junho 10, 2015

bate-papo com amigo juca

acredito que esse evento foi o primeiro sobre o assunto, por cá. um gostoso e produtivo bate-papo com o amigo juca, que não está mais entre nós, assim como, a faculdade também. o quinta emenda era 'o blog', a polêmica pulsante. o que não saia na mídia, podias ter certeza que estava no 5ª. foi uma marca. confira.



BATE-PAPO COM O JUVÊNCIO ARRUDA  
BLOGS NA LIVRARIA JINKINGS 09/03/2007
 PROMOÇÃO FAZ / FACULDADE TECNOLOGIA DA AMAZÔNIA
CURSO DE COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL / TURMA: 711
DISCIPLINA: MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA
PROFESSORA: JORNALISTA CRISTINA MORENO


"Agradeço a presença do professor José Augusto Fernandes, presidente da Mantenedora da FAZ, professor Alberto Damasceno, Secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Carolina Jinkings, por ceder o espaço, aos blogueiros Bruno(Direito & Esquerdo), Walter Jr.(Caneta sem Fronteira), Luciane(Simplesmente Lu), Mari(Aquarelas da Mari), Pedro(Pedro Nelito), Ivan(Revelações de Minha Alma), Rubens Meireles(dançarino profissional), Bia(Bibliotecária e amiga), aos alunos da FAZ , professora Cristina Moreno, ...

Eu não saberia dar uma palestra, falar sobre Blog durante 40 ou 50 minutos sobre blogs, eu preferia descrever mais sucintamente o que é, e quanto mais tempo nós destinarmos às perguntas, ficará mais agradável.

Podemos começar pensando em responder o que é um Blog, embora todo mundo saiba, freqüente e tenha um. A definição, conceito mais comum que encontramos sobre Blog, são diários pessoais. É uma definição correta. Realmente eles têm uma marca autoral muito forte, muito presente. Eles são a cara dos donos mesmo quando a gente acha que não é. Mas, são sim. Só que de um tempo para cá, pela penetração e pelo sucesso que esse tipo de mídia tem feito, eles estão alargando um pouco mais esse conceito de “diário pessoal”. Mantendo-o pela questão da autoria. Mas eles já são, também, espaço de comercialização de produtos, espaço de difusão de causas corporativas, políticas, empresariais, associativas de toda ordem. Eles também são instrumentos de troca de músicas, imagens, quer dizer, ampliou-se bastante, o que era apenas um diário pessoal.

A segunda questão, que eu acho que todo mundo sempre se pergunta, é  por que, de uma hora para outra, fala-se tanto nele? Eu desconfio que, em parte, a imprensa não fala muito. Em parte a imprensa deixa muita coisa naquele espaço que fica entre a redação e a direção do jornal. Não é que os colegas não apurem, não é que o espaço não aconteça, não surja. Mas é que os jornais vêm de estrutura, e ainda estão nelas, de estruturas empresariais bastante fortes e em todo o mundo, talvez aqui, em uma medida maior, por conta do atraso que a gente ainda atravessa. Em todo o mundo, as empresas jornalísticas têm uma inserção, uma ligação muito forte com o estado, com os setores produtivos, enfim, e de certa forma há uma coalizão de interesses que faz a imprensa ter uma postura mais recatada que a dos Blogs.

O terceiro comentário, toda vez que a gente conversa sobre Blog e vem muita essa questão: seriam os Blogs tão liberais, independentes e democráticos assim ? Por que, que alguns Blogs moderam comentários? Censuram comentários como querem alguns e outros liberam completamente? Eu aproveito essa pergunta para explicar o por quê do nome do meu Blog.


