março 30, 2012

'o superdotado é invisível': silvia oliveira do naahs

enquanto alguns estados brasileiros estão extinguindo os núcleos de altas habilidades/superdotação (naah/s), o pará vai à contramão, trabalha para se transformar em um centro de referência na área.

imagem: cris moreno
ana silvia de souza oliveira, 42, pedagoga, com mestrado em ciências ambientais, e dissertação de pesquisa sobre a etnia indígena asuriní do xingu, além da especialização em educação inclusiva, coordena o núcleo de atividades de altas habilidades/superdotação (naah/s), vinculado a coordenadoria de educação especial da secretaria de estado de educação (seduc/pa).
o naah/s é o núcleo de referência para o atendimento de alunos com altas habilidades ou superdotação, e atende todo o sistema educacional do pará – municipal, estadual e privada. esse atendimento do núcleo, pela legislação, está inserido no atendimento educacional especializado (aee). ‘o estado do pará já trabalha com essa clientela desde 1981, só que o naah/s foi implantado em 2006, aqui no pará e em todos os estados do brasil, por meio da parceria entre o ministério da educação e as seduc's', explica oliveira.
o naah/s dispõe, além da coordenadoria, de duas psicólogas e uma pedagoga. os professores são das disciplinas de matemática, história, literatura e inglês, artes visuais, plásticas e cênicas, ciências biológicas e língua portuguesa. o núcleo funciona nas dependências da escola estadual de ensino fundamental e médio vilhena alves, avenida magalhães barata, esquina com a três de maio(fone: 3229.5581). o atendimento aos alunos com altas habilidades também se estende nos municípios de abaetetuba e santarém. professores, alunos e famílias são contemplados com o programa.
as altas habilidades devem ser potencializadas. 'nem sempre o aluno com altas habilidades tem sucesso na escola, por exemplo, esse aluno pode ter altas habilidades em artes e apresentar fracasso em língua portuguesa, e é aí que entra o trabalho do naah/s. o atendimento educacional especializado é uma maneira de trabalhar o currículo da escola na forma complementar ou suplementar, dependendo da especificidade daquele aluno, por isso trabalhamos com o plano individual do aluno (pdi). no projeto observamos que os alunos apresentam interesses e têm características diferentes. nós temos muitas experiências exitosas, dentre elas o ex-aluno juvenal damasceno, que trabalha no mangal das garças (borboletário), e que agora retorna ao núcleo como um de nossos monitores. o ex-aluno adriel, que toca saxofone na sol informática é outro exemplo, assim como inúmeros outros que passaram pelo núcleo e hoje exercem várias atividades profissionais. atualmente trabalhamos com a média de 50 alunos no naah/s, com a pretensão de expandir esse atendimento, por isso estamos divulgando o serviço do núcleo. outro aspecto relevante é a estatística que aponta em média que cinco por cento da população brasileira apresenta altas habilidades/superdotação. então, vamos pensar no quantitativo de alunos matriculados, por exemplo, na rede estadual de ensino que temos hoje, e deste tirar os cinco por cento que poderão ser identificados com altas habilidades/superdotação. além do atendimento ao aluno o naah/s também tem o papel de formação do professor da sala regular que precisa adquirir conhecimentos sobre as altas habilidades/superdotação. na reunião (jornada pedagógica) de hoje, aqui na escola estadual de ensino fundamental aníbal duarte, em são brás, com os professores, vou apresentar o projeto do naah/s, mostrando como eles podem identificar essa clientela por meio de um formulário de características que usamos. após esse passo agendamos entrevistas com a família e avaliação com os alunos, nossas psicólogas vão analisar o quadro sugerido e, se confirmado, por exemplo, altas habilidades ou superdotação em matemática, o nosso professor de matemática passa a acompanhar esse estudante, no horário de contra turno, e assim por diante', detalha a coordenadora do naah/s.
uma das características da pessoa com altas habilidades/superdotação é o individualismo. 'ele tem o ritmo diferente os demais alunos. então, o professor está na sala de aula com 20 alunos, por exemplo, e esse aluno, geralmente, termina a atividade antes de seus colegas. esse aluno tem a prática de realizar suas atividades de forma individual. a escola pública estadual em belém apresenta um número significativo de alunos com altas habilidades, lembrando que na rede pública trabalhamos com uma classe socialmente e economicamente menos favorecida. ele(aluno), não tem acesso aos bens culturais, vai pouco ao teatro, ao cinema, a leitura se dá mais dentro da escola, e daí, praticamos com essas crianças vários tipos de atividades, como: visitas a museus, praças, exposições, etc., temos inclusive professor de música. nosso tema gerador deste semestre é 'belém em cena', quando levaremos esses estudantes para conhecer os espaços históricos de nossa capital, e no retorno, os professores farão atividades com eles, dentro de cada área específica', diz oliveira.
o aluno com altas habilidades é invisível. 'o aluno com altas habilidades, dentro da educação especial, é o que mais sofre, porque não é rapidamente identificado. as pessoas pouco conhecem sobre as altas habilidades/superdotação. ele pode ser aquele aluno com baixo rendimento, pode ser confundido com um aluno hiperativo ou sem interesse pelos estudos, ele pode ser invisível em relação a sua condição. se nós não tivermos um trabalho muito fortalecido, de formação desse professor do ensino regular, de acompanhamento desse aluno na escola, principalmente na educação básica, apesar da educação especial ser transversal em todos os níveis de ensino, esse aluno pode passar pela educação básica sem ser percebido. nosso foco maior são os alunos matriculados na rede, na educação básica, principalmente na escola pública', esclarece a pedagoga.
alguns estados estão acabando com o naahs. 'com o surgimento das salas multifuncionais, os alunos em alguns estados passaram a ser atendidos nesse ambiente. a equipe do naah/s pará quer o sentido inverso, queremos o fortalecimento do projeto e por isso estamos trabalhando para transformar o núcleo em centro de referência em altas habilidades/superdotação do pará', finaliza silvia oliveira.

