo em vista que várias unidades saúde que funcionavam 24 horas, tiveram reduzido seu horário de funcionamento, as ambulâncias desapareceram, não há realmente nenhuma condição do povo sorrir, festejar, a situação que está submetida a nossa cidade. é de muita tristeza. vamos completar 396 anos(12/01), sem motivo de festa. talvez muita propaganda paga com dinheiro público, na televisão, no rádio, com a cara das autoridades, mas infelizmente o abandono é tão concreto, que a população está numa situação de insuportabilidade. aonde se vai, são reclamações, reclamações. até a autoestima do nosso povo está rebaixada.
- entrevista concedida no bairro da cidade velha, em 07/01/2012.

janeiro 06, 2012

livro: volume terceiro – atos dos governadores


está tudo pronto para a edição do terceiro volume: atos dos governadores, de josé de ribamar castro. o lançamento, no primeiro momento, está programado para os 121 anos do diário oficial do estado, a ser comemorado em 11 de junho.
o presente volume, diferente dos dois anteriores, promete bastante polêmica, porque tratará do período de intervenções no estado, como o da interventoria de josé carneiro da gama malcher(novembro de 1937 a janeiro de 1943); de miguel josé de almeida pernambuco(janeiro e fevereiro de 1943); de joaquim de magalhães cardoso barata(fevereiro de 1943 a outubro de 1943); de lameira bittencourt(outubro de 1945) e zacarias de assunção(outubro e novembro de 1945); manoel maroja neto(novembro de 1945 a fevereiro de 1946); octávio augusto de bastos meira(fevereiro a dezembro de 1946); josé faustino dos santos(dezembro de 1946 a março de 1947).
a introdução debruça na decretação do estado novo instituído por getúlio vargas, em 10 de novembro de 1937, e a repercussão política no estado do pará, principalmente quanto às interventorias e demais fatos relacionados com a administração pública estadual, nesses períodos.

janeiro 03, 2012

moda do textil pessoal sobrevive e surpreende



com o tema 'o caminho para um sistema de moda da américa latina', será a 24ª edição, a partir do dia 24 de janeiro, apresentando 24 conferências, suporte para o evento da colombiatex a ser realizado em medellín.

com a proposta de promover intercâmbio de comércio entre produtores e distribuidores na indústria textil, máquinas e suprimentos para os investidores, com a inclusão da apresentação de produtos químicos, fibras, insumos, tecelagem, fios, vestuário.... o sistema da moda sustentará os casos internacionais bem sucedidos, como frança, itália, inglaterra e brasil. em 2011, com o tema 'o colombiatex das américas 2011”, realizado de 25 a 27 de janeiro, o evento foi contundente: 'tecidos chineses contrabandeados e alto preço do algodão prejudicam setor'.

pego o gancho dos encontros latinos para falar sobre um mercado que ainda existe, fervilha, surpreende e alimenta a economia. falo da resistência do mundo dos tecidos, o que chama linhas, agulhas, botões, costureiras e alfaiates. o consumidor das medidas exatas, do gosto exclusivo, do econômico(para uns), e de escolhas refinadas(para outros).

segundo airton bezerra, 58, comerciário e gerente responsável pela phoenix tecidos(pe. eutíquio, 1390) - há 15 anos no ramo, bem específico, esclarecendo, porque a loja comercializa tecidos finos, seu ponto forte, na linha festa, a melhor (e mais cara!) -, aproximadamente 10 lojas em belém disputam o mercado de tecidos, sendo diversificadas nos segmentos como malharias, cama e mesa, etc. a empresa local faz parte de uma cadeia distribuída em todo o país. o perfil do seu consumidor retrata o tipo que quer, além do bom gosto, marcar o tempo – aniversário, casamento, colação de grau, e outras cerimônias públicas. para você ter uma ideia, o preço do metro de tecido vai de r$9,90 a r$1.560. as origens são diversas, como a china, indonésia, japão, itália, estados unidos, coreia do norte, taiwan e do único país latino, o chile(linho). 'e vende! seja o preço que for, do metro', revela-me bezerra, tanto que a loja, com oito funcionários, consegue tirar além do investimento. o interessante, é que a phoenix tecidos possui cadastro de 40 costureiras profissionais, nos municípios do estado, e de outras capitais próximas. diferente do número de alfaiates, quer dizer, bem menor, pelo menos, 10 em belém.
 
se há metro de tecido a 1.560 reais, imagine um botão, a 50. disse-me suzete nascimento, 37, do arte & costura, lojinha do shopping pátio belém, há oito anos oferecendo linha, zíper, agulhas, enfim, acessórios de armarinho. e o movimento é intenso, todo o tempo. a maioria do material de venda, é proveniente de fortaleza.