A Quinta Emenda é uma inspiração jeffersoniana(Thomas Jefferson), à Constituição americana. É uma Quinta Emenda à Constituição americana. Ela em resumo, perdoem os advogados, não é a minha área, em resumo, ela quer dizer o seguinte: “todo cidadão tem direito a não produzir provas contra si mesmo”. Francamente, eu devo conhecer e se conheço, um ou dois princípios do Direito tão relevantes quanto esses. Foi com base nesse princípio, que o Supremo Tribunal Federal, ano passado, e ano retrasado, liberou todos os envolvidos no escândalo do mensalão e adjacências, de responderem às perguntas das comissões parlamentares no Congresso Nacional. O que aparentemente revolta a opinião pública porque parece que a Justiça está acobertando o possível meliante. Não é verdade. A gente tem que, apesar de toda a vontade de ver as respostas aparecerem, mas temos que admitir que é um princípio do Direito, absolutamente basilar. É esta quinta emenda que foi o mote que gerou o roteiro daquele filme muito premiado chamado o Povo X Larry Flynt, que conta a história de um editor americano de revistas pornográficas e foi processado por uma das ligas católicas, conservadoras, e quando o processo foi para a Suprema Corte, ele invoca a quinta emenda para não produzir provas, não colocar-se em situação pior do que já estava.

A quinta emenda também aqui no Brasil tem uma outra faceta, que acho que juridicamente ela também é conhecida como exceção da verdade. Que permite ao jornalista não revelar a sua fonte, nem em juízo, desde que assuma a informação da fonte. Então, alguns dizem o Blog A, B e C liberam os comentários e, D, F e G não liberam. Eu modero os comentários do Quinta Emenda. Por que? Eu não posso, eu não devo, acho, até em nome de quem ainda depende diretamente de mim, do ponto vista material, como os meus filhos, não podem estar sujeitos a uma circunstância de absorver um comentário anônimo. Não é que traga o contraditório. O contraditório é bem vindo. O que ele não pode trazer é uma acusação, ou uma formulação grosseira, malina. Essas eu faço. Porque eu escrevo o meu nome, eu assino embaixo. Então para mim, o limite do post são as minhas palavras. Quer dizer, o limite no sentido do ataque. A divergência, a discordância, a condenação fica a vontade para qualquer um. Mas eu acho que os blogueiros, quase todos os Blogs moderam os comentários. O que é um problema. Porque os Blogs grandes mantém equipes, pessoas para moderar comentários. Eu não tenho interesse e nem condição de montar uma estrutura. Nós temos que administrar pessoalmente  comentário por comentário. E quem tem Blog sabe que isso demanda tempo. E muitas vezes a gente erra, permite um comentário que depois se arrepende, ou o inverso. Bloqueia um comentário e mais adiante...o erro é da condição humana no exercício de qualquer atividade. Eu não carrego nenhum sentimento de culpa por isso.

Que outras questões nós poderíamos de falar de Blogs? Os Blogs e o seu impacto na grande imprensa. Quem tem Blog está mais afeito ao tema, quem não tem, é bom saber. O jornal mais antigo do mundo, hoje, é apenas virtual -  A Publicação oficial da Suécia para anúncios de concordata, empresas e governo, o The Post Och Inrikes Tidningar tem sido publicado diariamente desde 1645. De acordo com a Associação Mundial de Jornais, trata-se do mais antigo. Mas nem tudo está perdido. Três cópias de papel do jornal serão feitas e arquivadas em bibliotecas universitárias para manter a tradição.

Hoje, pesquisadores americanos, da formação da cultura científica americana, a modelagem americana, estima para o mês de abril, do ano de dois mil e quarenta e pouco, a última edição impressa, de um jornal nos Estados Unidos. Claro que isso é um modelo, uma suposição, mas a tendência é irrefreável da substituição progressiva dessas mídias. Por todas as razões. Desde a razão ambiental – o papel é sujo, ambientalmente falando, a blogsfera não. E depois a portabilidade. A internet está dentro dos aparelhos de celular. No ano passado, aqui no Brasil, já foram vendidos mais computadores do que televisores. E nós temos no Brasil hoje, funcionando, cem milhões de celulares, claro, que poucos deles têm a condição tecnológica de acessar a internet. Mas daqui a dois, três, quatro anos, o produto eletrônico cai de preço, mediante o aumento da oferta, e todos nós vamos poder ter um celular que vai fazer isso também, não é extinguir...