- entrevista concedida na escola aníbal duarte, em 30/03/2012.

março 24, 2012

aviso aos navegantes: emanuel matos com novas propostas para a internet

 emanuel aresti santana gonçalves matos, 61, sociólogo(ufpa), professor universitário, poeta, compositor e escritor, além de graduado e especialista em ciência da religião(florença, itália), reativará o seu blog arcavinteum, ou, talvez, venha com domínio próprio, em abril. as mudanças serão também de conteúdo, com opiniões diversas, sobre o movimento de mundo.

e mais, o sociólogo está aposentado da política e do serviço público(já exerceu funções públicas em governos do estado), sem pretensões de retorno. 'já dei por visto, essa fase na minha vida, porém, não abri mão do ensino, da produção intelectual e da minha relação com a religião', esclarece emanuel matos, que ainda escreve para jornais e revistas com textos especiais e críticos, acima de tudo, com o acréscimo de palestras e conferências em vários lugares dentro e fora do país. e para 2012, lançamentos do sexto livro de poesia e sexto cd - 'acho que a sociedade passa por transformações profundas, como também acho que estamos dando pouca trela pra isso, empurrando com a barriga, e que me dá uma certa decepção, contudo, não abro mão dessa condição de observador do que está aí, do que está em jogo, o que está acontecendo', justifica.

p – o seu blog está congelado desde o início de 2011....

r – parou por várias razões. ele tinha como objetivo colocar uma discussão, que eu chamo de construção de um novo humanismo, tal como foi concebido na idade clássica, e tal como a modernidade arrumou depois, num segundo momento, e que hoje padece de mudanças, ou melhor dizendo, está sofrendo mudanças. o humanismo não é algo que tem a tendência de acabar, mas de se ajustar sempre às novas condições. o homem será sempre este ser que tem a si mesmo como centro da própria natureza. então, não tem como o humanismo deixar de ser uma visão de mundo. quando coloquei o blog, era para começar a discutir esse novo humanismo. mas aí, tive um problema de caráter técnico, porque o meu blog chegou a uma visitação de 140 mil. e foi raptado. passei um tempo para recuperá-lo. enquanto isso, toquei o meu projeto na área musical, meu sexto disco, em parceria com josé maria bezerra e edilberto barreiros – simpatias para limpeza da alma e outras serventias ou nenhuma, onde tiro zarro com a questão da necessidade que a gente tem hoje de pensar e tem preguiça. falta poesia, filosofia, projeto, sonho. o segundo projeto, um pouquinho mais sério, um pouquinho mais duro, é o livro dez cânticos espirituais e outros cânticos de mim. os dez cânticos espirituais são textos referentes aos meus estudos sobre o grande poeta medieval joão da cruz, espanhol, e o cânticos de mim, é uma homenagem ao poeta americano walt whitman. mas, o meu blog será retomado no mês de abril, com outra paginação, outros tipos de textos, curtos e mais informativos, do que está acontecendo na vida cultural e na vida do pensamento filosófico do humanismo.