tanto para airton bezerra, como para suzete nascimento, o que talvez seja o paradoxo, no primeiro momento de reflexão, diante de inúmeras ofertas de roupas prontas, estilos diversos, grifes famosas.... a explicação está no personalizar a vestimenta. colocar o dedo no que está acima da pele. e mais, para ele(airton), o paraense não se adequa aos cortes de roupas fabricadas. as medidas não se encaixam. pode ser. talvez. vale um estudo, mais apurado, na área psicológica(minha opinião).

confira as informações citadas:

Vem aí a 24ª edição do Colombiatex
A próxima edição do Colombiatex 2012 vai acontecer entre os dias 24 e 26 de janeiro, em Medellín – Colômbia, e tem como objetivo promover oportunidades de comércio entre produtores e distribuidores na indústria têxtil, máquinas e suprimentos para os compradores e investidores. Ainda, contará com representantes de produtos químicos, fibras, fios, insumos, tecelagem, vestuário, entre outros.

Na 24ª edição o tema será: “O caminho para um sistema de moda da América Latina”. Para Carlos Eduardo Botero Hoyos, Inexmoda CEO, "Esta edição vai mostrar o Sistema da Moda temática, propondo uma reflexão sobre a importância de cada um dos segmentos, e o quanto estão integrados para construir um país forte. Neste sentido, teremos desenvolvimentos que visam responder às necessidades do setor e fazer uma feira muito mais favorável aos negócios".

Em destaque está a nova aliança entre Inexjobs e Inex Moda Jobs, e que tem como objetivo apresentar o segmento de designer têxtil, e as ofertas de trabalho para atender, não só Colômbia, mas também empresas de mercados internacionais relacionados ao Sistema de moda. A feira também conta com um espaço Denim Review, que mostrará a evolução do índigo no mundo, e apresentará as 14 importantes empresas nacionais e internacionais.

Fórum Têxtil e Suprimentos 

As tendências em tecidos e insumos da Primavera-Verão 2012 novamente no fórum de Suprimento Têxtil. Lá, empresários, compradores, estudantes e designers poderão ver a representação dos tecidos e insumos fornecidos através da tendência durante a feira.

Da mesma forma, o Fórum de Têxtil e Suprimentos contará com uma pré-visualização dos conceitos de moda têxtil para primavera-verão 2013 e duas palestras diariamente pela Inexmoda moda Laboratory, chefiada pelo seu director Martha calad, complementando informação de moda entregue.

Aposta da indústria química 

Consistente com a necessidade de trabalhar em conjunto para alcançar a inovação contínua, ligado e virado para o Sistema da Moda, a indústria química, graças à Colombiatex, renova interesse ao estar presente em 2012, com um número significativo de empresas que estão apostando numa colaboração através da sua liderança e conhecimento, facilitando a implementação de novos desenvolvimentos que contribuem para a moda e têxteis do vestuário.

Equipamentos e suprimentos 

As entradas das empresas de máquinas, que também decidiram voltar para a vitrine mais importante do negócio do sistema de moda, entendendo que este é o cenário de negócios ideal para os produtores e distribuidores de matérias têxteis, industriais, aplicações técnicas, equipamentos, máquinas e insumos para a indústria moda e bens de vestuário, casa, calçados e couro. Em 2012, uma presença significativa da máquina, vai destacar os mais recentes equipamentos, como resultado de lançamentos globais feitas na última versão da ITMA, e que é um bom augúrio para o ambiente de negócios.

Espaços de conhecimento 

Consistente com sua missão de formar e profissionalizar Lationamérica Sistema da Moda, Inexmoda continua a consolidar o Pavilhão do Conhecimento Inexmoda - UPB, como a formação do espaço mais poderoso da América Latina. Desta vez, retorna com 24 conferências que irão abordar a questão da Colombiatex - Sistema da Moda - para o refletir na maneira de começar um Sistema de Moda, com o olhar para os sucedidos casos internacionais, tais como França, Itália, Inglaterra e Brasil, para ajudar a entender melhor e, ao mesmo tempo, incentivar os seus jogadores a tomar a iniciativa.


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Empresas têxteis latino-americanas querem fim do contrabando

Tecidos chineses contrabandeados e alto preço do algodão prejudicam setor.

Representantes das maiores empresas têxteis da América Latina estão preocupados com a presença ilegal de tecidos chineses na região.

Carlos Eduardo Botero, diretor-executivo do Instituto para Exportação e Moda (Inexmoda), disse que os tecidos contrabandeados da China para a América Latina representam uma ameaça aos negócios legais.

“Temos muita ilegalidade”, denunciou ele. “Há muito contrabando, principalmente dos mercados asiáticos, através do Panamá. Pode ser que os asiáticos mandem [os tecidos] legalmente, mas a caminho daqui eles se tornam contrabando. [Os tecidos] deixam um país legalmente e chegam a outro ilegalmente”.