Outro dia fazia um comentário em um Blog em Santarém, um sujeito reclamando, por exemplo, sou contrário a essa coisa de anunciar resultado de vestibular pela rádio, isso cria uma sensação, nem é coisa provinciana, mas cria uma relação de pressão sob a instituição e de nervosismo em cima do aluno. Pouca gente sabe disso, mas nós temos o maior vestibular do Brasil em uma universidade pública, e aqui mantemos essa tradição. Uma pessoa comentou “que pena, o rádio é a maior mídia na Amazônia”. Não é mais. Lamento dizer que não é mais. Porque o satélite joga imagens para tudo quanto é lugar. A onda de rádio tem problema de propagação em região de floresta, então você terá também, dentro do seu celular, o seu radinho. Agora, aquele que sentir saudade da estática do rádio, e eu sou um deles porque eu com seis, sete anos, hoje tenho 51, o meu pai ouvia a voz do Brasil, a edição em português da Voz da América e me chamava para sentar do lado dele. Então eu também tenho saudade daquele santo rádio. Aquilo muito bonito, mas, o meu filho, por exemplo, não tem mais.

O novo troca de atores, portanto, acho que essa questão será superada. Uma das razões dessas substituições, é a portabilidade que esse mídia internet tem, em comparação com os outros veículos. O imediatismo, e por último, e que considero mais importante, postei isso há uns três dias, o El País, jornal espanhol, de grande prestígio na imprensa mundial, publicou que se somassem tudo que foi produzido de conteúdo no ano de 2006, de conteúdo informativo nas diferentes mídias, dava para embrulhar a terra quatro vezes, algo como 1,6 bilhão de gigabytes. E ai, o grande detalhe, 70% desse conteúdo produzido pelos usuários. Essa é a chave da diferença. Não é só a interação. Eu falo. Eu tenho voz. Meus assuntos discuto com 50, 30, 100, 500, depende do número de acessos do Blog. Mas, na hora em que 70% dos usuários produzem o conteúdo de um mídia, acabou.

Eu acho que o Blog vai passar, enquanto mídia, enquanto moda, esses dois conceitos estão muito associados na comunicação, mas ele vai ser superado por outras mídias a partir dele. O futuro nessa área é muito grande, não dá para correr dela. Não sou dos que acham que no futuro todo mundo vai ter um Blog, acho até um certo exagero. Ao contrário, pelo menos todos esses Blogs amadores, como os nossos que estão aqui, a tendência que eu vejo, é se reunir em grupos, pelas mais diversas afinidades que você possa imaginar.Exemplo, vai ter um Blog de gênero. Mulheres vão fazer um Blog. O pessoal da terceira idade vai fazer um Blog. Os comunistas vão fazer um Blog. A tendência é contemplar todas as afinidades. Ou mesmo, pelo compartilhamento de valores comuns, outro exemplo, jornalistas de diferentes posições podem se reunir e externarem seus contraditórios em um Blog em conjunto. Esse é o meu sonho.


Eu gostaria de hoje parar o Quinta Emenda e começar um outro Blog, com mais meia dúzia, oito, nove, e escrever durante a semana, dividindo com outro colega. Estou há quase dois anos acordando às cinco horas da manhã, todos os dias, e não é mais por relógio, por despertador, é a neura mesmo. Durmo cinco horas por dias, perco hoje cinco, seis horas por dia com o Blog. Uma conta de telefone celular que eu não posso manter, por que é uma brincadeira, no sentido da materialidade da ação. Não tenho financiamento e nem quero e nem vou. Já tive propostas, não é o caso. Abri o meu Blog para me livrar de uma depressão que estava se aproximando e foi a melhor coisa que eu fiz. Acho que é uma terapia que eu recomendo para quem se sentir ameaçado, abrir um Blog.

Vamos ao bate-papo?

P - Independência da mídia x independência dos Blogs:

JA - Não existe paraíso na terra. Eu não reconheço nenhum jornal, mas também nenhum Blog, nem o meu, como independência absoluta. Acho que esse estranhamento ao objeto, que é o pressuposto da observação científica dos fatos, ao menos uma das grandes correntes da metodologia da ciência, isso não existe no limite. É claro que você é convidado e deve se esforçar para estranhar o objeto, ou seja, ser absolutamente neutro, mas não existe neutralidade. De alguma maneira, em maior ou menor medida, para um ou para outro, dependendo do momento, há sim, uma vinculação, uma simpatia, uma aproximação, um temor, uma pressão, seja o que for, agora, evidentemente, que os Blogs, justamente por esse relativo descolamento, eles estão menos sujeitos, mas também estão sujeitos. É bobagem a gente advogar aqui ou ali. Acho que todo mundo tem sim alguma coisa que quer esconder ou que não quer que ninguém descubra. Então eu acho que a gente deve ver sim, com reservas e com ressalvas e deve cobrar.