p – como você observa a comunicação no século xxi?

r – houve um período, ainda recente, que havia da parte de um grupo significativo de pessoas, uma espécie de entortar o nariz para o avanço da mídia e o avanço da internet, as chamadas mídias alternativas. acho que isso está sendo subestimado, ainda, na nossa sociedade. não temos a real dimensão do significado, do que isso representa em termos sociais e políticos, para o mundo. entretanto, uma coisa é certa, isso tudo nos possibilita, nos leva para uma mudança radical, em termos do que que é a vida e o mundo em qualquer parte. pra mim, já é uma coisa que precisa ser colocada para descartar as ideias fanfarronas, preguiçosas, de que isso é uma descaracterização do mundo. não desaparecerá jamais, as relações desiguais no mundo. a internet nunca nos igualará a todos, como também o mercado não nos igualou. as dimensões da realidade vão continuar existindo. os países vão ser diferentes entre si, o império, a necessidade da conquista de um país sobre o outro vão continuar existindo, a disputa econômica vai continuar existindo. se você pegar quais foram os momentos da história recente em que a mídia foi determinante para os movimentos sociais, você conta nos dedos. as mídias servem desde que você tenha conteúdo necessário para atrair as pessoas. o tipo de conteúdo hoje, que pode ser dentro dessa mídia atrativo e chamariz, é que continua sendo aquele de caráter humanista. eu, portanto, não sou nunca e não serei, dentro do que está acontecendo tecnologicamente, alguém pessimista, ao contrário, sou extremamente otimista, no sentido que esse avanço todo nos deixará, não só mais próximos, mas também mais seletivos. é um processo cultural e todo processo cultural é seletivo. isso não teria papel nenhum, nenhuma importância, se a razão disso não tivesse raízes sociais, se não tivesse parte das aspirações do povo. não é o meio em si que resolve. é se o meio desperta expectativas que estão postas na sociedade, ou demandas que estão postas já na sociedade.

p - e a 'onda' de invasão de privacidades?

r – isso é tão velho, quanto o mundo. a única coisa que hoje está tendo, é que está potencializado pelo avanço da tecnologia. os espiões sempre existiram, os olheiros dos reis sempre existiram. faz parte da história da humanidade. não é uma questão de culpa, isso é inerente à existência humana. faz parte da estrutura e da vida das pessoas. faz parte da estrutura da vida da sociedade. sempre tiveram, sempre ocorreram denúncias, dedo duro, informações, espionagens, tudo, sempre....

p – você acha que mundo está se preparando para viver, se for o caso, na ausência dessa tecnologia? nas instituições, quando o 'sistema' está fora do ar, nos mandam retornar no dia seguinte, sem nos apresentar uma saída, uma segunda opção....

r – a tecnologia que está desenvolvida aí, ela já faz parte da sua vida. o não funcionamento delas, é o ônus desse avanço, ou seja, aprender a conviver com essas possibilidades é um risco tanto quanto é uma vantagem você ter à sua disposição. tudo tem verso e reverso. nenhum avanço é totalmente avanço, nenhum retrocesso é totalmente retrocesso. tudo na história da humanidade tem prós e contra. pode haver um bug internacional, por exemplo, com uma quantidade de transtornos, porém, o próprio homem depois encontraria uma forma de solucionar. não há razão para temer. quando as coisas ocorrem na história, ocorrem. não há retrocesso. não tem retorno. mudaram-se os paradigmas, e uma vez mudados os paradigmas, não adianta chorar mais. não se voltará para a caverna. mudou o patamar do avanço tecnológico, não se voltará mais. a cada avanço, corresponde responsabilidades novas.

p - o século xxi é de prestação de contas?

