dezembro 03, 2015

'ponto de mutação', por karine pedrosa


O campo da ciência que me alcança, encontra-se em transição imaterial. As novas formas de pensar a ciência e analisar os paradoxos explícitos em nossa sociedade convivem com um imperativo tecnológico a serviço do sistema econômico.

As produções acadêmicas viajam na velocidade do interesse do grande capital, portanto, produzir ciência ainda é uma inserção no mundo moderno descrito por Nelson Mello Souza em “Modernidade – Estratégia do Abismo”, no entanto, novas formas de saber, em contrapartida ao absolutismo científico, passam a ser reestabelecidas e aceitas, tanto em expressões socioculturais quanto na produção científica. De algumas formas, o modelo paradigmático holístico, ou em termos acadêmicos, por exemplo, multidisciplinar vem se misturando a ciência rígida e procurando meios de desfragmentação do conhecimento.

O filme “Ponto de Mutação” reconhece - através da conversa entre a cientista física Sônia Hoffman, do poeta Thomas Harriman e do político Jack Edwards – uma mudança de paradigma que vem desde o surgimento da Física Quântica, que, de certa forma, religou as dimensões microscópicas, humanas e universais, superando, assim, o mecanicismo que deu suporte para toda produção científica da modernidade.

Interessa destacar que, Jack Edwards, em determinado momento do filme, encoraja Sônia a esclarecer o público, realizar a mudança. A mutação, o ponto de mutação, parece-me bastante com a própria atualidade, afinal, se o conhecimento mecanicista foi superado pelas descobertas da física quântica, bem como o ser humano que, mesmo posto no centro do interesse do conhecimento científico, enquanto observador e objeto, encontra-se na realidade, em posição tão vulnerável, entre outros aspectos, cultural, social e emocionalmente, o paradigma falhou e, a própria modernidade se mostra inviável. É preciso freá-la.

Frear a modernidade, este é outro ponto importante de mutação, significa reformular toda a base de produção da existência do planeta. Requer tomada de Poder, requer revolução e o abandono da lógica materialista, requer a construção de um mundo que talvez não tenha precedentes ou modelos propostos.