Por exemplo, o Mino Carta, editor da revista Carta Capital, um dos grandes jornalistas brasileiros, ele disse uma coisa interessante: o problema não é você ser comprometido ou não, enquanto imprensa, com determinado grupo político. O problema é você não declinar isso ao seu leitor. Parte da mídia americana, da mídia inglesa, faz isso. Claro que a mídia brasileira não faz. Ele(Mino) faz. Ele diz. “Gosto do Lula. Sou amigo do Lula há 30 anos”. Então o leitor do Mino Carta vai ler a revista, a melhor do Brasil, sabendo disso. Ele(leitor), vai saber filtrar a informação. É preocupante a situação da imprensa, mas os Blogs não estão fora disso. Eu acho até, que a diferença entre eles(Blogs) e a imprensa, será muito na medida desse afastamento que eles consigam, em uma maior independência.

P - Com relações aos codinomes nos comentários dos posters:

JA - Quanto mais você disfarçar o objeto da crítica, em tese imagino que menos sujeito você está, talvez esteja mais difícil precisar. Dependendo da nota, dependendo do assunto, você pode abrir mais ou abrir menos a informação. Várias vezes eu já coloquei posts que eu não abri os nomes dos personagens, e alguns comentaristas ficaram revoltados. É normal que se revolte com o fornecedor da informação incompleta. Mas, muitas vezes, o leitor comum não compreende que a informação não pode passar de uma vez, sob pena de criar, por exemplo, esse tipo de problema, para o emissor da informação.  Quando alguém bate e abre, você linka. Mas eu acho melhor, na dúvida, não ultrapasse.

P - Se jornalista independente em Belém tem vínculo a um grupo político:

JA - Não fui aluno, não sou amigo, eu tenho encontros fortuitos, tenho uma profunda admiração, profundo respeito pelo Lúcio Flávio Pinto. Acho, sem dúvida nenhuma, que é o maior jornalista paraense de todos os tempos e nacionalmente está neste patamar. Não creio que o Lúcio esteja vinculado a algum grupo político. Não acredito. Mas acho que o Lúcio, como ser humano, também é prisioneiro disso, que todos nós somos, e acho maravilhoso, que pelo menos em alguma coisa somos iguais, nessa cadeia, dessa humanidade. E acho que o Lúcio também traz, revela, questões pessoais que ele tem. Acho que ele enfrenta uma luta duríssima, solitário, há mais de 20 anos.

P - O que faz um Blog ser famoso? É o tipo de assunto?

JA -  Eu acho que não é o assunto específico. Eu vejo Blogs de sucesso em todas as áreas. O Blog tem que agregar alguma coisa diferente do que está na praça. Ninguém lê coisas iguais. E nesses coisas iguais, muito parecidos, eu fico com os símbolos mais antigos, respeitáveis, confiáveis, tradicionais. É inegável que a polêmica é o elemento fundamental. Tem gente que radicaliza e diz que “o Blog ou polemiza ou morre”. Não diria tanto, mas acho que o Blog tem que polemizar sim. O diferencial do Blog, de ser esse diário pessoal, essa visão pessoal, talvez ele aproxime mais as pessoas do que o leitor dos mídias tradicionais, além da capacidade de informação.

Você tem que agregar uma informação diferente da que está na concorrência. Nos outros Blogs, na mídia impressa, na televisão. O que não é difícil, se você tem uma rede de contatos que participa daquilo, que a gente já falou que a imprensa tem filtros. Se você tem amigos que participou de uma reunião na casa do secretário tal, dia tal, e ai começa a conversa. Você coloca ao lado da notícia que está no jornal, tens alguma coisa a mais para dizer.