r – não vejo assim. o século xxi é extraordinário do ponto de vista do futuro, do prazer, do tempo do ócio, do escrever. acabaram-se as fronteiras. é tempo do usufruir de tudo aquilo que se plantou. estão diminuindo as hegemonias. ontem, fui para um encontro com 40 pessoas, todos católicos e lhes disse: não é que o catolicismo acabou, vão na comunidade de vocês e perguntem como é que eles vivem. e lhes responderão: a gente aprecia o princípio da família, a gente gosta do respeito.... quem deu isso pra eles? foi o cristianismo e o humanismo cristão. não precisa que o cara esteja na igreja. na verdade, o que vocês estão com saudades é do período em que as igrejas estavam cheias. eu não estou com essa saudade. hoje eu converso com as pessoas que não vão à missa, não vão aos sacramentos e que são cristãs tanto quanto eu, que querem bem aos outros, que não têm preconceitos, que são capazes de amar aos outros.... onde essas pessoas foram formadas? pelo catolicismo, pelo espiritismo, hinduísmo.... então, esse negócio agora que todo mundo venha para a igreja e participe dos ritos.... não será mais assim, as igrejas terão outros papeis, vão ter que servir para outra coisa, como a cultura, música, museus, encontro das comunidades, aulas públicas.... o que eram as basílicas em roma, antes do cristianismo, antes do constantino? eram templos pagãos. quer dizer que o cristianismo acabou? não. nunca vi uma sociedade tão religiosa quanto essa que estou vendo aí. é mentira que a religião não tem mais o seu papel. não tem mais o papel que a gente achava que era da religião. a religião começa a assumir agora o seu verdadeiro papel. olha o sucesso que faz chico xavier, misticismo do harry potter, matrix, avatar.... século xxi.... e pena que vou viver pouco dele....(rsrs).

p – maria sylvia nunes disse-me, em entrevista, que há um tempo nas artes, de retorno, para que possa encontrar o seu caminho....

r – concordo. isso é uma expressão que a ciência adquiriu por volta do século xvi. a vida é feita de idas e vindas, a gente vai e volta, ela não é linear. certo autor dizia: cuidado, a evolução não é necessariamente pra frente, ela pode ser também de retorno, também é evolução. às vezes a gente precisa usufruir, degustar coisas do passado pra ver o quanto do passado está dentro do presente. pra mim é evidente quando observo músicas e poesias contemporâneas, e dizem que não tem poesia boa no mundo, tem sim. e o que é mais interessante, é o exercício de ver o quanto nessas produções estão presentes valores antigos, importantes de toda a humanidade, da história da humanidade. é uma degustação sem culpa, de um acervo cultural que é de todo o mundo. graças à deus estão acabando as ideologizações das artes – arte comunista, arte capitalista, arte engajada, arte de isso e aquilo.... não, é o homem. o que não estamos sabendo enfrentar? não são os sistemas ideológicos que contam para a juventude. são as pessoas, são as relações. isso é um desafio novo pra nós, da minha geração, porque estávamos habituados a trabalhar com a verdade, e eles não. eles estão abertos, o que lhes interessa são as pessoas, as ideias, a beleza, a coisa boa.... ah, mas tem a violência, dizem.... cuidado, porque a violência tinha mais ainda no passado, e em termos relativos, a idade média foi mais violenta que os dias atuais. eu defendo, veementemente, que o melhor tempo é este. não é outro, é o que se vive. não é somente porque é o meu único possível, porque o passado está aqui, porque o futuro está aqui. é bom porque é esse que me cabe, mas sobretudo ele é rico, porque é resultado de tudo que já foi posto, então é impossível ser pior. tudo que veio de bom ficou, não foi embora. há uma coisa que deveria ser proibido: querer viver a perfeição ou a eternidade. precisa ser muito deus pra aguentar.

p – como você vê a comissão da verdade, sobre a época da ditadura? você viveu esses momentos?

r – eu vejo que esse tipo de reivindicação, é impossível não acontecer. mais cedo ou mais tarde, viria. considerando que as correlações de forças não se esgotaram, nós estamos em pequena vantagem, nós, democratas. entretanto, os outros não estão mortos. a tecnologia, a sociedade avançada, o mercado, a informática, não nos transformou em iguais, estamos ainda diante de conflitos extraordinários. eu não posso perder de vista isso. trabalhar com a comissão da verdade, recuperar a memória daquelas pessoas que sofreram em decorrência da intransigência da ditadura, precisa ser feito, é desejável, afloraria mais cedo ou mais tarde, mas precisa saber fazer, porque os conflitos não morreram. eu pessoalmente sofri inspeção, acompanhamento, fichamento indevido, visitas permanentes nas salas de aula no início dos anos 1970.... segundo os caras, nós éramos uma célula do comunismo. uma bobagem que não tinha tamanho.

p – e a presença do papa na américa latina?

r – eu só espero que não queira ser uma espécie de purgação e limpeza de cuba, no sentido de fazer com que cuba tenha que pagar agora pelos eventuais erros, porque teria que fazer também nas ditaduras de direita.... embora tenha condenado o nazismo. mas que não venha apenas para condenar, tem que entender que cuba representa uma grande resistência.

p - e essa 'briga' da dilma, com o parlamento?

r – não há. a maior preocupação da dilma hoje, é a doença do lula. ela veio para quatro anos. e, se tudo sair como eles pensam, lula volta para apaziguar. é a minha análise.

p – como você analisa américa latina?