Os empresários da indústria têxtil de diversos países, incluindo Brasil, México e Portugal, compareceram à XXIII Feira Têxtil e da Confecção, o “Colombiatex das Américas 2011”, organizado pela empresa têxtil colombiana Inexmoda de 25 a 27 de janeiro em Medellín.

“O [Colombiatex das Américas 2011] gerou cerca de US$ 119 milhões (R$ 198 milhões) em negócios, um aumento de 7% em comparação com o ano anterior, quando foram negociados US$ 112 milhões (R$ 187 milhões)”, informou o Inexmoda em comunicado à imprensa.

Impacto negativo do contrabando

Botero afirmou que operar dentro da lei é a única saída para as empresas têxteis com sede na América Latina reduzirem o impacto negativo do contrabando de roupas e tecidos chineses.

“O caso da China é certamente preocupante – as empresas colombianas que não costumavam comprar daquele país o estão fazendo agora por causa da grande competição existente no setor”, explicou ele.

Botero disse ainda que está otimista com a indústria têxtil da Colômbia, mesmo que algumas empresas comprem tecidos e produtos relacionados contrabandeados da China.

“Tivemos um processo de reajuste na Colômbia”, acrescentou ele. “Os negócios estão em alta. [Pensamos] mais nos consumidores e em inovação. Acho que o futuro que nos espera na Colômbia é bastante interessante”.

O setor têxtil na Colômbia emprega 250.000 pessoas, além de gerar outros 750.000 empregos indiretos, destacou Botero.

O setor representa 8% do PIB (Produto Interno Bruto) industrial do país e 20% de todos os empregos industriais na Colômbia. 50% do PIB da indústria têxtil está baseado em Medellín, capital do departamento de Antioquia, detalhou Botero.

Rafael Cervone, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), que exibiu 23 estandes na feira, disse que o Brasil está cada vez mais preocupado com o contrabando de tecidos chineses.

“Se analisarmos as estatísticas de 2010, os chineses afirmam que enviaram 70.000 toneladas de vestuário ao Brasil, e só recebemos legalmente 30.000 toneladas”, destacou ele. “A diferença foi contrabandeada”.

A indústria têxtil brasileira está representada por 30.000 empresas que geram quase dois milhões de empregos diretos e oito milhões no total, disse Cervone. O setor têxtil no Brasil emprega 1,65 milhão de pessoas, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT).

Algodão é a ameaça

Juan Pablo Pellón, diretor da empresa mexicana Espintex, especializada em fio de algodão penteado, disse que o volume crescente de produtos ilegais contrabandeados da China e da Índia tem prejudicado o fluxo de produtos mexicanos para os EUA.

Em 2005, a participação da China nas importações de têxteis dos EUA era de 27,61% (US$ 27,4 bilhões ou R$ 45,7 bilhões). Mas em 2010, a participação passou para 41,21% (US$ 37,6 bilhões ou R$ 62,8 bilhões), um aumento de 13,6%, segundo o Escritório de Têxteis e Vestuário do Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Pellón prevê que 2011 será marcado por uma forte demanda de exportação de têxteis mexicanos para países como Colômbia, El Salvador e Estados Unidos.

Os europeus não parecem tão preocupados com a presença chinesa no mercado.

Alfredo Rezende, presidente da Associação Seletiva de Moda, uma empresa têxtil sindicalizada de Portugal, afirmou que a origem dos problemas enfrentados pela indústria têxtil da América Latina reside no aumento crescente dos preços do algodão, e não no contrabando.

“[O preço do algodão] é um desastre – essa semana subiu entre 15 e 20%”, disse ele. “É loucura. Não podemos prever preços para os próximos três meses”.

Pellón concorda com Rezende sobre a correlação entre o aumento crescente no custo do algodão e o seu impacto no lucro de uma empresa.

“É muito difícil (a situação da indústria têxtil) porque o algodão sobe todo dia, e os preços que cotamos variam diariamente", explicou Pellón. “Não temos preços fixos”.

Toque sedoso de crescimento

O setor têxtil de outros países está em alta apesar do aumento nos preços do algodão e da competição crescente dos chineses.

Renzo Korch, que comanda uma empresa têxtil em Lima, no Peru, disse que “hoje, a indústria têxtil peruana está indo muito bem. O ano passado foi bom também, e esperamos que melhore ainda mais”.

Por causa da crise financeira internacional em 2009, mais de 80.000 dos 266.000 trabalhadores do setor têxtil ficaram desempregados, segundo a Federação Nacional de Trabalhadores Têxteis do Peru (FNTTP).

Korch disse que a indústria têxtil da região se recuperou e avança a passos firmes.

“Temos nos saído bem como sempre nos últimos cinco anos que participamos da Colombiatex”, afirmou Korch, que fabrica tecidos em algodão Pima, uma fibra "que existe somente no Peru por causa do seu brilho natural e toque sedoso".

fonte: infosurhoy