Eu tenho uma fonte que brinca muito comigo que diz que eu dava para ser estilista, desenhar roupa para mulher, porque eu sempre perguntava como estava a roupa da vice-governadora, da presidente tal, sim, porque as pessoas não vêem e nem lêem isso, as pessoas gostam de saber disso. Ele me diz então, tu queres saber até o vinho que o Lutfala serviu no jantar. Claro, ele é o Cônsul do Chile, então se o vinho não fosse verde, dava uma nota. Essa história até provocou uma amizade que dura até hoje entre ele(Lutfala) e o Guilherme Augusto, um dos colunistas prediletos, do lado esquerdo do peito. E eu passei a informação para o Guilherme e ele publicou. Eu não tinha Blog nessa época. E o Lutfala ligou para ele e são amigos até hoje. Eu acho legal contar o cenário.

P - Divulgação de Blogs no mundo:

JA - Existem concursos internacionais já. Muito interessante. Inclusive ano passado, um Blog de Macapá foi premiado, o Blog da Alciléa, amiga do Walter(Caneta sem Fronteira), porque ela liderou uma campanha duríssima contra o Sarney e ele conseguiu tirar o Blog dela da uol. Ela entrou na Justiça. E a notícia se espalhou no mundo inteiro, recebeu apoio até dos Jornalistas sem Fronteira. E recebeu um prêmio. O prêmio serve como uma espécie de blindagem. Ela já tem reconhecimento na área.

P - Tipos de Blogs:

JA - Tem um Blog impressionante que é o do Maestro Billy, Ele tem um programa em uma rádio FM de São Paulo. É um Blog sofisticadíssimo em termos de recursos técnicos. É um Blog só de música. Existem muitos Blogs e todos fazendo sucesso em todas as áreas.



P - Como foi criado o Blog Quinta Emenda :

JA - O que me levou a criar o Quinta Emenda foi uma relativa disponibilidade de tempo e a visualização de um processo depressivo que estava se aproximando pela primeira vez, com 50 anos de vida. Eu estava sentindo que a vida estava muito igual. E eu já freqüentava um Blog de um amigo em Santarém, e ele me pediu para fazer uma campanha para o Blog dele(outdoor, spot para rádio,...). Mas eu não sei o que é isso. Preciso de uns 20 dias para entender o que é isso. E fiquei esse tempo enfurecido na internet. E encontrei, nessa busca, uma amiga que foi minha estagiária na UFPA, no início dos anos 90, na Academia Amazônia, e hoje em dia ela é doutora em Ciência da Comunicação, e a área focal é exatamente o que ela chama de fenômenos da pós-modernidade na internet. Nós fomos colegas no mestrado em Comunicação na Metodista de São Paulo. E trabalhei no Blog do Jeso Carneiro, de Santarém. E depois pensei “vou já experimentar em fazer um Blog”. No meu comecei a fazer quatro posts, um dia sim e um dia não. Ele era melhor distribuído nas três áreas – mídia, política e cultura. Hoje o Quinta Emenda tem uma convergência muito forte na área política e, a parte de mídia, eu mesmo tenho abandonado um pouco. O que é interessante, porque vão aparecendo tantos Blogs no caminho e você começando a sentir ultrapassado, coberto, aquecido, acrescido desses outros Blogs. Por exemplo, tem o Pó de Vídeo, do Ronaldo Salame, o Comunicação Militante, do Chico Cavalcante, e tantos outros Blogs com esse enfoque. Portanto, o meu Blog enfoca mais a política.

P - Por que?

JA - Porque eu gosto da área. Eu sou de uma família de políticos. Meu bisavô foi político. Meu avô foi político(morreu no mandato). Saiu célebre com o ditado “fui”. O Afonso Klautau quando ele escreve, de vez em quando ele diz uma palavrinha horrorosa e depois diz “fui”. Porque têm palavras que não são da televisão. Na televisão você só vê e ouve. Você não vê a palavra. Não lê a palavra. Não tem replay. Entendeu, entendeu. Quem não entendeu não entende mais. Então tem palavras que a gente nunca usa. Não tem esposa, tem mulher. O Afonso sempre faz essa observação. O meu tio, meu primo, também deputados. Juvêncio Dias e o filho, André Dias. A política sempre foi tema na minha casa e participei de campanha como profissional de televisão. Fiz muitas campanhas, 11 no total. Para todos os partidos, todos, não há um partido em que não tenha trabalhado.