R – américa latina é um continente, que lamentavelmente tem uma elite reduzida e uma grande massa, ignara. isso foi o grande presente das merdas das ditaduras na américa latina, dos anos 1960 pra cá. nos atrasaram politicamente. nos atrasaram educacionalmente. e portanto, nos retiraram a possibilidade de acompanhar o mundo, no processo civilizatório, de civilidade, de cultura, de avanço econômico, de avanço educacional.... então, hoje nós estamos pagando isso. porém, eu tenho medo ainda, que é a perpetuação das lideranças populistas – a velha tradição caudilhista.

p – para encerrar, como entra a música na sua vida?

r – minha música é intuitiva. escrevo mais do que componho musicalmente. esta paixão vem de guri, desde santarém, onde nasci. venho de uma família de oito filhos, quatro meninas e quatro meninos. tenho duas filhas, ana carolina matos(audiovisual) e ana clara matos(música). as duas envolvidas com artes. eu não consigo largar a música. o novo disco será lançado no segundo semestre, e o livro, brevemente. um 'pedaço' inédito:

[….]
morro a cada dia que passa
mas não perco a vontade de viver.
[….]

[….]
tudo muda nada muda
é a verdade.
[….]

- entrevista concedida no apartamento do escritor, em 23/03/2012.

março 19, 2012

memória é identidade, sem constrangimentos


aos poucos, a imprensa oficial do estado(ioe), vai se distanciando da sua prática gráfica, tão somente. obras para serem impressas, agora passam pelo filtro de qualidade, credibilidade, confiabilidade. mudanças profundas, para quem trabalha com a memória, principalmente.

ana carmen palheta alves, 40, diretora de documentação e tecnologia do órgão, faz o exercício da aprendizagem que vem da cadeia do conhecimento através do jornalismo e mestrado em comunicação e imagem institucional, este, realizado em buenos aires, argentina.

carmen palheta trabalha com a memória. várias peças literárias estão sendo revisitadas para que sejam acopladas informações complementares, como créditos e históricos autorais, além da checagem na pesquisa. um braço da avaliação, para evitar os constrangimentos de conteúdo, bem como, possíveis problemas de legalidade. e tudo se desenvolve no diálogo com o autor. 
paulatinamente, vamos zelando pela nossa memória, com todas as suas implicações formais, com a preocupação para não cairmos no rótulo local, quer dizer, fechando o tema latinoamericano, sem perder de vista a mesma característica.
jorge luis borges, em discussão(companhia das letras, 2008), levanta a questão do ser argentino – creio que a nossa tradição é toda a cultura ocidental. já adolfo bioy casares, em histórias de amor(l&pm, 2008), reflete sobre a presença de argentinos em todo o mundo – o quanto encompridou. ambas citações me fazem o corpo introdutório para a obra de adriana morán sarmiento – buenos aires, la outra cidad – una mirada del extranjero em tránsito(buenos aires, 2009): são dez propostas teóricas produzidas por estrangeiros em trânsito no país vizinho. duas de peru, venezuela, brasil e colombia. uma de ecuador e uruguay. uma das propostas de brasil, é de carmen palheta – un paso por la memória – sobre cómo la historia de los outros deja huellas en nuestra propia vida. fala do incêndio ocorrido em dezembro de 2004, quando 194 jovens morreram em um show musical. carmen morava às proximidades do local. o livro já foi lançado na venezuela e na argentina.
a sua tese de mestrado retrata a memória da banda de música do município de vigia. memória e identidade. 'em buenos aires é muito forte a memória, por causa da ditadura. é o tempo todo essa questão do estudo e do resgate. lá, o curso de comunicação é de seis anos, se formam como comunicólogos, tratam a comunicação de uma maneira mais ampla. você percebe que eles têm um ótimo preparo teórico', conta-me palheta. no convívio com a língua espanhola, uma das ideias de carmen é expandir o pensamento em cima das palavras que são falsas amigas(español e português).