P - Qual seria o seu novo Blog ?

JA - O meu sonho hoje é “matar” o Quinta Emenda e construir um outro Blog anônimo(rsrsrs).  Mas, eu tenho por norma, não linkar Blogs anônimos, não tem nenhum Blog anônimo no Quinta, embora eu respeite e acolha, em princípio, e por eles, eu apoio anônimos, mas eu não linko um Blog anônimo. Embora freqüente Blogs anônimos, comente, eu até sei quem são os donos dos Blogs. Eles acabam se revelando, não tem jeito.

Meus maiores incentivadores são as pessoas que moram comigo, minha mulher e meus filhos. Porque eles é que vêem o que ele me custa, mas o que ele me traz de satisfação, de recompensa e de diversão.  Eu não posso negar. Dou gargalhadas com o que eu escrevo, com o que recebo de comentários, com as situações que se criam. Eu me divirto muito. Mas a diversão no melhor dos sentidos. De elevar mesmo o espírito, a alma. Mas que eu penso muitas vezes em parar penso. Cansa e significa uma certa pressão. Às vezes a gastrite ataca. É interessante. Tem um programa que eu recomendo para todo mundo que é google analíticos(é o programa do controle de monitoramento dos Blogs), que te dá uma série de informações sobre os teus visitantes. Uma delas, a mais interessante para mim,  é o local da rede. Não quero saber quem é o anônimo. Eu quero saber como ele é. Uma coisa é você entrar anônimo no Blog, ou para me agredir, ou para me elogiar, ou para discordar ou concordar com o post, ou para brigar ou concordar com outro comentarista, mas, chega um momento que alguns comentaristas anônimos querem sacanear o Blog. Eu acho que não é prerrogativa do dono do Blog saber quem é que está fazendo isso. Mas eu quero saber se aquele anônimo freqüenta tais e tais Blogs, participa de tais e tais fóruns, assume tais e tais identidades diferentes. Basta isso para mim. Porque saberei como me relacionar com ele. Eu não quero excluí-lo. Mas já deu vontade de parar sim. Mas não páro não.

P - Qual é o critério da censura no Blog?

JA - Primeiro, os termos em que se dirige. Por exemplo, se o sujeito diz Vic Pires Franco e seu grupo, ele pode dizer o diabo, mas se ele diz Vic Pires Franco e seu bando, o comentário não passa. Eu procuro não aceitar, não moderar comentários pessoais, opção sexual, cor, eu acho absolutamente ridículo levantar esse tipo de questão. A não ser, em casos, onde, a questão pessoal envolve também uma questão pública. Eu cito o caso das sucessivas, incabíveis, escandalosas viagens do sr. Duciomar Costa  a Brasília, todas as semanas, duas vezes, há dois anos. Sob o silêncio de todos. Ai eu acho que ele fazer isso com o meu dinheiro, não concordo.

P - A questão do nível jornalístico na grande imprensa:

JA - O Estado é o maior cliente do produto de mídia. E nos últimos 12 anos. Nos últimos 500 anos, as cinco missões da parcela da mídia não têm obedecido o critério técnico. Audiência, distribuição, periodicidade, toda uma fórmula que calcule isso ai. E não é só aqui, o IVCezal, o Vox Callati, não são exclusividades disso, uma relação muito mais do que empresarial, uma relação de apoio político inclusive. E agora, com a quebra de 12 anos da gestão tucana, e a ascensão da coalizão PT/PMDB, isso deu uma descompactada no arquivo. Está todo mundo correndo para reocupar esse espaço. Julgam-se as famílias, as empresas, não os únicos, mas os maiores habitantes desta terra, e se acham no direito de brindar, com o nosso dinheiro, e abrir o jornal para ver um falando mal da mãe do outro. Ora, faça-me um favor. Acho que não deve voltar esse nível, porque a reação foi a pior possível. Eles refletem isso, a buscar um pela manutenção e o outro pela chegada ao poder. Acho que os dois vão se dar mal. A depender da inteligência da coalizão, mas acho que nenhum vai ficar na posição que achava que iria ficar. Nenhum vai ser destruído.

P - Esse equilíbrio de forças mudou?

JA - Sou economista de formação. Não sou jornalista. Eu trabalho há 20 anos na comunicação. Fiz o mestrado em Comunicação Científica, mas, a minha maneira de ver o mundo, começa na economia. E há um economista que diz que a longo prazo todos estaremos mortos. É muito difícil você pensar a economia a longo prazo. No curto prazo eu acho que esse equilíbrio é bom para todos, porque um quer avançar suas posições de mercado no outro, e o outro também.

E há uma expectativa, ou uma necessidade de, para que você aumente seu espaço no mercado, você tenha um comportamento editorial melhor. Talvez no primeiro momento, depois dessa parada, desse baixo nível, mas eu não tenho esperança de que esses comandos, de um e de outro, sejam capazes de olhar para o que estão fazendo e dizer, não é possível que eu não consiga contratar, no mercado de Abaetetuba, com todo respeito pela cidade, para fazer melhor do que o que a gente está fazendo. Eu não creio que sejam capazes de imprimir uma gestão. Seria preciso se retirar, nomear uma comissão, um homem de finanças, sujeito de mercado, e um grande jornalista, para os três juntos tocar o jornal. Eu não acredito. Acho que a médio prazo. Como também não acredito em terceira via. O PT quer um terceiro jornal. Como é que vai cair de pára-quedas um terceiro jornal? Como é que vai justificar de uma hora para outra isso, em Belém do Pará?. Isso não existe. O avanço é lento, é demorado, a pressão é contínua. Não tem milagres.

Eu acho possível sair um jornal digital. É uma saída. Quem vai começar a fazer isso, são as entidades populares. Eu acredito na forma digital. Acho que a forma digital é que vai reacomodar esses mercados. Eu acho que o problema ainda está mais na recepção do que na emissão. Na hora que você apresenta de um lado de um texto que você assina um anúncio, nada mais explicíto de que aquele cara está anunciando ali, pagando. E eu me pergunto, quem iria querer anunciar no Quinta Emenda? Um Blog duríssimo.

P- E ser criticado em outro Blog?

JA - Todo o direito. No meu e nos outros. Não vejo problema nenhum e não raro, os meus links são criticados no meu Blog, e eu espero contar com essa mesma compreensão deles.


P - Comunicação tem futuro ?

JA - O mercado está cada vez mais difícil, porque o mercado é cada vez mais competitivo e cada dia mais acessível. Há penetração de outras áreas, de outras formações. A gente deve fazer o que a gente gosta de fazer, porque o trabalho, por excelência, é horrível, trabalhar em um mundo do século XVII para cá, antes não.

O curso de comunicação será cada vez mais um curso venturoso, porque a informação cada vez mais é uma mercadoria de absoluta centralidade nas relações humanas. Gramisc escreveu isso nos anos 20. A discussão da hegemonia se desloca dos parlamentos, das assembléias. Se desloca para os meios de comunicação. Este é o grande parlamento mundial. A medida que a comunicação tem a centralidade nas relações sociais, a função, trabalho do jornalista, também cresce. É pena que eu vá morrer sem realizar um sonho, que era formatar um currículo de um profissional de comunicação, que reunisse matérias da estatística, biblioteconomia, da informática e da comunicação.

Esse é o profissional do futuro nas comunicações. Porque este sabe o que é um arquivo, sabe o que é uma medida de dispersão e de concentração, sabe o que é a teoria da difusão, das idéias. Sabe criar instrumentos, artefatos para veicular produtos para veicular essas informações. Então combinaria o carinho que a bibliotecária tem pela informação que é único, a precisão de estatística, o rigor, a combinação dessas quatro formações ele sai um ótimo profissional. Mas não tem esse curso no Brasil.

Eu me alinho entre àqueles que não reconhecem a comunicação enquanto domínio científico próprio. Não reconheço, com todo o respeito. A teoria da comunicação é um capítulo da teoria social, das ciências sociais e políticas. Não vejo nenhum problema que ela seja constituída assim, mas acho que para ela evoluir, vai ter que repensar a sua origem, as suas companhias.