- entrevista concedida na sala de carmen palheta(diretoria de documentação da ioe), em 19/03/2012.
- imagens: cris moreno 

março 15, 2012

tecnologia da informação: entrevista com rafael cerveira

 
imagem: cris moreno
rafael cerveira coelho de souza, 29, bacharel em ciência da computação pela universidade da amazônia(unama), é o coordenador de tecnologia da informação, da rede cultura de comunicação. para cerveira, a discussão atual sobre invasão de privacidade na internet, 'alguém ganha com isso'.

a fabricação dessa insegurança em boa parte é criada pelo governo americano, na minha opinião. a mania de perseguição, situações conspiratórias exageradas, acabam sendo um hábito comum, e se utilizam dessas justificativas para invadir a privacidade alheia, uma constante naquele país, bem como o inverso, nos casos em que o governo é exposto, como no site wikileaks, por exemplo.
 
é claro que há casos bem menos complexos em relação a isso, podemos citar as redes sociais, blogs, postagem de vídeos que constrangem o usuário, e o mais danoso que é a manipulação de seus dados pessoais por terceiros', esclarece.

e o que nos aguarda o futuro, sobre novas tecnologias, ainda pode ser, segundo o coordenador, a tendência de criar cada vez mais equipamentos menores. com relação ao livro eletrônico, não irá vingar, por conta da acessibilidade semelhante nos demais produtos. e depois, o bom e velho livro de papel não corre o risco de ser roubado em qualquer lugar, comparando com a peça eletrônica, mas, há saídas, para esse caso, como o exemplo de uma funcionária da cultura que coloca o livro eletrônico dentro de um livro de papel, como se fosse uma caixa protetora, ressalta cerveira.
 
avançando nos assuntos da área, entramos na fibra ótica, que é a maneira mais rápida atualmente, de conexão com a internet. estão desenvolvendo novos tipos de fibra, novas técnicas de emissão de luz, dentro da fibra, para aumentar a velocidade. o estado dispõe de uma rede de fibra boa, só que para o interior(municípios), ele utiliza a rede de fibra da eletronorte. o único problema do estado é o contrato com a oi, que quando sai do ar, as empresas atendidas pelo navegapará ficam sem acesso a internet. não há um plano b, ainda, situação que será brevemente solucionada pelo presidente da prodepa(theo pires), onde vem incluír até o plano c, segundo ele próprio em um encontro na sedect (secretaria de desenvolvimento, ciência e tecnologia) . 
 
a funtelpa(cultura) é atendida pela prodepa com 20 mega de banda e gera um tráfego diário de 8 a 10 gigas, explica rafael cerveira, para compreensão da não disponibilidade do youtube em vários departamentos da cultura.
 
na sua gestão, o trabalho de mudança iniciou com a troca do e-mail corporativo, utilizando os serviços do google, contratação de novos estagiários e duas mudanças na equipe, intensificação da migração para o linux, troca dos servidores e do provedor de serviço de streaming do portal cultura (agora com a prodepa - empresa de processamento de dados do estado do pará), o que está possibilitando a transmissão direta dos jogos de futebol (parazão), com muito mais qualidade e cerca de 1.200 acessos simultâneos por jogo, além de super equipamentos que ainda serão adquiridos para o departamento em 2012, sem contar com a constante renovação das máquinas em cada setor da instituição.

- entrevista concedida no departamento de ti da cultura, em 13/03/2012.

animação para a televisão: thiago da conceição: entrevista


thiago figueiredo da conceição, 31, jornalista e animador 3d. com um longo e significativo portfólio, da conceição está no departamento de criação da cultura. nada mais adequado, diga-se. com ele, fiquei sabendo que a cultura irá abrir edital para animação, na televisão. aposta para o futuro.

imagem: cris moreno
thiago da conceição vem de são paulo, onde residia, local em que o mercado de trabalho está cada vez mais promissor, nessa área. o jornalista que nunca exerceu a profissão, fez passagem pelas vinhetas publicitárias e políticas, computação gráfica, até descobrir a animação, que é o que eu mais gosto de fazer, revela. confira os seus trabalhos:

flock e a sonda:

unimed idade interior:

animação:

referência de vídeos:

dvd miritis:

- entrevista concedida no departamento de criação da cultura, em 13/03/2012.

março 05, 2012

Jorge Amado na Unama e 'Fuxico' no Pátio Belém


No ano de seu centenário de nascimento, o escritor baiano Jorge Amado ganha homenagem na programação cultural que a Universidade da Amazônia (Unama) promoverá nesta terça-feira, dia 6, a partir das 17h30, no Auditório David Mufarreja, Campus Alcindo Cacela. Haverá projeção do filme “Capitães da Areia”, adaptado do romance de Amado e roteirizado por Cecília Amado, neta do escritor, e, em seguida, debates com professores, mestres e doutores, a partir das 19h10.
 
O debate sobre a obra desse grande nome da literatura brasileira e mundial vai reunir especialistas, como os professroes Francisco Cardoso, Ivone Maria Xavier de Amorim Almeida, Gutemberg Armando Diniz Guerra, Paulo Nunes, Stela Pojucy de Moraes e Luciana de Moares Rayol.  O romance “Capitães da Areia” foi publicado em 1937 e mostra a realidade de crianças e adolescentes abandonados na Cidade de Salvador (BA), nos anos 30.  

A reitora da Unama, Ana Célia Bahia, participará do evento intitulado "O Brasil de Jorge Amado - perspectivas multiculturais". Tudo aberto ao público interessado em conhecer mais sobre o autor de "Gabriela Cravo e Canela", "Tieta do Agreste", "Dona Flor e seus dois maridos" e "Mar Morto", entre outras obras.

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Fuxico garante renda a mulheres
 
imagem: cris moreno
Quem gosta de se vestir bem e inovar no visual, sem gastar muito poderá conferir as alternativas da mostra de produtos de fuxico (técnica de confecção de roupas e acessórios a partir do aproveitamento de retalhos e sobras de tecidos que seriam descartados no lixo) que a Associação de Mulheres Vivendo, Convivendo e Vencendo (o vírus HIV da AIDS) - Viconve -, os alunos do curso de Moda da Universidade da Amazônia (Unama) e a administração do Pátio Belém promovem a partir das 14 horas desta segunda-feira (5) no 3o piso desse shopping center no Centro de Belém. O evento vai das 14 às 20 horas de hoje (5) até este sábado (10).


imagem: cris moreno
No local, além da exposição de 50 peças, as costureiras e os universitários irão ensinar a mulheres e interessados em geral como  customizar confecções e acessórios de moda por meio do fuxico no próprio local da mostra. “Essa é uma oportunidade para que nós da Viconve possamos divulgar o nosso trabalho, porque o grande desafio para a associação, que integra o Comitê Arte pela Vida, é dispor de um local para canalizar, vender a produção”, afirma Amélia Coelho Garcia, uma das coordenadoras da entidade. Ela destacou que na preparação das peças para venda na URE-DIPE da Sespa, na Vila Isabel, entre Djalma Dutra e Magno Araújo, no bairro do Telégrafo, as integrantes ganham amigos e simpatizantes da causa para o trabalho.


imagem: cris moreno
A cada mês, a Viconve prepara até 40 peças para comercialização ao público – nos seis dias de mostra no Pátio Belém haverá peças como almofadas, bolsas, vestidos, blusas e colares entre outras. Na semana passada, alunos da Unama e as costureiras da Viconve reuniram-se em duas oficinas de fuxico no Laboratório do Curso de Moda no Campus Alcindo Cacela, trocando experiências e conhecimentos sobre as possibilidades do fuxico no universo da moda e geração de renda e emprego.


imagem: cris moreno
Participar dessa ação é muito bom, porque  é um adicional ao curso e poder repassar essa técnica ao público vai ser muito interessante”, comenta a universitária Ana Laura Bahia Queiroz. A mobilização dos 20 alunos de Moda da Unama é coordenada pelas professora Edila Porto, Lucilene Lobato e Lucilinda Teixeira.


imagem: cris moreno
Esse é um trabalho que vai além da criação, tem todo um lado social em que a comunidade nos ensina muito sobre a arte e o contexto dela e pudermos contribuir com a divulgação da produção delas é muito incentivador para nós, estudantes”, afirma a aluna Marcela Araújo, entre os participantes da mostra de fuxico relacionada ao Dia Internacional da Mulher, que transcorre nesta quinta-feira, dia 8 de março.



fonte: eduardo rocha, jornalista