Por exemplo, o Departamento de Metodologia da UFPA está em extinção. Ele deverá acabar em poucos anos. Por que? A Metodologia das Ciências é a disciplina de todos os cursos da universidade. Você acha que alguém pode ser melhor professor de Metodologia das Ciências para a pedagogia, do que um pedagogo? Você acha que algum metodólogo das ciências pode ensinar para físicos a história da ciência melhor do que os físicos? Em todas as áreas do conhecimento você encontra muitos profissionais que gostam da história das ciências e da metodologia das ciências, em todas as áreas. Esse deve ser o professor de metodologia das ciências. Têm certos domínios do conhecimento que estão “dançando”.

Por exemplo, o curso de economia, que é o meu curso de formação e que foi o meu primeiro mestrado, nos anos 80, na UFRJ. Economia, hoje, não é um curso de graduação qualquer. Porque é um curso dificílimo. É muito mais lógico você procurar compactar o curso de gestão, chamar as contábeis, a administração, e a própria economia, e ter um curso de política econômica ou de econometria. Isso tudo vai acontecer nos próximos anos. E já está acontecendo em alguns lugares do mundo. É irremediável".


 



      





junho 04, 2015

ai.ai.ai.... como o passado é tagarela! (rsrs)


ele(léon chertok), nasceu em 1911 em lida, polônia, psiquiatra e psicanalista. e o entrevistador(roland jaccard), lhe faz a seguinte pergunta: a hipnose aparece muitas vezes como uma mistificação, como uma prática para espetáculos de variedades; de onde vem seu interesse por ela? e chertok responde-lhe de imediato: não devemos falar muito mal dos espetáculos de variedades. afinal, foi por ter assistido a espetáculos assim que autores como braid, charcot e freud tiveram seu interesse atraído pelos fenômenos hipnóticos. o que me parece espantoso é que ainda hoje se possa formular uma pergunta como a sua(!!!!). sabes o que é legal nisso tudo? é que foi registrado da mesma forma como o entrevistado falou, sem melindres e tal. depois da bordoada no jaccard, léon prossegue, numa boa, como se nada tivesse acontecido: por menos que se conheça a história da psicoterapia, não é possível deixar de se interessar pela hipnose – ainda que seja apenas porque a psicanálise se originou diretamente dela. no que diz  respeito, tive ocasião de entrar em contato com a técnica hipnótica durante meus estudos de medicina em viena, nos anos 30. mas principalmente quinze anos depois, quando começava a minha carreira de psiquiatra e psicanalista em paris, um dia me encontrei diante de um caso de amnésia. um pouco ao acaso, eu diria quase em desespero de causa, lembrei-me da hipnose. para meu grande espanto, bastou uma única sessão para fazer a amnésia desaparecer. naquele momento, não medi toda a extensão do enigma representado por esse fenômeno. mas a minha curiosidade foi despertada, e dura até hoje. digamos que nunca cheguei a me refazer desse sucesso terapêutico[....] nem preciso dizer que o gato ficou tentando pegar o rato até o final da entrevista, não é mesmo? qual é o jornalista que pega uma volta assim, de graça(rsrs)? contudo, chertok se traveste de acadêmico e dá uma aula na figura(uau!)....

junho 01, 2015

‘detesto enviar ‘mensagens’....’

[....]não tenho a menor dúvida de que sou suíço! minha língua materna é o dialeto de berna; para mim o alemão é artificial[....]os anos de adolescência têm lá sua importância. eu tinha vinte anos durante a guerra. a suíça ficava de fora das catástrofes, sem que se soubesse muito bem se ela era uma prisão ou uma fábrica de hitler. eu vivia numa ilha, ou numa jangada levada pela correnteza. observava de longe o crepúsculo dos deuses, como um espectador. daí vem, sem dúvida, minha visão da história como uma farsa assustadora e grotesca[....]israel tornou-se um estado como os outros, tão contestável quanto os outros. é consternador, como o enterro de uma ideia. os israelenses perderam a superioridade moral. já não poderão evocar auschwitz sem hipocrisia, pois empregam, contra os palestinos, métodos dignos da gestapo[....]para os anti-semitas, sou judeu; para os anticristos, sou cristão; para os antimarxistas, marxista; para os marxistas, antimarxista.... quero incomodar, inquietar, destruir as ideias feitas, atacar os poderes: friedrich dürrenmatt